fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

sexta-feira, dezembro 25, 2009

Pastores do presépio*

António Salvado
(Fotografia de Luís Norberto Lourenço. Arquivo Tertuliano/2009)

Pastores do presépio

Fundos sulcos da neve a rigidez da face

encontram o olhar traçam caminhos

vêm rotos vergados em demora

(a estranha luz ardendo o horizonte)


Encostam-se ao cajado a fome na tristeza

fixam sombras duma estrela quente

pisam descalços a caruma o espanto

que envolve em sobressalto que amanhã


Levam nos ombros a continua morte

da criança fugaz que em cada instante nasce

Lançam achas incertas no quieto lume

sorvem daquela noite o bafo quente


Nos seus lábios gretados surge a prece

o limiar da esperança sem revolta.


*Por: António Salvado

Etiquetas: , , ,

Manjedoira*

António Salvado

(Fotografia de Luís Norberto Lourenço. Arquivo Tertuliano/2009)


Manjedoira


De longe que a manhã fora prescrita

as armas recolheram aos museus

os campos revestiram-se de trigo

o azul recente coloriu o céu

d’alem da boca e d’outros céus ainda,

aves voltaram feitas peregrinas,

na terra acasalaram mais os bichos,

no mar os peixes destruíram breus.


Noite do caramelo ameno dia

chegado ao lume do braseiro ardido:

véu rompido onde a paz vai reviver;

de boa e sã vontade se cobriu

o mundo: os homens todos já se uniram!


e nem um Deus precisa de nascer.



*Por: António Salvado

Etiquetas: , ,

quinta-feira, dezembro 24, 2009

A Casa Comum das Tertúlias deseja as Boas Festas


A Casa Comum das Tertúlias deseja as Boas Festas a todos os nossos visitantes, em especial aos nossos colaboradores e aos tertulianos.
Um Feliz Natal e um Próspero Ano Novo.
Este foi um ano de poucas tertúlias (só uma de resto), no entanto não infrutífero, lançamos uma publicação, chamamos a nós vários colaboradores de vários países, consolidamos o projecto na blogosfera e preparamos um regresso em força em 2010.
Estejam atentos...

Etiquetas: , , , ,

sábado, dezembro 19, 2009

Descobrir o Natal e as suas origens

Quando nos aproximamos de uma época ou estamos prtaicamente na sua reta final, temos a tendência para julgar que aquela data é realmente verdadeira. Mas nem é bem assim. De facto a época a que chamamos Natal só foi instituída depois de muito tempo e inicialmente a sua verdadeira data tinha a ver com a chegada dos reis Magos a 6 de Janeiro. Os Cristãos ortodoxos festejam-na e nuestros huermanos também, só nós e mais uma centena de países festejamos esta data a 25 de Janeiro. Para quem não sabe ou não se recorda esta data na antiga religiãom pagã estava consagrado a Apolo, o deus da Luz ou ainda a ligação da majedoura do menino Jesus era a Mitra ao deus oriental. Hoje em dia esquecemo-nos de várias coisas ou momentos e acontecimentos que dão vida e origem. Natal é um estado de espírito e reconhecimento. Porque temos que aliar esta mesma data a um par de meias ou sapatos a cheirar a chulé? Sapatos velhos e rotos ao pé da chaminé dos nossos avós? Onde estamos todos nós? Esperamos ávidamente que idiotas chapatos que venham lá sabe-se lá de onde e coloquem setenta mil velas à volta da sua casa quando se fala de problemas gravíssimos a nível ecológico... quantas árvores são cortadas todos os anos por esta altura? Não será hora de que os reis magos lhe atirem com mirra e marretas para cima da cabeça? Que quadra é esta onde os perus tem que ser embragados para que a sua carne fique mais terna? E o que teremos depois no Céu dos Perús? A associação dos Perús Alcólicos? E o bacalhau será que ele tem vontade de ira para a mesa todos anos na noite da Consuada?

Pensem nisto um algum Natal destes não teremos mais árvores, nem Perús que se alevantem às vinte e quatro horas e digam: Agradeço a estar aqui nesta mesa, à pessoa que embregou e cortou as goelas, muito obrigado, meu querido assassino. Ou até mesmo o bacalhau não poderia acompanhar qualquer cantor brejeiro nem acompanhar qualquer couves num anúncio erótico dos jornais diários somente diria "Bacalhau veja bem se é da Noruega" E é por tudo isto que todos os dias eles vãoa a um qualquer hipermercado. Onde a qualidade é muito mais barata. Boas festas. E voltem sempre!

Etiquetas: ,

terça-feira, dezembro 08, 2009

"Navidad", por Carlos Godoy (El Salvador)*

NAVIDAD


Navidad no es regalar lo que no me sirve

tampoco gastar en algo nuevo.

No es consumir en nombre de un gordo barbudo de rojo.

No son dos noches de comer pavo.

Dos dias de vestirse con estrenos

y reventar "cuetes".

Navidad no es el veinticuatro visitar a la familia.

Horas de reencuentros.

Minutos de hipocresías.

Un banco y endeudarse y tener lo que tienen los vecinos.

No es el momento de pedir por la paz

menos de pedir perdón por pedir.

Navidad no es buscar a los padrinos

no es un arbolito

no son los foquitos brillantes

ni es mejor por el presidente con su familia deseándola.

Navidad no la entiendo consumir en metrocentro.

Esperar aguinaldo.

Navidad...

No es mejor si se piensa ir a misa de primero de enero.

Navidad no es tomar una vez año.

No es mejor con el alcalde con tus impuestos dando juguetes.

La misa del gallo.

No es dar besos y abrazos a la prima bonita

o el desear feliz año nuevo.

Darle una cora al viejo que la mendigo todo el año.

Navidad...

no seria en mi caso al fin recibir una prueba de amor atrasada

creer en un prospero dos mil diez.

Esperar remesas.

Rezar porque no haya incendios

niños quemados.

No es tiempo de buscar al amor que se fue.

Navidad no es cerrarle la puerta a los protestantes.

No es una estrella con nombre de mujer y ciudad.

Navidad no es un pesebre un niño un buey y una mula.

Una virgen pariendo.

Navidad...

No sé ya ní lo que és

después de tanto que dicen que significa.


* Por: Carlos Godoy (El Salvador, 23 Anos)

Nota editorial:

Poema enviado pelo autor e já publicado em: http://ardiendocenizasmojadas.blogspot.com

Etiquetas: , , , ,

segunda-feira, dezembro 17, 2007

A verdadeira história de natal*

Todos nós já nos demos conta do período que vem por aí... Árvores de Natal, Pai Natal, Renas, histórias de encantar no mundo mágico dos brinquedos
e da maravilhosa Leopoldina, pássaro multicor que voa para lá do nosso imaginário.
Todos nós já deixámos de acreditar na magia da infância e do verdadeiro significado do Natal. Por aquilo que acontece durante o ano, acreditamos em nós e pouco nos outros, e durante alguns dias as pessoas são obrigadas a ser boazinhas, tão boazinhas que até enerva.
Não tenho nada contra o Cristianismo ou dos seus derivados e afins. Afinal o que se tem vindo a ver todos os anos é uma falta sensibilidade dos adultos e das crianças.
Primeiro, porque são os adultos que estimulam as pupilas dos liliputianos a olhar como eles ou em casos extremos ainda pior que eles. Vivemos num país de brinquedos onde todos jogamos ao faz de conta e nunca quisemos acreditar em diversas matérias como o Cristianismo que nos impingiram desde pequeninos. Depois, neste país de brinquedos vive o Senhor Lei que convive com o Nody que agora parece que é moda toda a gente gostar desse boneco criado pela
mesma autora dos “Cinco”... A Enid Blyton.

O Senhor Lei faz jus da sua farda e fazendo as coisas a seu bel-prazer. Ao contrário do que seria de esperar, defender os indefesos, ser o amparo dos mais fracos e dos pobres, vive desta imagem, gozando apenas de um título sem se preocupar com os outros. Por outro lado, os pobres de hoje e os indefesos e fracos não são os “coitadinhos” nem os oprimidos de outrora. São pessoas que se colocam em risco e colocam também os outros em risco.
Quanto à brincadeira a que temos à nossa mão é a de nos enganarem, quer pelo eterno conto do vigário, que através de determinadas instituições e títulos pseudo.
Pseudo porquê, perguntam vocês. É os ditos “Senhores Lei”, tal como muitos outros são piores do que aqueles que criticam e aqueles da época em que Herodes tentou matar as criancinhas para evitar que nascesse um Menino-Rei. Fazem fé da sua farda, na sua missão e no fundo, tudo isto é um puro espectáculo de magia. Tudo se transforma como diria Antoine Lavoisier. E essas pessoas que
acreditam nesses Senhores Lei? Não terão elas descoberto a verdadeira história de Natal?
Quando olhamos para as árvores de Natal não sabemos o que elas significam, uma tradição que um príncipe alemão trouxe para Portugal: A árvore de Natal.
Mas não é Natal quando um homem diz que é tradição comer isto ou aquilo, ou fazer-se assim ou assado, em determinada parte.
Natal é quando o comércio quer!… O Natal está sim nas palavras gratas dos vendedores que vêem o seu ordenado subir por causa daquela compra, enquanto as criancinhas acreditam na história do Pai Natal que desce a chaminé para lhes pôr os presentes junto à arvore …. Hohoho! Diz O Pai Natal dos anúncios.
Afinal há Natal quando há bacalhau e batatas regadas com azeite. No Espírito do Natal de Charles Dickens poderíamos frequentar um curso intensivo em que os formadores nos dariam aulas na noite de 24 de Dezembro. Seriam eles o Espírito do Natal passado, presente e futuro. Quem não sabe se estes seriam cobradores de consciência como na boa tradição anglo-saxónica. Não será esta a melhor forma de ver como se portam os pseudo Senhores Lei? E não haverá que mudar?
Afinal sempre há Natal mesmo… quando um homem não quiser.

*Por: António Almeida

Nota:
António Carlos Almeida é Licenciado em História: ramo científico, pela Universidade Lusíada (Lisboa).
Colaborou numa das edições de "Tertuliando" e este artigo voltará a ser publicado numa próxima edição.

Etiquetas: , , ,