fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

quarta-feira, janeiro 21, 2015

Luís Norberto Lourenço no Vagamundos, com Jorge Costa


À conversa com o jornalista Jorge Costa, para o programa radiofónico "Vagamundos".

A entrevista foi gravada no dia 1 de Janeiro de 2015 em Castelo Branco (Portugal), está em linha na página http://www.mixcloud.com, na página do programa e passa numa rádio de São Paulo (Brasileira), a Rádio Juventude.

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domingo, janeiro 11, 2015

FOTOSSÍNTESE cap. 20

Artur não podia ter maior satisfacão. Tinha diante de  si a tese da sua irmã Carlotta Mendes Botelho e Sousa: A Maldicão de Agadé. Só aquele nome para o albúm  do seu grupo Bolor Bafiento era o ponto máximo da tragetória que se havia de seguir .A história de Naram- Sim  dava um toque de tragédia clássica ao género dos antigos gregos, a sua apetência por aquela personagem advinha-lhe de há muitos anos atrás desde que se conhecia por gente e ouvia a irmã  a falar daquele rei como se fosse de uma pessoa conhecida, de um velho amigo. Opatara pelo conservatório e a sua grande paixão era sem mais nem menos no famoso Naram- Sim de Akad . Aliás uma tese de mestrado a Sombra dos Heróis deram-lhe as ferramentas necessárias para todo aquele percurso. Aquela personagem já incluía tudo aquilo que os gregos perseguiam. A ascencão e queda  de um homem  que tudo tinha para ser  um imperador  na verdadeira acepcão da palavra. Mas nem Artur nem a sua irmã sabiam da ironia do destino. Um jovem músico francês  que se dedicava a assaltar  museus queria fazer-se ao tesouro, especialmente ao de Naram- Sim, queria fazer-se ao toucado do rei, dos seus longos cabelos. Quando ele se preparou para roubar o famoso rei, a escritora de romances policiais resscuscitou e acordou no Museu de Cera Madame Tusseau. Decidiu tornar-se omnipresente como fosse um deus de uma história de ficção criada por uma personagem sua. A escritora ligou  para a Scotland Yard, tinha provas concretas de que apanhara o ladrão de Naram-Sim. Ainda  por cima aquele jovem chamava-se Artur! O nome do seu marido! Aquilo era demais! E se o senhor da justica lhe preparasse uma armadilha ou melhor qual seria a melhor a maldicão de Agadé dos tempos modernos?

O senhor da justiça, Shamash, apareceu a Agatha Crystie, dando-lhe uma forma de tornar as suas ideias reais. E se o jovem Artur desaparecesse como num daqueles casos mediáticos que surgem de vez em quando nos jornais? Era aquela a forma de iniciar a história que havia de deixar algures num alfarrabista:

O menino Artur desapareceu. Seriam as más companhias?  O Rock and Roll? O sexo ou as drogas? Num romance policial tudo é passado a pente fino. E a mulher  a dias? É tão tolinha  que acha  piada a tudo o que menino fizer! Se ele mostrar o rabinho, ela acha  que é em nome  da arte! As mulheres de hoje não têm o brio de antigamente que viam em tudo uma espécie de romance, mas esta, oh meus senhores, supera em tudo!

Como seria o sexo numa festa de teenagers? Sem familiares por perto, algumas ganzas, umas cervejolas e estamos aqui na maior!!!

Nada podia ser melhor do que isto, uma noite de sexo, um adolescente desaparecido e um álbum  com o tema da “Maldição de Agadé “ e o período de devastação .Os gritos, os pedidos de socorro e no meio daquilo tudo havia um grito de desespero!!!

Sim, quando se ouviu aquele grito pareceu ser de  alguém que morrera  durante aquele ensaio. Onde fora feita a gravação? E o jovem onde é que ele estava? Porque é que ninguém deu com aquilo? Fora apenas ele um sonoplasta metálico e orientalista por devoção. Descobrira no meio daqueles gritos a voz  daquele jovem que se chamava Artur Mendes de Botelho. Aquele jovem fora morto, ou melhor ia ser morto… porque optou  por ligar para a rádio e pedir o disco “A Maldição de Agadé”, disseram-lhe apenas que  nunca ouviram falar  em tal álbum. Ou pelo menos até ao momento. Fora então que o jovem fizera uma pesquisa na Internet sobre o grupo de heavy metal: “Bolor Bafiento”. No Google não havia qualquer referência sobre aquele grupo, até que a determinada altura descobrira uma pequena nota de que todos os elementos do grupo sofriam do síndrome de Bethoven , acabaram por ficar surdos. Havia algo… parecia que estava a ler a sinopse de um filme de terror ou  a penetrar no universo de Stephen King.  Quantos charros, não terei fumado hoje? Bem, vou ter que tirar esta máscara  ou vou ter que a pôr  para a investigar …não teria que procurar os acordes? Não havia qualquer música ou  letra daquele grupo: “Bolor Bafiento”, Jonas começou por investigar todos os elementos do grupo e álbuns . Todos eles estavam relacionados com a antiguidade oriental o primeiro chamava-se “Oração da Peste”(datado de 1985). Aquele ano dava-lhe algumas pistas, a descoberta da Sida, a problemática da poluição, entre outros assuntos. Mas até então não havia qualquer referência aos misteriosos membros do grupo. Alguns anos depois, encontrava-se o álbum “Rei Édipo “(1989), o fim da guerra fria. Em cada uma delas  havia algo de estranho, numa outra gravação ouviam-se tiros, noutra provavelmente um tiro… aquilo parecia algo como o “Project Blair Wich “.

- “Bolor Bafiento” não será um pouco demais ? – pensou Jonas em voz alta .

- Não, disse Samira uma repórter bisbilhoteira .

- O que é que tem a haver com isso ? – perguntou ele de pé atrás .

-Imagine, eu sou o seu super-ego, ou melhor a sua psicóloga que lhe pede para beber. Olhe lá, para mim e veja lá  se não está a ver aqui duas pessoas à sua frente, já agora deixa-me apresentar, Samira Helstein, musicóloga, a minha tese de doutoramento baseia-se precisamente nesse grupo e as suas influências do universo pré –clássico. Garanto-lhe que cada elemento está tão vivo quanto eu e você, ou pelo menos até agora. Porquê é que no lugar de se destruir em álcool não me ajuda no desaparecimento de um jovem músico heavy metal? A namorada vê um rei português chamado Sancho I. Eu sei que foi expulso da polícia  e se dedica à investigação tirando essa sua amiga… -disse a investigadora apontando para a guitarra de um lado e para a arma do outro.

- Porque o heavy metal ? –perguntou –lhe Jonas .

Ela olhou-o fixamente. Só então reparou que ela era mulher lindíssima com uns lábios carnais desenhados a carvão, vestia uma roupa discreta, deixando-o numa outra dimensão.

-Desculpe lá, mas porque é que eu tenho de estudar de órgãos barrocos? E para quê? Para que a minha tese de doutoramento fique a apanhar pó? Eu quero que ela seja lida por todos .

-Você, sabe tanto como eu, que este grupo, é um mito ou pelo menos aquilo que querem que as pessoas imaginem que sejam. Sabem de coisas que até mesmo deus duvida!- disse ela rindo . Portanto, eu preciso  de um expert em som. Sei que foi  um jovem que em tempos trabalhou numa fundação ligada à história. Sancha Beirão de Vasconcelos viu o amor da vida  dela morto no meio de uma invasão na quinta dos seus avós…

- Minha cara, isso é sobrenatural …-disse o ex-investigador.

- Quem é que disse que tudo é normal  Martim, o jovem que lhe falei rompeu com a família e surgem várias questões ligadas à bruxaria e jogos de morte. E ele é o único herdeiro da qual os pais estão mortos! Tudo indica que foi ele  que os matou.

- Não acha que estamos a seguir o caminho de uma louca ? – perguntou  Jonas .

- Ninguém me deixa aproximar dela , e ela está  esconder-nos alguma  coisa . Ou não acha ?

-Há algo  que não bate certo, meu caro , Jonas . Aliás . Deixe de lado esse nome …

- Isaac , prazer em conhecer –disse ele num tom jocoso .

-“Ele rirá!”,-observou ela – Eis o significado do nome Isaac: “Ele rirá!”. Os seus pais já tinham “passado do prazo”, já não esperavam ter filhos?. Foi isso!? Certamente, e  agora deixe-me afogar as suas mágoas dentro de umas garrafas  de whisky …Quer ou não investigar esta história a meias comigo? Eu faço a pesquisa   e você  decifra os sons?

-OK .

- Já  que aqui estamos vamos por partes … o que está prestes a  acontecer … diga-me rapidamente …

- 31  de Outubro ? –perguntou Isaac .

- Exactamente , o Halloween .

- Não acha que será esse o próximo  passo para o lançamento do  novo álbum? Recorde-se de um título de uma história “A Maldição de Agadé “”A Devastação de Erra “?

Descobri num alfarrabista um famoso romance escrito por Agatha Crysthie num futuro próximo  quando ela esteve  em Portugal. A notícia veio no “Diário de Notícias “quando o marido esteve em Portugal na Gulbenkian. A escritora disse na entrevista de que Poirot viria a Portugal investigar um caso em Cascais ou perto…

- O que não aconteceu…

- Mentira, está cá em Portugal um jovem hititólogo que se diz neto de Hercule Poirot que está a juntar um grupo de jovens portugueses entre eles está a irmã do jovem desaparecido  que irá participar na tradução hitita.

- E o que isso tem a haver com o grupo ? –disse Samira .

-Para além de traduzirem uma placa de argila que a famosa Agatha Cristie vendeu ao arménio Calouste Gulbenkian… há uma novidade na história do tratado passa pelos vários álbuns “A Oração da Peste “e o “”Rei Édipo“ tudo não passa de uma farsa muito bem montada. Esse grupo não é mais  do que o grupo que uma técnica de marketing, irá apresentar no dia 31 de Outubro na discoteca o Vigário à meia noite. Junte lá agora  a charada.

- Vamos demonstrar que todos eles existem e tudo não passa de uma estratégia de marketing para enganar todos os elementos. Então o desaparecimento ou  a morte  não é tudo o mesmo ?

- Claro, 1985 é a descoberta da Sida, a preocupação da teoria ecologista, até Maria de Lurdes Pintassilgo o fala… e foi aí que o nosso amigo Martim estudou  parte do espólio da senhora. Ele era um católico… mas fez um panfleto muito especial e toda a questão do assassinato com a família levaria que um jovem doutorando abandonasse as suas crenças e fizesse um golpe de marketing, criaria uma morte fictícia e garanto-lhe que fará aparecer os seus pais no espectáculo. Quanto aos restantes pontos,  no que respeita à questão das quintas é pura coincidência  com um elemento da sua vida com um elemento esotérico e subversivo  referente aos anos de 33-45. Aqui estão em poucas palavras a história de um desaparecimento pensado ao milímetro, eles fizeram os álbuns agora com a visão de 28 anos depois  e agora  estão prestes a reaparecer.

- Nem mais! Vamos demonstrar que eles não passam de uma fraude! Nunca existiram? É isso que vamos ver amanhã!

segunda-feira, janeiro 05, 2015

Noche


La oscuridad me invita
a dejarme llevar por el silencio
que agoniza en la habitación.

Las telas que pasean por mi cuerpo
ya no son como seda,
de tajo se vuelven espinas.

Miles de pensamientos desean
habitar toda la noche en mi mente.

Las manecillas del reloj
ya no me indican la hora,
solo me invitan a pasar otra noche,
noche de insomnio esperando que el sueño
me abrace lentamente, hasta que llegue
de nuevo el momento de querer
ahuyentar de nuevo la claridad

FOTOSSÌNTESE Cap.19


Com as peças que a larva lhe havia deixado sobre a discoteca, ela observou as fotocópias e nelas se encontrava a personalidade de Naram-Sim. A sua estátua havia desaparecido misteriosamente. Quando abriu o computador Caetana não queria acreditar nas notícias que via pela internet. A sua colega Benedita  havia sido presa pelo fogo posto à discoteca. Foi vê-la na hora das visitas. Ela dizia-lhe que vira na noite anterior o Demónio Pazuzu e que lhe falara no sacrifício. Depressa  foi ao video-clube ver o filme O Exorcista – II – O Herético para tirar algumas conclusões. Só lhe restava uma alternativa o professor do Seminário de Hierarquia dos Demónios este explicou-lhe que este era um dos Demónios mais poderosos  da mitologia sumero-acádica . Havia alguma coisa que não coincidia ali. Recebera mais uma vez notícias da famosa Agatha Cristie que dizia saber porque a sua amiga havia sido presa. Dizia que a sua amiga era a metade da besta, de que era a grande prostituta. Não podia ser. A outra pessoa dizia que estava prestes a dar-se uma grande catástrofe. Benedita era a mensageira da desgraça. Recordara-se daquilo que se havia passado com o DJ quando este fora à entrevista. O carro fora de encontro a um camião mas salvara-se por milagre. Esse milagre não era casual era já influência do Demónio. Caetana  não acreditava  no que estava a ler. Da sua janela via uma pomba chorar sangue e nele estava preso num bilhete Samuel Noah Kramer e Jean Claude Perpére. Eram justamente a História começa na Suméria e As cidades do Dilúvio. Encontrou numa das páginas O Pecado Mortal do Jardineiro e no outro referências ao Direito Penal Hitita. De uma acentada só  foi ter com o professor de mestrados e perguntou  se podia observar os trabalhos da colega recentemente falecida era uma das outras marcas que a pomba lhe deixara Madalena. O professor olhou-a. Ela disse que estava prestes a mudar de tema de mestrado e se possível para a serpente hitita ou para o Demónio Pazuzu. O homem benzeu-se. Bem que mudança! Na prisão estava também François sob a acusação de ter violado a jovem Benedita. Perguntou-lhe como estava e se ele precisava de alguma coisa. Ele disse-lhe que a embaixada estava a tratar de tudo. Até que ele começou a chorara dizer que não aguentava os outros presos que o comiam com os olhos e que o queriam ter como parceiro sexual.

-Eu amo a Bé. Só vim para a merda deste país estudar os baixos relevos e eles pregaram-me uma partida. Ele jurava de pés juntos estar inocente. Caetena disse-lhe ia fazer os possíveis para o tirar dali. Havia uma armadilha muito bem montada. Nos últimos tempos Carlota Joaquina não saía de pé dele. Parecia estar melhor e até lhe dera algumas coisas para ler. Coisas que nada tinham a ver com a sua tese. Ela andava a enganar-nos. Não era nenhuma tolinha. Dizia-lhe que os baixos relevos eram provas de uma chave de Xamãs que guardavam a árvore da vida e protegiam o rei dos Assírios de todas as tempestades e do caos. Tudo isso era verdade. Ela falava por enigmas. Estava a dar as aulas na Escola do Riso e cada vez que eu saía acontecia alguma coisa, sabia que as pessoas que liam os meus textos de humor não entendiam nada, mas eles tinham apenas uma questão puramente académica .Ah, outra coisa ela falava que o Pecado Mortal do jardineiro e o Pinhal de Leiria tinham semelhanças. Quando chegaram ao pinhal de leiria D.Dinis obtivera instruções de um judeu que lhe assegurou que havia de proteger as suas culturas. Quando estava a estudar os baixos relevos dei-me conta de um terror psicológico e que estes mesmos protegiam os palácios e que havia uma figura que era um inimigo pessoal de Pazuzu. Os textos falavam em destruir o inimigo com a força do Deus e que os fazia cair para o lado, quando chegara aos relevos dos palácios dei-me conta - Nos Demónios que estavam nos baixos relevos que guardavam as portas as entradas estavam os ternos dragões, Demónios e Grifos alados. Aí estudei uma coisa fora do contexto da tese de que a nossa amiga ficou muito interessada, eram sacrifícios aos Demónios que se procuravam protecções contra eles, apaziguavam-nos por meio de oferendas, ou ainda ritos aos dons oferecido aos espíritos dos mortos. Ela passou a ser algo mórbida e pediu-me informações de que gostava de saber os sacrifícios de fundação, pelos quais eram esconjurados às influências maléficas que poderiam exercer as divindades que possuíam o solo em que se ia construir. Ela dizia que os baixos relevos continham uma luz só comparável à luz do Sol e que as  buscas de alabastro tinham a haver com tudo isso. Tudo isso reflectia a fertilidade e falava das coisas que se podiam observar nos grãos de trigo ou de génios que estavam a rodear a árvore da vida. Ela queria estar ao pé do disco-jockey mas ele via nela qualquer coisa de doentio. Diz que ela era a representação dom mal. Ela dizia ser a Deusa e que fora gravemente violada pelo jardineiro do jardim e que queria procurar noviças para um novo templo.

-        Meu Deus Como é que eu não pensei nisso antes? Quem é irá acreditar numa coisa destas? Vou ter que falar com o avô dela. Para publicar os seus escritos havia que se preparar muito bem. Quando falou com o seu orientador disse que gostava de organizar os textos escritos pela colega Carlota Joaquina, de os reunir e fazer um livro para ser publicado.

-        Vou falar com o avô dela –disse cautelosa com um misto de carinho nos olhos. Era tão nova!

-        Cabra !És capaz de estar viva e fazer de todos  nós palhaços!- pensou Caetana, enquanto via que o professor se mostrava interessado. Ela falou numa coisa em grande para chegar à comunicação social.

Carlota Joaquina era Madalena e todos os títulos que continham na tese eram a chave para o segredo daquela cabeça. Em casa pegou no livro de Jean Claude Pérpere, Gourney na tradução portuguesa de Pierre Levêque. Embrenhou-se então no primeiro livro “Só os três delitos com pena capital: o incesto, a zoofilia e a violação.De facto, um único crime de carácter sistemático punível com pena capital sem qualquer clemência (...) a rebelião contra o rei (...)”[1]

Um dos episódios de histórias  que revela este meio de cidadania trata-se sem dúvida o episódio de Shupiluliuma. O caso em questão tinha a ver com uma renovação de um tratado anterior com Hukkarra do Azzi-Hayasa (no leste do AltoEufrates, fora do mundo hitita ) deu-lhe como esposa a sua irmã.  Nesta altura, lembrou  ao seu novo cunhado que talvez tivesse a advertência, que os casamentos entre irmãos eram punidos com a morte entre os hititas [2].

Começou por pensar porque razão seria aquela o tema de doutoramento de Madalena. Interessar-lhe-ia não só o sistema judiciário hitita ser de tal modo avançado ao nível dos direitos humanos, como a sua própria posição acima do Código de Hamurabi. Só daquela forma se poderia posicionar para além da história e das opiniões que fazer crer tal como Gurney.[3] O outro aspecto para o interesse naquele estudo seria o fetishe sexual, incomodativo, invulgar e bizarro, a zoofilia. Seria aqui uma representação dos direitos dos animais naquela sociedade e até que ponto os direitos humanos e dos animais poderiam usufruir na sociedade hitita. Qual era então papel do animal na sociedade? Seriam pelos bens jurídicos  ou simplesmente religiosos? Em que meios se integravam? Quais seriam então as normas de direito que selavam estes mecanismos de direito ? Que provas fizeram mover esta legislação? Seriam apenas histórias mitológicas ou apenas um reflexo dessa ideologia? Porque é que aquela pena foi considerada logo um crime ao ponto de prática sexual e ser ao mesmo tempo considerada desviante? Considerariam o animal um ser superior? Ou estaríamos diante de uma civilização avançada demais para a época? Mas para Madalena que trocadilhos nos queria dizer com tudo aquilo? Ou seria apenas uma vontade enorme de vencer?

Lembrou-se de um livro do Professor Bernabé sobre Leis Hititas. Saiu de casa e foi até à livraria ver se o encontrava.



[1] Cf Perpere, op.cit, p.173
[2] Cf Pierre Leveque, As 1ªs civilizações , Vol.II, A Mesopotâmia e os Hititas (Trad. António José Ribeiro, ed. 70, p.121
[3] CF Gurney, The hitites , Pinguin Books


domingo, janeiro 04, 2015

Fotossíntese Cap. 18


Claro que ela não se lembrava e é isso mesmo que agora vos irei contar. Na opinião de Benedita  esta seria a forma de desmascarar o famoso jardineiro que certas partes do tratado não revelava . Para Bendita aquele acontecimento seria idêntico a uma sessão espírita , fazer aparecer o assassino. No entanto ninguém sabia  quem havia accionado o alarme . No tratado futurista En-Humma fazia justiça aos seus poderes . O que ninguém sabia  que na biblioteca da discoteca alguém conseguira obter tais manuscritos traduzidos em primeira mão.  Ao entrar no computador  estava a entrar no pensamento da filha de Sargão de Akad .  Quando apagou  o nome dos tradutores  Benedita sabia muito bem o que fazia . Ela era a própria deusa . A sua pomba estava ali para a proteger . Fizera –se passar por mortal pois sabia  que o jardineiro ali estava . Estava mais perto e ela sabia-o . Sabia-o porque ela era a larva e a larva era um dos desgígnios do deus da sabedoria . Desde que se tencionava vingar daquele jardineiro transformva-se em personalidades distintas .

Havia um risco à volta  daquele cadderno. Alguém voltara a apagar todos os vestígios  da memória do computador . Era o escritor . Não, não era . Era apenas a historiadora  que procurava os registos da memória de todos os indivíduos . Carlota conseguira  o documento que precisara para a sua tese , mas para isso precisava de um  subterfúgio . Procurou então o número de telefone de Caetana . Veio-lhe á ideia o seu avô . Recordou-se  como conhecera  Caetana  algum tempo atrás . Estava  diante do seu avô um entusiasta  que lhe falava da guerra . O Colóquio havia sido um sucesso . Ela  retirou uma folha  do caderno  e pô-la sobre a mesa . Nesse instante alguém  apagava  a história .  Caetana  escrevia num caderno num café à beira mar . Havia um mágico. Não. Um génio  que a observava  . A jovem que este tinha umas asas enormes . Mas quem é que havia apagado toda a informação do computador ? Carlota Joaquina tinha na sua mão  a base das informações . Quem eram as pessoas  que estavam ali dedicadas naquele canto da biblioteca?  Quem roubara o texto e o  copiara ?  O que queriam eles fazer com ele ?  Só se deram conta da importância do texto em que tinham em mãos  quando  viram que tinham um camião atrás delas . Estariam a enlouquecer? Estariam ali a fazer o quê?

De um momento para o outro  Carlota sentiu  que ia ao encontro do camião  e teve a percepção  de que um outro universo  se abria para ela  de par em par , sentiu que um arco-íris era a junção de todos os elementos da natureza que correspondiam aos apelos das pessoas que assistiam aquele acidente . Um vento enorme começou a dirigir-se. Algo de estranho  se estava a passar, alguém as observava. Caetana  estava como que hipnotizada por uma voz estranha . Via um rosto de marfim , olhos de vidro , muito belos que lhe dizia :

Optamos por caminhos irreais , veredas inquietas de  emoções  e não vagueamos ao sabor dos ventos e das horas. Transportamos a  dor da humanidade. Caminhamos vezes sem conta perdidos na lama . Quietos ouvimos o vento. Pensa nisto.

A pomba  que voava a cima dela  dizia-lhe que Benedita fora morta . O jogo havia recomeçado e o escritor maldito voltava a escrever tudo do princípio. Não haviam tratados , não haviam jardineiros , não haviam mais ninguém . A discoteca fechara. Mas as provas todas as pesquisas de que foram efectuadas não havia mais nada. .

Carlota viu de súbito que a amiga estava em estado de choque.  Não sabia  o que fazer , apenas acreditava que alguém lhe dissera algo . De um momento para o outro o feixe de luz desapareceu . Os deuses uniram-nos para destruir o jardineiro , especialmente aquele que desceu à terra , mas havia um deles que pretendia restaurar a humanidade era esse que deviam procurar. A discoteca havia sido destruída . Não restava pedra sobre pedra . François havia sido preso. Acusado de um crime que dizia não ter sido ele . Naram-Sim desaparecera  e esperava na sua toca . Um novo momento para atacar.

-        Esta deusa  quer reclamar-te . Deces tornar-te senhora da guerra. –dizia  Carlota  enquanto a  amiga ia a caminho do hospital. Parecia recitar a Avé Maria , cheia de graça , o Senhor é convosco.

 Estariam eles a ser um bjecto  de desígnio de Deus , como modeoo de acção da história ?

-        Fala comigo, Joaquina , não estás a ouvir-me ? Pai Nosso que estais no céu , oh , maria concebida sem pecado  rogai por nós que recorremos avós ...

O mundo estava prestes a desmoronar-se e agora ? Era demasiado obvio ! Que dizer ? Não lhe podia passar quem poderia estar por detrás de tudo aquilo fosse a pessoa  que estivesse a imaginar ! Benedita estava  morta fora ela a mentora da discoteca , da famosa conferência . E os restantes Onde estavam ?  O que lhes aconteceriam ?

Reconhecera o vulto que estava do outro lado . Bastava participar à polícia .


NÌVEL II

Depressa tudo se moveu para um precipício de que  elas não sabiam estarem incluídas  na história . Bem feitas as coisas eram elas agora as herdeiras de dar conta do recado . Carlota Joaquina havia feito um trabalho sobre En-huanna , uma grande sacerdotisa de nana, filha de Sargão I  e que na altura o trabalho havia sido publicado na revista faces de Eva . A importância de do estudo En-Huanna para estudo da mulher de Ur, cerca de 2600 ac era considerada  a “Senhora de Todas Coisas “ . Juntara-se  com um estudante de história do século XX . Observaram as fotografias  que tinham em mãos sobre o famoso tratado e agora todo aquele projecto fugia-lhe das mãos . Alguém  mudara  o rumo da história . Agatha Cristie voltava a atacar do além . Quereria aquela mulher preparar alguma vingança ? Caetana atendeu o telefone .

-        Estou sim , quem fala ?

-        Tem os manuscritos que lhe falei ? –perguntou uma voz enigmática .

Deve deixar junto a um dos  contentores  do metro nos restauradores  até  às cinco e meia caso contrário a sua amiga morrerá !

O telefone desligou-se . Ela sentia-se mal . Por sua culpa já aconteceram várias coisas , mas tinha em mente seguir quem era  o misterioso telefonista que a fazia estar com a cabeça à roda . Como é que aquilo  podia acontecer ? Esperou até ao dia seguinte com  o coração nas mãos . Foi até à estação dos restauradores e aí escondeu-se . À espera . Mais tarde . Viu um vulto de gabardine . Viu o tirar o capuz  entrou  dentro de um carro. Lá estava  Benedita . Como é que era possível ? Ela enganara-os a todos .  Caetana estava  estupefacta . Uma mão agarrou-a .

-Sim ?

-Quem é ?

-Eu sou quem eles querem – respondeu a rapariga . Destruíram a discoteca como forma de me destruírem a mim , mas eu tenho as placas e pretendo transmiti-las a En –Huma. Devemos guarda-las num cofre de um banco. Eu sou o primeiro ser capaz de produzir Quem é afinal Benedita? –perguntou Caetana .

-        Chefe de uma organização que se diz seguidora da deusa Isthar. Ela procura virgens em idade  de casar , prepara os encontros  com membros da organização .Era isso que os baixos relevos da discoteca continham e ela destruiu-os .

-        Porquê ?

-        Para evitar que conseguissem decifrar as imagens .- respondeu a larva  Inana. Mas  eu gostaria de voltar a ver o DJ .

-        Porquê ?-perguntou Caetana.

-        Amo- 0-respondeu Nana.

-        Virgem Santíssima ! Não posso acreditar nisto !

FOTOSSÍNTESE cap. 17


Depressa tudo se moveu para um precipício de que  elas não sabiam estarem incluídas  na história . Bem feitas as coisas eram elas agora as herdeiras de dar conta do recado . Carlota Joaquina havia feito um trabalho sobre En-huanna , uma grande sacerdotisa de nana, filha de Sargão I  e que na altura o trabalho havia sido publicado na revista faces de Eva . A importância de do estudo En-Huanna para estudo da mulher de Ur, cerca de 2600 ac era considerada  a “Senhora de Todas Coisas “ . Juntara-se  com um estudante de história do século XX . Observaram as fotografias  que tinham em mãos sobre o famoso tratado e agora todo aquele projecto fugia-lhe das mãos . Alguém  mudara  o rumo da história . Agatha Cristie voltava a atacar do além . Quereria aquela mulher preparar alguma vingança ? Caetana atendeu o telefone .

-        Estou sim , quem fala ?

-        Tem os manuscritos que lhe falei ? –perguntou uma voz enigmática .

Deve deixar junto a um dos  contentores  do metro nos restauradores  até  às cinco e meia caso contrário a sua amiga morrerá !

O telefone desligou-se . Ela sentia-se mal . Por sua culpa já aconteceram várias coisas , mas tinha em mente seguir quem era  o misterioso telefonista que a fazia estar com a cabeça à roda . Como é que aquilo  podia acontecer ? Esperou até ao dia seguinte com  o coração nas mãos . Foi até à estação dos restauradores e aí escondeu-se . À espera . Mais tarde . Viu um vulto de gabardine . Viu o tirar o capuz  entrou  dentro de um carro. Lá estava  Benedita . Como é que era possível ? Ela enganara-os a todos .  Caetana estava  estupefacta . Uma mão agarrou-a .

-Sim ?

-Quem é ?

-Eu sou quem eles querem – respondeu a rapariga . Destruíram a discoteca como forma de me destruírem a mim , mas eu tenho as placas e pretendo transmiti-las a En –Huma. Devemos guarda-las num cofre de um banco. Eu sou o primeiro ser capaz de produzir Quem é afinal Benedita? –perguntou Caetana .

-        Chefe de uma organização que se diz seguidora da deusa Isthar. Ela procura virgens em idade  de casar , prepara os encontros  com membros da organização .Era isso que os baixos relevos da discoteca continham e ela destruiu-os .

-        Porquê ?

-        Para evitar que conseguissem decifrar as imagens .- respondeu a larva  Inana. Mas  eu gostaria de voltar a ver o DJ .

-        Porquê ?-perguntou Caetana.

-        Amo- 0-respondeu Nana.

-        Virgem Santíssima ! Não posso acreditar nisto !


sábado, dezembro 20, 2014

Fotossíntese cap. 16


Claro que ela não se lembrava e é isso mesmo que agora vos irei contar. Na opinião de Benedita esta seria a forma de desmascarar o famoso jardineiro que certas partes do tratado não revelava. Para Bendita aquele acontecimento seria idêntico a uma sessão espírita , fazer aparecer o assassino. No entanto ninguém sabia  quem havia accionado o alarme. No tratado futurista En-Humma fazia justiça aos seus poderes. O que ninguém sabia que na biblioteca da discoteca alguém conseguira obter tais manuscritos traduzidos em primeira mão. Ao entrar no computador estava a entrar no pensamento da filha de Sargão de Akad.  Quando apagou o nome dos tradutores Benedita sabia muito bem o que fazia . Ela era a própria deusa. A sua pomba estava ali para a proteger. Fizera–se passar por mortal pois sabia que o jardineiro ali estava. Estava mais perto e ela sabia-o. Sabia-o porque ela era a larva e a larva era um dos desgígnios do deus da sabedoria. Desde que se tencionava vingar daquele jardineiro transformva-se em personalidades distintas.

Havia um risco à volta  daquele caderno. Alguém voltara a apagar todos os vestígios da memória do computador. Era o escritor. Não, não era. Era apenas a historiadora que procurava os registos da memória de todos os indivíduos. Carlota conseguira  o documento que precisara para a sua tese , mas para isso precisava de um subterfúgio. Procurou então o número de telefone de Caetana. Veio-lhe à cabeça o seu avô. Recordou-se como conhecera  Caetana  algum tempo atrás. Estava diante do seu avô um entusiasta  que lhe falava da guerra. O Colóquio havia sido um sucesso. Ela retirou uma folha do caderno e pô-la sobre a mesa. Nesse instante alguém apagava a história. Caetana escrevia num caderno num café à beira mar. Havia um mágico. Não. Um génio  que a observava. A jovem que este tinha umas asas enormes. Mas quem é que havia apagado toda a informação do computador? Carlota Joaquina tinha na sua mão a base das informações. Quem eram as pessoas que estavam ali dedicadas naquele canto da biblioteca? Quem roubara o texto e o copiara? O que queriam eles fazer com ele? Só se deram conta da importância do texto em que tinham em mãos quando viram que tinham um camião atrás delas. Estariam a enlouquecer? Estariam ali a fazer o quê?

 De um momento para o outro Carlota sentiu  que ia ao encontro do camião e teve a percepção de que um outro universo se abria para ela  de par em par, sentiu que um arco-íris era a junção de todos os elementos da natureza que correspondiam aos apelos das pessoas que assistiam aquele acidente. Um vento enorme começou a dirigir-se. Algo de estranho se estava a passar, alguém as observava. Caetana estava como que hipnotizada por uma voz estranha. Via um rosto de marfim, olhos de vidro, muito belos que lhe dizia:

 Optamos por caminhos irreais, veredas inquietas de emoções e não vagueamos ao sabor dos ventos e das horas. Transportamos a dor da humanidade. Caminhamos vezes sem conta perdidos na lama. Quietos ouvimos o vento. Pensa nisto.

A pomba que voava a cima dela dizia-lhe que Benedita fora morta. O jogo havia recomeçado e o escritor maldito voltava a escrever tudo do princípio. Não haviam tratados, não haviam jardineiros, não haviam mais ninguém. A discoteca fechara. Mas as provas todas as pesquisas de que foram efectuadas não havia mais nada.

 Carlota viu de súbito que a amiga estava em estado de choque. Não sabia  o que fazer, apenas acreditava que alguém lhe dissera algo. De um momento para o outro o feixe de luz desapareceu. Os deuses uniram-nos para destruir o jardineiro, especialmente aquele que desceu à terra, mas havia um deles que pretendia restaurar a humanidade era esse que deviam procurar. A discoteca havia sido destruída. Não restava pedra sobre pedra. François havia sido preso. Acusado de um crime que dizia não ter sido ele. Naram-Sim desaparecera e esperava na sua toca. Um novo momento para atacar.

-     Esta deusa  quer reclamar-te. Deves tornar-te senhora da guerra. –dizia Carlota enquanto a amiga ia a caminho do hospital. Parecia recitar a Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.

Estariam eles a ser um objeto de desígnio de Deus, como modelo de ação da história?

-     Fala comigo, Joaquina, não estás a ouvir-me? Pai Nosso que estais no céu, oh, maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos avós...

O mundo estava prestes a desmoronar-se e agora? Era demasiado obvio! Que dizer? Não lhe podia passar quem poderia estar por detrás de tudo aquilo fosse a pessoa que estivesse a imaginar! Benedita estava morta fora ela a mentora da discoteca, da famosa conferência. E os restantes Onde estavam? O que lhes aconteceriam?

Reconhecera o vulto que estava do outro lado. Bastava participar à polícia.

Fotossíntese cap. 15


Naram-Sim acabara de ver com o seus próprios olhos de que a teoria era verdade, mas tinha uma única missão: destruir a larva. Roubara as teses que se encontravam na biblioteca e vira como a influência da luz poderia ter para além dos baixos relevos neo-assírios. A estrutura da tese concentrava-se inicialmente na imagem do baixo relevo como um livro aberto de banda desenhada, na sua mente a tese teria tudo a ver com uma questão de religião e não com uma questão de arte. As fotos que adquirira por parte de um particular francês baseavam-se aliás nas referências do baixo relevo da Gulbenkian. Havia contactado com este investigador pela internet. O estudante de doutoramento conseguira uma bolsa em Paris para estudar esse mesmo relevo  que procurava à vários anos. Naquele instante estavam frente a frente um ao outro. Que se passariam naquelas cabeças? François lera em pequeno o romance Deuses,Túmulos e Sábios . Desde essa altura sonhara com aqueles palácios e inventara inúmeros jogos com aquelas imagens . Eram ambos os autores das imagens de das alterações das historiadoras tencionavam dar-lhes cabo das investigações. François propusera-se a estudar a fórmula de marketing político e a criação de uma opinião pública junto da população e do império assírio . Mas aquelas não eram as linhas que ele ambicionava. Aquele relevo pertencia à sua família  durante muitos anos. Só não conseguia entender como é que alguém o fizera desaparecer. O seu avô juntara dinheiro durante largos nos para aprender acádico viajar por todos os museus europeus tirar cópias de livros e comprou aquele magnífico exemplar. Agora tinham que pôr em prática os seus planos  contra os actuais donos daquele quadro. Naram- Sim disse-lhe que teria um plano infalível contra eles. A cem menos dali Carlota e Caetna uniam-se contra Agatha Critsie e preparavam uma emboscada que só elas tinham acesso, já que uma delas roubara as chaves de Naram- Sim . Brincar com alta tecnologia é algo que não se imagina, vive-se. Agora teria que entrar no universo mágico de Naram-Sim e fazer uma escolha qual dos papéis é que ela inverteria para si.

Depressa entendeu que as chaves para os segredos estavam nos espelhos da Gulbenkian onde havia um portal que as levaria ao processo que estariam de tocaia  ao assassino e estavam diante de dois: François e Naram-Sim. Será que os dois seriam a mesma e a própria pessoa? Não, segundo as informações colhidas o relevo exposto era dos familiares de  François ,coisa que ele nunca aceitara. Com Naram-Sim o caso mudava de figura, estava ali por outra e mais completa razão. 
A escolha daqueles sinais dava-lhes muito mais razões para pesquisarem na discoteca ao mesmo tempo que estudavam a arte neo-assíria estava qualquer coisa ali mal. Algo que pretendiam investigar. Chegavam  á conclusão de  que ao olharem ao longe  a figura do génio lado teriam que estudá-la ao pormenor . Com que meios se projecta  no meio de então? Como é que podiam compreender este ser mitológico ? Podiam concluir de que aquele relevo era um aviso. Os génios, os grifos demónios e s seres alados povoaram os seus sonhos durante a infância. Ao olharmos para as entradas das igrejas, nunca poderíamos entender as suas origens sem a máxima “fora da igreja não há salvação, dentro da igreja há salvação “. Uma origem que medeia uma época tão longíqua e profunda mas é o sonho  que atravessa a nossa memória conduz-nos a um universo habitado por seres alados capazes de dar as respostas às nossas preces. Olharam para o relevo. A sua grandiosidade contemplava-as, não eram capazes de o olhar de rente. Mas o ser alado também não o permitia. E isto porquê? Esse modelo idealizado pelo homem assírio aterrorizado pelo seu Deus. É isso que se sente quando olhamos para esse SER.
Dentro deste sistema acabara de ler um artigo numa revista de arqueologia espanhola sobre magia negra e maldição algo que o professor Francisco Caramelo já fizera também para os estudos de homenagem do professor José Nunes Carreira Mas não eram só esses mas também artigos ligados arte em revistas da especialidade como haviam já provado esse mesmo factor. A história da mesopotâmia perseguia-o tanto que o fizera recuara atrás e tentar perceber o porquê das coisas . Ao ver aquelas imagens na discoteca fazia-o recordar aos seus tempos de Deus, rei das quatro , regiões do Mundo, haviam  pelo menos os disfarces que o faziam compreender a sociedade em que se inseria, no entanto tudo aquilo fazia parte de um ficheiro contido numa ranhura de um dos arquivos de Ur para restabelecer a ordem. Ali descobria que não havia o Paraíso e que aqueles monstros que guardavam a entrada eram os mesmos que falara num seminário. Diante disto tinha a relações públicas à porta da discoteca que impunha um nível de perstígio. Ninguém sabia quem era o famoso Legal-já-jezi que muitos conheciam só de nome da história. Mas havia por ali alguém e esse alguém era ele que tencionava raptar aquela larva para a destruir.

Usava um brinco para se poder comunicar com os seus antepassados. Alguém lhe dizia que ele estava prestes a cair na armadilha, num jogo didáctico e que se deveria recordar das palavras mágicas. Naram- Sim aprendera a fumar. Acendia um cigarro enquanto falava com um escriba . Não conseguia compreender porque é que as pessoas olhavam as horas para uma caixa mecânica onde pudessem ver as horas que dispunham. Naram-Sim apenas sabia que a larva enquanto pessoa era uma mulher deslumbrante. Cantarolava a ópera Orfeu e Euridice de Monteverdi . Para tentar recordá-la ia às suas memórias para tentar embalar aquela mulher porquem ele se apaixonara, também antevia ali o mito da descida da deusa Isthar aos infernos. No meio de toda esta confusão alguém accionara  um alarme. Deixou-a de ouvir. A sua música era o perfeito elixir para os seus sentidos e de nenhum outro ser podia dizer que se havia apaixonada alguma vez nem tinha tido qualquer tipo de sentimentos iguais aqueles. Continuava à espera de notícias de nana . A larva era um programa altamente sofisticada. Quando se encontrou com François que trabalhava ali como barman  para poder pagar o seu doutoramento e se poder familiarizar não só Benedita , bem como os restantes elementos do grupo que ali trabalhavam naquele espaço avant-garde. Algumas revistas e programas de televisão haviam feito referência aquele espaço muito bem elaborado, no entanto o tema de conversa entre os dois posicionava-se sobre as mulheres e possivelmente uma que Naram-Sim vira na pista de dança. Qual Cinderela que perde o seu sapato de Cristal. François não podia deixar de sorrir como é que um fulano vindo de Londres se fora encafuar ali dentro daquele espaço e ainda por cima por uma mulher que nunca haviam visto. Sentiu um arrepio na espinha, porque presenciara outras histórias de amor. Naram- Sim não pensava noutra coisa a não ser naquela mulher. Queria-lhe escrever poemas de amor, mas não sabia mais  nada dela.

Nana  não existia. Era um  programa. Um projecto que tinha milhares de anos. Desde que En-Uma escrevera um tratado futurista sobre a capacidade dos seres Humanos serem capazes de produzir fotossíntese que os historiadores, biólogos, filósofos, não paravam de escrever teses sobre aquele tratado. O mais cómico era um deles Angel que vivia na Amazónia à procura da substância  que faria este programa desenvolver-se como um ser humano e conseguir ao mesmo tempo ter a capacidade  de produzir essa substância. Ninguém sabia onde ele estava. Todos? Não, Naram-Sim comunicava-se com ele através de um estranho aparelho  onde iam abordando as fórmulas de apanharem tal substância. Mas para tentarem compreender aquele texto uma equipa de historiadores desenvolveu um colóquio onde chegassem a algumas conclusões. Os filósofos seguiram-lhes o exemplo e até imagine-se os biólogos experimentaram as delícias das comunicações interdisciplinares. Uns diziam tratar-se de um texto filosófico onde se relacionava com a profecia de En-Huma. Um texto que havia desaparecido para sempre e era tido como lenda . Nestas andanças andavam as meninas de mestrado, como Carlota , Caetana que tentavam  tirar o maior dos proveitos para as suas teses, vinha depois o misterioso professor visitante defender que tudo aquilo não passava de uma visão de uma luta das forças da ordem contra as forças do caos e que de uma certa forma detinha uma posição muito idêntica a um mito o Pecado Mortal do Jardineiro. Alguém se lembrou de relacionar a luz. Porquê tanta gente a estudar uma coisa que nem sequer existia em Portugal?

Carlota Joaquina afirmou que uma destas fórmulas foram conducentes para o Museu Nacional de Arqueologia receber uma boa parte do espólio egípcio quando tomaram os baixos relevos que se encontravam nos navios alemães.

-        Encontramos os registos e os relatos nos jornais da época e tudo isso pode ser relevante para o futuro das minhas investigações. Bem eles sabiam que o projecto que tinham em mãos era evidentemente resultado desse tratado. Foi aí que Benedita, relações públicas da discoteca “O Vigário “ lançou a bomba.

Naram-Sim olhou-a nos olhos. Viu-os como da primeira vez, azuis como o mar onde as enormes ondas se desfaziam perto da areia da praia. Conseguia ver ainda o fogo que existia dentro dos seus olhos quando o via. Seguiam-se como pequenas câmaras de vigilância atentas a qualquer pormenor anormal que se passasse.
-        Quem és? - perguntou ela.

-        Não te lembras de mim? Não te lembras daquilo que vivemos?

quinta-feira, dezembro 18, 2014

Fotossíntese cap. 14


 Fora das aulas as raparigas imaginavam-se já num livro de aventuras e viam o primeiro elemento base como relevo neo-assírio de Lisboa. Viam-no como uma espécie de pressão psicológica que podia ser explicada de uma forma bem simples. Assim pensara da mesma forma o artista da discoteca “OVigário “ e ambas sabiam que continham fórmulas bem simples para aterrorizar os visitantes. Agora, não imaginavam como uma fórmula de poder onde é que era fixada a força da natureza e ao mesmo tempo com a força intemporal (Senhor da Assíria ) e o seu Deus (ASSUR). Entramos então no campo sobrenatural pois a imagem é fixada em caracteres iconográficos, os rituais estão subjacentes num período correspondente ao terreno de caça. Estamos então em pleno período de efervescência militar, as cidades vizinhas são tomadas destruídas para que o seu novo soberano possa reerguer e estabelecer uma nova ordem. Essa ordem é dotada por duas entidades, o rei e o Deus. O Deus emana a ordem ao rei que o encarna, perspectiva poder sobrenatural. Mas se a imagem é caracterizada como um elemento mágico ou se abordamos como fotográfico, podemos ver que a barba, o cabelo, a roupa ou os traços do corpo e as veias são mostradas ao mais ínfimo pormenor. Se o autor ou os vários autores quiseram transmitir uma mensagem ela figurou dentro da alma da mensagem que nos permitia descortinar a época histórica, o papel político, militar e económico da Assíria e por último a estratégia da mensagem.

Estes três pontos são essenciais para estruturarmos o nosso problema. Eles são a voz das nações e podemos contribuir para a destruição do elo mais fraco. Esta não é de longe nem de perto a afirmação dada por um génio alado, entidade semi-sobrenatural que ousa surgir no corredor dos palácios transmite uma força descomunal. Ao observarmos que estes seres não só estão ao serviço do império como nos permitem trazer segurança e heroicidade. Sabemos que eles detém vigor, força e virilidade. Esses elementos são nos dados pelos braços, pernas e pelo carácter guerreiro. Pois é meus senhores, estes homens não brincam em serviço, fazem parte das forças do bem e do mal. As batalhas costumam ser feitas no início do ano, na altura da subida do novo rei. E se de repente esse homem lhe desse uma flor, um ínfimo grão ou pólen das flores? Não seria este homem conhecedor das belezas da fertilidade? Não seria o rei uma espécie de abelha e o Deus caberia o papel de abelha rainha? Seria um papel duplamente fertilizante? Não estariam a jogar entre as sacerdotisas e as colheitas agrícolas? O bom princípio feito no início do novo ano, nas festas cultuais onde se denotavam as famosas festas onde o rei e uma sacerdotisa do clero de Isthar comandavam um papel importante?

O rei caminha sobre o universo, sobre o seu povo e nele detém a força o poder perfeito do céu e da terra e nele hão de respirar as normas da Terra. Nele contagiam o homem e a vida, um público virado para a imagem da qual o turista, o diplomata estremecem diante daquele que é o inimigo. E elas próprias que conversam sobre aquela discoteca. Vigário ou Shippar era a representação do Deus na Terra da civilização assíria. Naram- Sim isntalara-se lá com outro disfarce diferente daquele que observara as duas jovens, sorriu-lhes. Sabia que para ter a cesso a todas as informações de que dispunha a discoteca havia uma larva, espécie de composto que era provavelmente a descoberta mais revolucionária de todos os tempos. Nesse aspecto Naram- Sim optara por roubar um dos instrumentos mais importantes do empresário da discoteca: a larva Inanna.. Inanna seria uma mulher e teria o nome da sua deusa preferida, Inana. Chamar-lhe-ia carinhosamene Naná. Carlota Joaquina inventara Naná para a ajudar nas suas pesquisas sobre tudo o que se pudese passar naquela discoteca e de esta adivinhar quem seria o misterioso jardineiro, mas o que naná não sabia é que quando esta deixasse de ser utilizada seria destruída para todo o sempre. Naná era extremamente fria e cruel. Ela achava que a larva era lésbica e que tinha um fraco por ela, mas não sabia que a larva lhe lia os pensamentos e que se irritava com isso. Tinha o composto para criar a pessoa, a primeira mulher que iria produzir oxigénio. De súbito ouve-se um canto tão triste que anunciava uma nova des. Os grifos lados anunciavam a presença do poder bélico.

- Quem está aí? – perguntava o segurança. O segurança desconfiado abre lentamente a porta. Vê um vulto a sair do laboratório.