fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

sábado, Novembro 22, 2014

Novo poema de Imelda...

( Sin nombre)


Cada beso que oculto

Celosamente por las noches,

Espera que des la pauta

 para rozar tus labios y hacer con ellos

 un infinito derroche.

Cuando estamos juntos

 la ansiedad  invade mi cuerpo,

 pide mi ser que te bese

 en ese preciso momento.

Pero… espero, espero pacientemente,

 que la luna indique el momento

 de besar tu cuerpo y tu mente


Por: Imelda Lizbeth Chávez Flores

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quarta-feira, Novembro 19, 2014


Uma viagem à volta do  Oriente  no  percurso fantástico queirosiano entre o Mefistófeles lusitano nas  viagens entre o Egipto e a  China 


Edward Said afirmou que o Oriente era uma  invenção do Ocidente . Foi desta forma  que optamos também estudar como é que os  escritores olharam para o Império nos seus romances de ficção . Esse foi um dos aspectos que nos levou a seguir a  viagem para Oriente lavada a cabo por dois  escritores portugueses : Camilo Pessanha e  Eça de Queirós . Ao mesmo tempo fomos reencontro personagens ou caminhos deixados nos seus escritose na essência do espírito  da época . Por ser um tempo pouco explorado como tema de investigação partimos desde logo  para os romances de cariz orinetal como é o caso do Eça e seguinte outros parâmetros para o segundo caso . Quais são as  fontes para o estudo “? Romances , jornais , crónicas ou pura e simplesmente desvaneios de vaidade dos dois autores ? Ou uma simples moda de época e de espírito ?

Segundo a entrada  Mandarim no Dicionário Eça de Queirós  reponde muito bem à noss questão “ O Mandarim , novela  de carácter fantástico que eça escreveu durante umas férias em Angers para o Diário de Portugal como compromisso que não pôde cumprir , o da entrega dos Maias  que se comprometera a publicar nesse mesmo periódico . Veio assim o Mndarimcompensar a faltado prometido (…)[1]” Ao que parece esta obra surege não só pela via da scircunstâncias deum contracto , mas também uma espeçie de 

A esse caso decidimos explorar Dicionários de Literatura , Dicionários do Eça[2] , para o caso da Relíquia seguimos as análises de Luís Manuel Araújo[3] . Autor incontornável para quem decida   estudar  a viagem de Eça pelo Egipto.O que não faltam são estudos sobre esta viagem e sobre o orientalismo de Eça no Egipto , quer em Portugal , quer no Brasil já encontrem estudos dentro desta temática orientalizante . Ao mesmo tempo que não existem estudos sobre o Mandarim do Eça .O nosso  interesse por estas duas obras demarcam não só pelo tom satírico,  mas ao mesmo tempo uma crítica acentuada contra a Igreja e ao memso tempo um abandono a tudo aquilo  que Eça  fizera durante muito tempo descrever a realidadeportuguesa Tal como Maria Filomena Mónica anuncia explica desde já a nossa convicção em seguir esta demanda pelo mafarrico queiroziano “À menor oportunidade o artista desartava da realidade : <  aparecem fantasmas e em que podemos encontrarao canto da página o Diabo, esse terror delicioso da nossa infância católica .>>Eça vinga-se das horas passadas  com o conselheiro Acácio(…)[4]

  Embora Eça o demonstre na história de Teodorico Raposo ( Relíquia ) , na seguinte,  já demonstra uma  clara mudança de estilo,  ou mesmo,  o percursor de um outro género literário ou mesmo até antecipar o estilo  a que os escritores latino – americanos,  narram uma realidade para lá do tempo inexistente ou quem sabe até surreal , independente desse movimento claro que rompe  com todas as convenções Eça inscreve-se como o Tomas Mann português criando um Fausto lusitano [5]. Aos amantes do Oriente e oriundos de outros ambientes decidimos seguir talvez um Demónio Queiroziano. Sendo ele  um viajante invulgar, impulsionador de desejos , ordens e cobrador de almas . O Diabo é desta forma nosso mais ilustre guia que nos fez seguir pelos  quatro cantos do mundo para procurar a famosa campainha e o famoso Mandarim . Alguns autores afirmam que Eça não terá visitado Macau , apenas leu algumas obras  e que a partir delas descreveu lugares e situações . Será então “O Mandarim “um romance de viagens ou uma comédia ?

Antes de iniciarmos esta viagem  queríamos agradecer a um grupo de pessoas  que durante o período  da nossa investigação nos apoiou , não só em leituras e conversas   que tiveram um efeito produtivo para a sua viagem : à Helena Correia , leitura ávida , crítica e amiga , ao Nuno Lopes  sempre diponível e que pode de uma certa forma ouvir com enorme paciência as minhas angústias e conseguir este manuscrito,a querida  Adriana Lisboa que durante estes três últimos  anos temos conversado sobre atemática do oriente e da literatura de viagens , cuja amizade nasceu a partir  do seu livro Rakushisha  e que mais uma vez se mostrou pretável  nos indicou o livro Poética da Geografia, , deu-nos pistas para os alicerces da história da vaigem como um escritor sabe tão bem definir, à  nossa amiga Neusa que estando de longe nos dava força para continuar continuarmos e como os últimos são sempre os primeiros não nos poderíamos  esquecer do nosso  professor Paulo Jorge Fernandes que logo no início do primeiro semestre nos fez seguir uma viagem ao Oriente .


Partida


O nosso interesse pela literatua e a sua temática pelo império levou-nos a traçar  o percurso da literatura da viagens feitas pelos escritores por escritores portugueses que fossem em viagens ou que pelo menos ali estivessem num determinado posto diplomático . A nossa atenção centrou-se logo por dois autores portugueses . Eça de Queirós e Camilo Pessanha . Como é que se poscionam ou olham para esses luagres exóticos ? Ou na melhor das hipóteses poderiam ter estado mesmo nesses locais que referem nas suas obras de ficção , escritas na época para os jornais como forma de fazer vender e atirá-los para a fama . Mas não era o caso dos nossos biografados , pelo menos de Eça . O mais curioso é que um autor detentor d eum ponto de vista muito próprio arguto , se não sarcástico acabou por sair da linha realista  como nos habitou em romances como os Maias , o Primo Basílio e até mesmo o Crime do Padre Amaro.Os  investigadores também se centraram nesse aspecto e apontaram pelo menos Eça leitor hávido de autores clássicos, católicos e ao mesmo tempo moralistas . Mas o que é que faz um autor como Eça mudar o seu estilo de escrita ? Porque entra ele dentro do estilo do fantástico ? Será uma mudança de pensamento ? Ou seria fruto das circunstâncias ? Ou já haveriam géneros  que iriam cair no gosto dos seus leitores ? Vejamos que as duas obras  que iremos analisar em breve , traçam estilos moralizantes , sátiras ,mas ao mesmo tempo que saiem fora do género  a que Eça nos habitou .Como é que pode ser visto o diabo que pactua com Teodoro de Eça no Mandarim ?  Qual será a virtude de Teodorico Raposo ? Serão Teodoro e Teodorico Raposo uma transposição da personagem como uma forma de dar continuidade ao ciclo sátira ?

Imbuídos com a égide do pós colonialismo de estudos  do Orientalismo de Edward Said [6], ou mesmo até uma  GeografiaPoética da Viagem que nos alertam para  a procura de um género nascido pelos antigos pastores bíblicos expulsos do paraíso[7] . Mas viajar é muito mais do  que isso , viajar é penetrar dentro de outro universo  que faz com que os seus leitores penetrem num universo mágico . Será então Eça de Queirós o percursor de  Realismo Mágico ? Onde seres sobrenaturais entram na vida de uma pessoa  e convivem  com ela ,   e que as suas próprias viagens sejam elas estados de alma ou penetrem dentro da nossa essência, noutros séculos . Seria esse o propósito de Eça ou quereria ele parodiar um determinado tema usando o género de literatuar deviagens ? Já outros autores comparam o ínicio da Relíquia como a introdução da obra de Garret ?

Para iniciarmos esta nossa viagem ou história deveremos estar preprarados para viajar . Afinal o que é viajar ? Será então esse o tema de viagem que Eça quer dar aos seus leitores ?

Para  confirmarmos esta teoria socorremos na opinião queirosiana   Elena Losada  Soler : “A antiga imagem do “homem viator “ que maior viagem que a própria vida ! Sobrepõem-no no Romantismo outras características . Entre elas , a e que a viagem deve ser solitária para ser mais amplamente iniciática . De facto , quando viajam,os , mesmo acompanhados estamos sós , porque as emoções e a simpressões suscitadas pela viagem são individuais e apenas minimamente transmítiveis [8]. Viajar é aprender e o viajante volta diferente a si próprio,como afirma Eduardo Subirts :“La experiencia  del viagecoincide de la pérdida de la identidad . (…) [9]


O viajante moderno – não o turista , que é outra espécie , é o errático navegador (porque a viagen romântica é por mar ) em busca de uma Ítaca inexistente . No fim do século XIX  essa viagem romântica ressurge nos  simbolistas e decadentistas quase com a mesma filosofia , mas com o itenerário levemente alterado .

 Que “bagagem literária” para um Oriente Queirosiano ?


Que bagagem literária levava  Eça para a sua  grande viagem ? Fontes , é claro francesas . Entre outras possíveis a Constantinople de Théphile Gautier (1855) e talvez  também o roman Le roman de la momie ; o Voyage en Orient de Gérard de Nerval (1851, a viagem foi feita em 1843 )  e  Le Nil , Égypte et Nubie de Maxime du camp (1854) crónica de viagem que fez com Gustav Flaubert entre 1849-1851 .


Como afirma Michel Orfay em Teoria da Viagem toda a viagem inicia-se geralmente numa biblioteca[10] ,  numa agência de viagens ou pura e simplesmente em revistas de viagens . Mas em pleno século XIX  que meios teriam se não os autores que quisessem escrever ou visitar um país distante, exótico e  conhecido , não fora por acaso que este seu livro”O Mandarim “ apresentado ainda em vida sem o seu conhecimento , Oliveira

Martins envia uma cópia do Mandarim para uma revista francesa  onde costumava celebrar , a Revue Universelle Internacionalle , de Paris . Na nota apresentada  no livro de Maria Filomena Mónica esta  tradução francesa não foi famosa , pois foi redigida uma tradução tão má , que na maior parte dos casos os franceses e estrangeiros preferiam pagar do seu próprio bolso as traduções a preços astronómicos.  [11]


Animação turística  satânica ?

Como temos  visto não foi fácil de qualquer forma seguir a famosa campainha e a sua posição estratégica . Como impulsionar a sua vontade a um homem que apenas desejaria ficar com o dinheiro daquele  que morrera ? Não , Teodoro não queria apenas isso ele queria ir aoutros locais , estar diante de um  estilo de vida que nunca tivera . Portanto qual será então a melhor forma de começar por desejar a morte de alguém s enão por um folheto ? E é aqui que começa a nossa viagem …. A partir da Feira da Ladra , apartir do desejo de uma outra  transformação pessoal.

Estando o lisboeta  Teodoro a ler uma obra  que comprara na feira da Ladra , toma conhecimento de que , no fundo da China , existia um mandarim «mais rico que todos os reis de que a fábula ou a História contam », cuja fortuna poderia ser sua , caso ele tocasse uma camapinha aparecia , enquanto uma «voz insinuante e metálica », a do Diabo, convidando a usá-la .Teodoro gostava de se rico, ma s, também apreciava a rotina da vida pequeno-burguesa , a escolha não era simples : «a vida humilde tem doçuras : é grato , numa manhã de sol alegre, com o guradnapo ao pescoço , diante do bife da grelha , desdobrar o Diário de Notícias; pelas tardes de Verão , nos bancos gratuitos do passeio, gozam-se a ssuavidades do ídilio ; é saboroso , à noite no Martinho , sorvendo aos golos um café, ouvir os verbosos injuriar a pátria (…)»Mas a expectativa do pecúlio acabou por o vencer. Todos os hóspedes ouviram o tinido da campainha . Nas estepes chinesas , Ti-Chin-Fu morria .

E vos quereis também ouvir o tinir da campainha para nos seguirdes ? Poderia nos questionar o próprio Diabo Queiroziano . Impulsionador de desejos , cobrador de almas , este Diabo é quase tão mordaz e irónico .Satanás é desta forma o nosso guia que nos levará à ascenção e queda de Teodoro , quase numa posição de remissão e culpa  vista na literatura cristã . Será este o propósito ? Ou será para criticar os costumes daquele mandarim que sucumbiu ao dar um suspiro a milhares de quilómetros de Lisboa ?


[1] Cf A. Campos matos “O Mandarim “in Dicionário  Eça de Queirós  . A . Campos Matos , ed. Caminho , 1998 ,

2 Cf Dicionário de Eça de Queirós , ed . Caminho ,1998 , Lisboa , A . Campos Matos (coord de)  sobretudo as entradas Mandarim , a Relíquia e polémicas sobre a questão do império.

3 Cf Luís Manuel Araújo , Eça de Queirós e o Egipto faraónico , ed. Comunicação , 1987

4Cf Maria Filomena Mónica , Eça de Queirós , Quetzal editores , 1 A ed., 2001, p.175

5 Cf Eduard said , Orientalismo , ed. Cotovia 

6Cf Michel Ofray , Teoria da  viagem , ed . Quetzal , 2009 ,, p.26

7Cf Elena Losada Soler “Touristes e viajantes : Teodorico Raposo e Fradique Mendes no Oriente “in VII Cursos Internacionais de Cascais – Serões Queirosianos , p.107

8Cf Rduardo Subirats : Figuras  d ela consciencia desdichada , Madrid , 1979 , p.77

9Cf  Michel Ofray , op.cit , p.26

10 Cf Maria Filomena Mónica , op.cit , p174



 
[6] Cf Eduard said , Orientalismo , ed. Cotovia 
[7] Cf Michel Ofray , Teoria da  viagem , ed . Quetzal , 2009 ,, p.26

terça-feira, Novembro 11, 2014

Manifiestos contra el miedo: antología de una intervención cívica (lecturas)

A tradução da obra "Manifestos contra o medo: antologia de uma intervenção cívica", foi publicada no mês de Outubro, nos 14.º aniversário da Casa Comum das Tertúlias.




"Manifiestos contra el miedo: antología de una intervención cívica (lecturas)", de Luís Norberto Lourenço, com prefácio de Joaquim Manuel Fernandes Brigas, tradução do português de María Egipcíaca Pizarro Sabido. 
Inclui ainda textos sobre a obra, de: Alfredo Pérez Alencart, António Borges Regedor, Beatriz Mayor Serrano, Carlos Casaquinha, Isabel Victor, José António Córdon-Garcia, Juan M. Valadés Sierra, Luís Raposo, Miguel Ángel Díaz Delgado, Teresa Sá Couto.
O livro uma co-edição da Casa Comum das Tertúlias (Portugal) e Editorial Edhalca (México). ISBN: 978-989-96187-8-7. 

Depois de a obra ter sido apresentada na abertura  da "V Feria del Libro Usado y Antiguo de Guadalajara", no dia 7 de Novembro, pelas 16h, por Miguel Ángel Díaz Delgado...

Chegou a vez da segunda apresentação, agora na Escuela Normal Superior de Jalisco(ENSJ)...

Dia 26 de Novembro, pelas 18h, numa quarta-feira, terá lugar a apresentação de "Manifiestos contra el miedo: antología de una intervención cívica (lecturas)", a cargo de Beatriz Mayor Serrano (Licenciada em "Intervención Educativa" pela Universidad Pedagógica Nacional; Professora de Primária na "Escuela para Atletas" no CODE Jalisco) e de Miguel Ángel Díaz Delgado (Doutorado em "Investigación Educativa Aplicada del ISIDM: Professor do mestrado em "Gestión Directiva de Organizaciones Educativas" de ITESO), decorrendo o evento na Biblioteca da ENSJ (Guadalajara, México), no âmbito das actividades do "Café Literario da ENSJ", o qual acontece cada quarta-feira nesta escola normalista tapatía.

Luís Norberto Lourenço, com Beatriz Mayor Serano e Miguel Ángel Díaz Delgado (à esquerda na foto)...

Durante a "V Feria del Libro Usado y Antiguo de Guadalajara", que decorre de 7 a 16 de Novembro de 2014, o livro está disponível para venda no "stand" da Librería Ítaca.

Estará também disponível para venda na XXVIII Feria Internacional del Libro de Guadalajara 2014, a qual decorre de 29 de Novembro a 7 de Dezembro.

Na última semana de Novembro estará nas livrarias de Guadalajara (México).
Em Dezembro chegará às livrarias de Portugal e de Espanha.
Em breve estará disponível em bibliotecas de: Portugal, Brasil, Espanha, México e outros países.

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sábado, Novembro 08, 2014

Manifiestos contra el Miedo: Revisitación de una antología cívica


Manifiestos contra el Miedo: Revisitación de una antología cívica.*
Presentación en la Feria del Libro Usado y Antiguo de Guadalajara, Noviembre 5 de 2014

Na fotografia: Luís Norberto Lourenço (autor), Miguel Ángel Díaz Delgado (apresentador), Edgar (moderador).
Fotografia de Beatriz Mayor Serrano.

El contexto de por sí complejo y contradictorio en el que vive la sociedad mexicana, parece hacernos encontrar ante una etapa apabullante, lastimosa y/o llena de cinismo y envalentonamiento mediado por virtualidad.

En ocasiones, esta confusa realidad en la que se encuentra nuestro país, se pueden distinguir apenas claroscuros donde el orgullo por ser lo que fuimos y la esperanza por ser lo que siempre quisimos, entume la autocrítica social y llena de colores rosa lo que más bien es profundamente negro en el presente, tan negro como las decenas de fosas en las que aún no se han encontrado a los Normalistas de Ayotzinapa Guerrero; circunstancia que viene a colación en una presentación literaria, primero porque tiene que ser así: que todo “evento” en donde el público se dé cita, tiene que repudiarse aquellos hechos que nos mueven y que nos consternan haciendo notar también la indiferencia, el cinismo y la pretensión de aquellos que no lo hacen.

Hoy todo acontecimiento público, llámese concierto, misa, reunión familiar o charla dentro del transporte público, debe estar invadido de vergüenza e indignación por lo acontecido en el Estado de Guerrero; donde, para hacer un brevísimo recuento de hechos: Un Estado desapareció a estudiantes (y a algunos los torturó y asesinó) entregándolos al crimen organizado en el afán de evitar que interrumpieran una fiesta privada vestida de informe de gobierno.

Un gobierno más preocupado por su imagen que en gobernar, ¿Merece continuar? ¿Un Gobierno que es  oposición a sí mismo merece gobernar? Un gobierno que quiere censurar a sus ciudadanos, ¿merece gobernar?
(Manifiesto contra el miedo)

Nótese que, cuando digo Estado, diferenciándolo de la palabra crimen organizado aún doy la concesión de que no son uno mismo o, de otra manera aún puedo estar pensando que el Estado, se diferencia del crimen organizado porque éste segundo sí está como tal: organizado.

Hablar de Ayotzinapa, que sólo es una seccionada epidermis del estado de las cosas en el Estado (con E mayúscula) mexicano es sólo habla, es cierto, así como  escribir un libro con pensamiento libertario y emancipador es sólo escribir. Sin embargo, el esparcimiento de las ideas a través del habla y de lo escrito, discutir sobre lo que se escribe y lo que se habla en un sentido de búsqueda es el inicio del progresismo, es parte de una búsqueda de la emancipación.

Por ello felicito y agradezco a quienes aquí se encuentran para la presentación del libro “Manifiestos contra el miedo: Antología de una intervención cívica” obra compilatoria de textos tertulianos del literato Portugués Luís Norberto Lourenço.

En ésta presentación propongo el desarrollo de un texto breve, en donde se irán imbricando fragmentos de la lectura de la obra que ilustrarán lo que se vendrá diciendo. Su desarrollo responde a las preguntas:

1)    ¿Qué es ante nosotros “Manifiestos contra el miedo: Antología de una intervención cívica”?
2)    ¿Quiénes somos nosotros ante la obra?
3)    ¿Quién es el autor ante su propia obra?
4)    ¿Qué hace éste libro en la quinta edición de la Feria del Libro Usado y Antiguo de Guadalajara?

Las respuestas no se darán a manera de cuestionario, sino en forma de propuesta, escaparemos del punto de la inflexión al de la posibilidad: la de mirar una obra que se presenta y sobre todo se representa ante nosotros, la de suponer las razones del pensamiento de su autor, la de mirarnos a nosotros mismos ante ella y la de suponer el por qué ésta obra está siendo ofrecida a los lectores en una feria del libro como esta y no como otras.

Pregunta uno y sus posibles respuestas: ¿Qué podría ser el libro “Manifiestos contra el miedo: Antología de una intervención cívica” ante nosotros?

Defiendo el combate contra el miedo.
Sólo se puede luchar, hablar, escribir, criticar, indignarse ante la tomadura de pelo, si es necesario subvertir y publicar clandestinamente. (Manifiesto contra el miedo)

Mi discurso lo inicié trayendo a colación la muerte de unos y la desaparición de otros estudiantes normalistas del Estado de Guerrero, y planteaba que ésta es apenas una disección de una no intencional o intencional, ¿quién sabe? guerra en donde el crimen organizado y el Estado se mezclan de manera confusa y sospechosa dejando secuelas profundas en la sociedad civil, que a poco parece salir de su letargo, de su miedo y de su estupidez auto inducida.

Pues manifiestos contra el miedo, de la misma manera, representa una obra que invita a la palabra y a la acción. Estamos ante un libro creativo que retrata en artículos la opinión de un autor involucrado en la búsqueda civilizadora de manera permanente. Un libro que compila, en forma de antología los bordes y las vías de la cotidianidad, desde una perspectiva analítica y de decidida conciencia social democrática.

Quieren un pueblo ignorante, inculto, acrítico, manipulable, apolítico (abstencionista)  y apartidario.
(Las élites y el final de la Educación Pública).

Luís, a través de éste libro nos comparte su transcurrir en la vida y paisajes de Castelo Branco, su lugar de origen, posicionándose firmemente en propuestas profundas sobre cómo concebir la libertad, la historia, la cultura, la política, la justicia y su contraparte, lo que educa, cuestiones que exhiben en su conjunto un posicionamiento informado y crítico, de los cuáles subyace la posición de que “el miedo limita el pensamiento y la acción”.

 Manifiestos contra el miedo es un libro que sin tapujos se posiciona como partidario del pensamiento político de izquierda,  progresista y democrático, de bases críticas que cuestionan al entorno posmoderno, el cual descaradamente invita a la desideologización, la inmediatez, los prejuicios y la cerrazón.

No estamos ante una obra de erudición que analice el pensamiento político contemporáneo, sino, ante una guía práctica de civilidad, que se aventura a plasmar la práctica de su autor a través de textos, que en su conjunto se revelan como puntos de partida y no como absolutismos. El autor retrata su práctica llena de constructos del diálogo y la mediación instrumental entre la razón y la práctica de la ciudadanía.

La  diversidad de temas que se exponen en Manifiestos contra el miedo es tal, que tocan a la  ciencia política en tanto a sus esfuerzos cívicos y democratizadores; a lo educativo, por la didáctica que pone en juego y los posicionamientos hacia otras generaciones; a lo sociológico en tanto a su análisis de situaciones sociales dadas.

Cada historia está compuesta de muchas historias que se entrecruzan
(Cronica cultural: teatro)

¿Quién es Luis Norberto Lourenço ante su obra?

Soy un ciudadano del mundo (no es que él ha tomado el mundo), un europeo (porque nací en Europa), portugués (sería otra cosa si no hubiera nacido en Portugal) y de Castelo Branco (¿Regionalización? Sí, ¿Región centro? No).

Luís Norberto, de quien algo han de saber, es un escritor radicado en el último año en la ciudad de Guadalajara, México, metrópoli de la cual y en la cual se enamoró, y en donde se ha enseñado a sí mismo a ser un admirador de su cultura, su gastronomía y sus obras de repavimentación continuas. Nacido en el año de 1973, en Castelo Branco, Portugal se licenció en Historia e hizo un Posgrado en Educación.

Luis Norberto, ha sido calificado por Alfredo Pérez Alencart, columnista de Salamanca como un “Escritor de verdades dolorosas” (Lourenço L. 2012, p: 15), su obra, lo retrata ampliamente como un activista social que a la vez con su palabra y su razón educa y se educa a sí mismo a través de la reflexión que sólo la escritura puede brindar.

Me considero, por un lado, un ciudadano politizado (que no debe confundirse con instrumentalizado) el ciudadano que sabe lo que pasa a su alrededor, y que es y observador oye opiniones distintas, divergentes, atento a las noticias, que tiene un espíritu crítico en relación con que oye, ve y lee. Y que marca su posición (Ciudadano politizado Ser o no ser).

A través del libro logré imaginar a Luís sentado frente a sí mismo tratando de hacer un examen de conciencia sobre los efectos de su acción, canalizando el mal sabor que muchas veces la búsqueda de una sociedad mejor deja en quienes en ella se incluyen.

Si el libro Manifiestos contra el miedo hablara en primera persona y no en tercera, estaríamos frente a una autobiografía, donde Luís se muestra como un apasionado militante, que abre a la opinión de quien lo lee sus filias y sus fobias, además de su acercamiento nostálgico a los héroes de su nación, sus lugares favoritos en Castelo Branco y deja en visto la posibilidad de que otros actores públicos se comprometan éticamente con la función pública. 

Manifiestos también describe a Luis en su personalidad, quizás ustedes no lo conozcan aún, pero de acercarse a él notarán su apertura al diálogo, su paciencia, su respeto por las ideas y su escucha activa; de esa misma forma, el libro se orienta, como ya lo he dicho por la tesis social liberadora, pero tampoco pavimenta el camino a la respuesta única, sino por el contrario, expone los relieves y la sinuosidad del albedrío.

Como socialista de izquierda, comprendo y defiendo que los socialistas y comunistas, y por qué no, los ecologistas y los bloquistas, se entiendan haciendo hincapié en primer lugar el diálogo entre ellos (Adiós Luís Sá).

¿Quiénes pudiéramos ser nosotros los lectores ante la obra?

Los lectores tienen frente a sí el reto de leer entre líneas una tendencia definida y orientada por la reflexión, que desafía la inteligencia y propone un posicionamiento ilustrado, pero que en contra parte convida a debatir y hacerse de una opinión que puede o no, estar de acuerdo con quien escribe. Temas en torno al aborto, el suicidio, la xenofobia, el racismo y la revolución, pueden ser detonantes para ese ejercicio.

Norberto, a través de su obra nos desafía a no esperar certezas, escapar a la grandilocuencia y las fórmulas simples, las recetas y los consejos del “experto”, para aventurarse en la expedición de los desafíos a la razón y la conciencia.  Desmarcándose de posturas absolutistas como el Nazismo, facismo, neonazismo, antiabortismo o movimientos pro-vida, el extremismo católico, la ultraderecha, el periodismo tendencioso  y el terrorismo.

Si volvemos al contexto, en que nosotros los lectores estamos inmersos, podrìa citarse a José Antonio Cordón-García, profesor universitario español que presentó a este libro en Salamanca, “los miedos tienen un dimensión histórica, cultural” (Lourenço L., 2012, p. 14). Estar de acuerdo con este entendido implica que, lo que en México sucede no es obra de la casualidad: la apatía, la tolerancia ante la ilegalidad y la impunidad, la tranza y la corrupción, además de la falta de solidaridad hacia con los otros, nos colocan en una situación embarazosa y difícil de ser platicada y entendida; sin embargo, este mismo efecto histórico cultural si bien nos determina y nos condiciona, no nos ata de por vida, es aún posible romper con ello.

La circunstancia que vivimos en México, que es por lo menos trágica se exhibe también, si queremos como una etapa, la cual, como otras hemos podido superar con la acción de la ciudadanía es decidida, firme y sostenida.

La historia no se repite, pero hay que ser conscientes de ello para que no se asuman nuevas formas de opresión. No podemos olvidar el pasado para no repetir lo que ya se ha demostrado
(La noche de Cristal).

El camino de una ciudadanía por ir por lo que le pertenece no puede ser recorrido por otros, nadie puede hacer por nosotros lo que nos toca. La enseñanza de manifiestos contra el miedo contradice la teoría de la parálisis ingenua de que: alguien llegará a librarnos, alguien estará ahí para hacerlo por nosotros. Si el miedo paraliza, la esperanza mueve.

El tiempo para los ciudadanos comunes, cuando menos en nuestro país transcurre en volver a enojarnos por lo injusto, volver a extrañarnos por lo no deseado, pero también volver a sonreír esperanzados, o, como Julio Cortázar planteó: “Tenemos que obligar a la realidad a que responda a nuestros sueños, hay que seguir soñando hasta abolir la falsa frontera entre lo ilusorio y lo tangible, hasta realizarnos y descubrirnos que el paraíso estaba ahí, a la vuelta de todas las esquinas”.  

"Prepárate para las reacciones. Vas a sufrir muchas presiones". Miedo atrofia del pensamiento y la acción. No temo a los límites, si no matar la creatividad, la crítica. Hoy en día tenemos miedo de todo y de todos. Pocos son los que van a las grandes longitudes a escribir las palabras por temor a que exigirá una rendición de cuentas”
(Manifiesto contra el miedo).

En lo que a mí concierne, agradezco a la lectura del libro que, habiendo sido un estudiante de doctorado, quien se encontraba muchas veces alienado por corresponder a las tarimas de la academia tradicional, amante de las formas y de la elocuencia; me permitió  darme cuenta de que es necesario mirar a la noción de uno mismo y de sus ideales, a través de la defensa de la convicción personal.

Última cuestión: ¿Qué hace éste libro en la quinta edición de la Feria del Libro Usado y Antiguo de Guadalajara?

La intervención, la crítica constructiva, la no conformidad, son la sal de la democracia. Tal vez sólo tengo miedo porque soy inocente o ingenuo, o tal vez loco o suicida (Manifiesto contra el miedo).

La respuesta a esta pregunta, iniciaría con el planteamiento de otra pregunta: ¿Qué es desde el autor una Intervención cívica?

Luis Norberto busca de manera amplia responder a esta pregunta, una intervención cívica implica la participación consciente y decidida de una ciudadanía que persevera. Dicha participación puede expresarse desde los curules, desde los Ayuntamientos, desde los curules, desde las calles o bien, desde las tertulias en los cafés y sobre todo desde las líneas de la escritura, la publicación y la búsqueda de hacer públicos los espacios públicos. Esta feria del libro nuevo y usado, es una alternativa emanada de la participación de la ciudadanía participante de nuestra ciudad, una respuesta a la hegemónica posición de las grandes distribuidoras que hacen del libro un objeto de lujo, elitista y caro.

Antología de una intervención cívica es un libro que pudiera estar en ésta y en cualquier otra exposición de obras literarias del país y del mundo. Sin embargo hoy se presenta ante nosotros aquí, porque esta es una muestra de libros más abierta que otras, más plural, más democrática.
Hay cuestiones relacionadas con la cuestión de la promoción del libro, donde la autoridad local debe ser un socio, sino un líder.
(Funcionamiento de la Biblioteca Municipal de Castelo Branco y una política de promoción del libro)

Dar la posibilidad de la compra o el intercambio de un libro nuevo o usado, nos da también la opción de pensar en que podré leer lo que entre líneas el otro leyó antes, lo que pensó, seguir los párrafos resaltados de su marcatextos, leer el olor de su biblioteca.

¿Porque no ir a una biblioteca e la noche y participar en una tertulia, debatir los temas locales, regionales, nacionales o internacionales mientras se bebe un café en un bar de una biblioteca, mientras se escucha música, tocada o no en  vivo en vez de ir a un café o ir a bucear en el humo de cualquier bar o enajenarse en cualquier discoteca?
(La investigación y sus problemas)


Una recomendación estructural ¿Cómo recomendaría leer el libro?

Obviamente, cada quién puede leer el libro como le plazca, sin embargo por su naturaleza de collage de lecturas yo propondría que avancen un poco en las páginas y repasen primero el texto: Actualidad de A a Z: reflexiones; el cual se muestra a manera de glosario elaborado por el propio Luis,

GUERRA. ¿no puede moverse de la moda?
UTOPIA. Debido a que hay ideas que son siempre actuales.

Desde mi punto de vista, de aquí hay que avanzar hacia los textos fundamentales de la obra, lo que yo consideraría como lo básico:
-       No deje que los otros decidan por usted o el texto No hay votos inútiles (derecho y obligación al voto y una revisión de los candidatos en Castelo Branco)
-       Obviamente el texto central: Manifiesto contra el miedo.
-       Aborto: consideraciones genéricas o Aborto y divisiones de la mayoría (que expresa alternativas al tema: cuándo sí y en qué tiempo).
-        El texto ¡Basta! Y el texto cultura de la violencia (el papel de la policía como agente represor de la manifestación social).
-       El texto “hablemos de Igualdad (Textos sobre la equidad en la participación social, la lucha de géneros y de clases).
-       O por ejemplo, para el tema del neonazismo, que hace poco estaba de moda en los medios locales por los jóvenes panistas que se declararon como tal, recomendaría: Manifestación Nazi del 18 de Junio de 2005: opinión (revisión del creciente neonazismo que paradójicamente trasciende razas y se convierte en una posición supremacista basada en la posesión).
-       O el texto “Crónica cultural: teatro” o “Una Biblioteca ejemplar que nos introduce a la constitución cultural portuguesa.
-       O en caso de ser un promotor cultural independiente, propondría Cooperación tertuliana con Salamanca y Un oasis en el desierto (cooperación para el diálogo de manera autónoma).

Ahora sí, último punto: 

a)    Este respeto, parece ser posible sólo a través de la alfabetización. (La historia) Fuente primordial para entender el presente y el futuro en sus múltiples problemas. (La historia como respuesta)

b)    Cuando se encuentra cualquier imperfección en los admirados porque a veces se tiende a admirar como dioses y no como seres humanos (Adeus, Luis Sa) Otros: Adiós, Luis Sa (político comunista), Melo Antunes (Democratizador y descolonizador) Arístides de Sousa Mendes (diplomática humanista), Dr. Cesar Vila Franca, Paulo Portas (miembro de partido político popular).     


*Por: Miguel Angel Díaz Delgado
Licenciado en Educación por la Escuela Normal de Jalisco, pasante de en la Facultad
de Estudios Políticos y de Gobierno de la Universidad de Guadalajara; Maestro en
Ciencias de la Educación con especialidad en Planeación Educativa en el Instituto
Superior de Investigación y Docencia para el Magisterio (ISIDM). En la Universidad
Autónoma de Madrid cursó el diplomado en Competencias Docentes para el Nuevo
milenio, especializándose en el área de directivos. Doctorado en Investigación
Educativa Aplicada del ISIDM. En la Secretaría de Educación Jalisco, fue Maestro
de Licenciatura en Educación. Profesor de la Maestría en Gestión Directiva de
Organizaciones Educativas de ITESO.

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