fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

segunda-feira, dezembro 17, 2007

A verdadeira história de natal*

Todos nós já nos demos conta do período que vem por aí... Árvores de Natal, Pai Natal, Renas, histórias de encantar no mundo mágico dos brinquedos
e da maravilhosa Leopoldina, pássaro multicor que voa para lá do nosso imaginário.
Todos nós já deixámos de acreditar na magia da infância e do verdadeiro significado do Natal. Por aquilo que acontece durante o ano, acreditamos em nós e pouco nos outros, e durante alguns dias as pessoas são obrigadas a ser boazinhas, tão boazinhas que até enerva.
Não tenho nada contra o Cristianismo ou dos seus derivados e afins. Afinal o que se tem vindo a ver todos os anos é uma falta sensibilidade dos adultos e das crianças.
Primeiro, porque são os adultos que estimulam as pupilas dos liliputianos a olhar como eles ou em casos extremos ainda pior que eles. Vivemos num país de brinquedos onde todos jogamos ao faz de conta e nunca quisemos acreditar em diversas matérias como o Cristianismo que nos impingiram desde pequeninos. Depois, neste país de brinquedos vive o Senhor Lei que convive com o Nody que agora parece que é moda toda a gente gostar desse boneco criado pela
mesma autora dos “Cinco”... A Enid Blyton.

O Senhor Lei faz jus da sua farda e fazendo as coisas a seu bel-prazer. Ao contrário do que seria de esperar, defender os indefesos, ser o amparo dos mais fracos e dos pobres, vive desta imagem, gozando apenas de um título sem se preocupar com os outros. Por outro lado, os pobres de hoje e os indefesos e fracos não são os “coitadinhos” nem os oprimidos de outrora. São pessoas que se colocam em risco e colocam também os outros em risco.
Quanto à brincadeira a que temos à nossa mão é a de nos enganarem, quer pelo eterno conto do vigário, que através de determinadas instituições e títulos pseudo.
Pseudo porquê, perguntam vocês. É os ditos “Senhores Lei”, tal como muitos outros são piores do que aqueles que criticam e aqueles da época em que Herodes tentou matar as criancinhas para evitar que nascesse um Menino-Rei. Fazem fé da sua farda, na sua missão e no fundo, tudo isto é um puro espectáculo de magia. Tudo se transforma como diria Antoine Lavoisier. E essas pessoas que
acreditam nesses Senhores Lei? Não terão elas descoberto a verdadeira história de Natal?
Quando olhamos para as árvores de Natal não sabemos o que elas significam, uma tradição que um príncipe alemão trouxe para Portugal: A árvore de Natal.
Mas não é Natal quando um homem diz que é tradição comer isto ou aquilo, ou fazer-se assim ou assado, em determinada parte.
Natal é quando o comércio quer!… O Natal está sim nas palavras gratas dos vendedores que vêem o seu ordenado subir por causa daquela compra, enquanto as criancinhas acreditam na história do Pai Natal que desce a chaminé para lhes pôr os presentes junto à arvore …. Hohoho! Diz O Pai Natal dos anúncios.
Afinal há Natal quando há bacalhau e batatas regadas com azeite. No Espírito do Natal de Charles Dickens poderíamos frequentar um curso intensivo em que os formadores nos dariam aulas na noite de 24 de Dezembro. Seriam eles o Espírito do Natal passado, presente e futuro. Quem não sabe se estes seriam cobradores de consciência como na boa tradição anglo-saxónica. Não será esta a melhor forma de ver como se portam os pseudo Senhores Lei? E não haverá que mudar?
Afinal sempre há Natal mesmo… quando um homem não quiser.

*Por: António Almeida

Nota:
António Carlos Almeida é Licenciado em História: ramo científico, pela Universidade Lusíada (Lisboa).
Colaborou numa das edições de "Tertuliando" e este artigo voltará a ser publicado numa próxima edição.

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