fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" do fanzine "Tertuliando", publicado pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines...

Domingo, Novembro 29, 2009

Exposição "Pedro e Inês, o Mosteiro e outras histórias", desenhos e pintura de Isabel Leite na Galeria Conventual em Alcobaça




Exposição "Pedro e Inês, o Mosteiro e outras histórias", desenhos e pintura de Isabel Leite na Galeria Conventual em Alcobaça, de 21 de Novembro a 6 de Dezembro de 2009.

Estivemos lá esta tarde, as fotografias...


Uma das obras...


Com a artista.

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Sábado, Novembro 28, 2009

Cuca

Estreia brevemente “Cuca “ da obra imortal de Monteiro Lobato .

A cabra safada da “jacaré-woman-wich”da floresta do Sítio. Como ela foi descoberta na ilha de Caras.
- Oi, meus queridos portugueses. Eu estarei em breve em Portugal na próxima novela das oito “Cuca”.
Chamada para Cuca:
- Oi ,quem está falando?
- Daqui é da novela produções, você é personagem venha actuar…
- Mas isso não é normal…
Fada vingativa pensa ao telefone:
- Você, agora não tem mais os seus poderes. O seu tratador quer levar-te para um circo , ou melhor para um jardim zoológico! Você será vista por um milhão de pessoas. Chamando-te de animal!
Cuca grita deseperada com aquela maldição:
- Não! Volte aqui! Me chame tudo isso de novo, se é fada do lar! E com F grande!
Mas essa bruxa só se mete em confusões, depois de descobrir que o tratador a quer transformar numa escort num site. Ela não admite e decide vingar-se e decide ser… historiadora!
- Eu vou ser historiadora! Vou para a Turquia ler documentos antigos.
- Isso , é muito longe , diz a sua agente. Você terá que fazer mil e uma coisas, já pensou? Ser hititóloga? tem aqui! Do papai… -diz ela lembrando-se do seu criador e das histórias que ele lhe contava.

-Para quê se eu falo com ele na terceira pessoa? Vou falar com Mãe Bombeira… Mãe Bombeira me acode! Vem me salvar!

A terra de mãe bombeira ficava num terreiro perto do Sítio do Picapau Amarelo onde Cuca ia desde criança aí ela fazia os seus trabalhos. Mamãe bombeira, não era mais de Santo, mas sim, bombeira porque trabalhava com incorporações de bombeiros. Em vez de um turbante, ela usa uma Cirene de bombeiros, ela recebe naquele momento o chamado de sua filha Cuca. Naquele instante luzes de Cirene começaram a actuar, pouco depois uma incorporação de bombeiros chega perto de mamãe. O grupo de bombeiros, pergunta:
- Algum problema , mamãe?
- Não, meus filhos. Só Cuca querendo atenção de novo!
Ela não sabe que eu tenho outra rede de celular?
Os painéis surgem e aparece no écran Cuca chorando copiosamente.
- Mamãe, eu quero ir para a Turquia, estudar os antigos hititas e vingar-me do meu tratador!
Mamãe bombeira está abismada com a audácia da bruxa pergunta-lhe:
- Porquê? Você não podia fazer seus feitiços encomendados pela Vodu Shop?
- Não, eu pedi a caderneta de bruxa. Agora quero começar outra coisa…
-Vai ser hititóloga…
Cuca não sabe o que significa tal palavra e questiona a mãe bombeira:
- Quê? Mamãe ,mas que negócio é esse?

- Então você não queria ir para esse negócio de terra! Então aprende, lê! É o queesses doutorados fazem, se formam e depois vêm dar as suas conferências. Vai minha filha, vai…
- Mas, mamãe…
A Mãe Bomebira fecha o celular e aimagem de Cuca desaparece. Nesse instante o Sol observa a anciã e decide avisar Cuca, enquanto esta se preparara para mudar de terra, local. O Sol cumprimenta-a:
- Oi, Cuca, beleza?
- Quem é você, seu encherido?
- Sou Deus Sol hitita , um seu criado. Estou aqui para a avisar que estão lhe prepararando uma conspiração. Você tem que se preparar. Você vai ter que se defender!
-Meu Deus Arinna, o que eu vou fazer agora?

Não perca brevemente a sua nova novela das oito “ Cuca “. Aqui da Novela Produções

Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Feira do Livro na Biblioteca da EB 2, 3 de Pataias (Alcobaça)


"Um livro é um amigo. Leva-o contigo!"

A 19 e 20 de Novembro de 2009, decorre uma Feira do Livro na Biblioteca da EB 2, 3 de Pataias (Alcobaça), das 10h às 17h.
A organização é da Biblioteca Escolar e do Departamento de Línguas - Grupo de Língua Portuguesa.

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Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Começaram as XXI Jornadas "Medicina na Beira Interior - da pré-história ao século XXI"

Começaram, pelas 18h de ontem, no Auditório da Biblioteca Municipal Dr. Jaime Lopes Dias de Castelo Branco, as XXI Jornadas de Estudo "Medicina na Beira Interior - da pré-história ao século XXI". Decorrem nos dias 6 e 7 de Novembro de 2009.
São 28 as comunicações anunciadas. Aqui publicamos o programa:


Destas, a comunicação inaugural, intitulada "Breve viagem pela Beira Baixa de Fernando Namora", coube ao Dr. Rui Jacinto. As restantes decorrem este sábado. De que aqui deixamos a memória fotográfica, com fotos da nossa autoria.
Durante estas jornadas, decorre no átrio da Biblioteca Municipal a exposição "Fernando Namora e a Beira Baixa: o Homem e a Paisagem", com texto, selecção e organização da Dra. Maria Adelaide Salvado.


Capa do folheto de divulgação da exposição.


Fotografia da exposição sobre o médico e escritor Fernando Namora.



Como é hábito, em cada Jornada de Estudo, é apresentado mais um número dos Cadernos de Cultura "Medicina na Beira Interior - da pré-história ao século XXI" , neste caso o n.º 23, o qual como sempre acontece, reúne as comunicações das jornadas anteriores. Como é sabido, o volume das comunicações obrigou à feitura de mais de um número por jornadas pelo que o número de cadernos seja superior às jornadas. Aqui se pode ver a capa deste número. Mais sobre este número aqui.



A mesa das jornadas de estudo, durante a abertura, com: o Dr. António Lourenço Marques (em pé, da Organização e Director dos Cadernos de Cultura), o Professor Doutor António Lopes Andrade, a Professora Doutora Isabel Neto (Pró-reitora da UBI), a Dra. Cristina Granada (Vereadora, em representação da Câmara Municipal de Castelo Branco), o Dr. Rui Jacinto, o Dr. António Salvado (da Organização).


Vista parcial da assistência...


Vista parcial da assistência...


Vista parcial da assistência...

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Quarta-feira, Novembro 04, 2009

UNA TRADICION MUY MEXICANA


UNA TRADICIÓN MUY MEXICANA: LA CELEBRACION DEL DIA DE MUERTOS
El 2 de noviembre no pasa desapercibido por ningún mexicano, celebran el día de muertos ya que es una de las tradiciones más importantes de México. De manera muy particular hace fiesta ante la muerte ¡que contradictorio! ¿cómo hacer una fiesta ante lo que debería ser un duelo? Precisamente eso es, una paradoja, el mexicano enfrenta la muerte burlándose de ella, haciendo una fiesta.
Esta festividad tiene diferentes expresiones, según el estado de la República, pero lo cierto es que en todo el país se percibe el ambiente, con diferentes ritos o celebraciones.
Una de ellas es que este día una gran cantidad de personas acude al panteón a visitar a sus familiares difuntos para rezar oraciones o llevarles alguna ofrenda, flores, música, etc.
Se acostumbra levantar altares de muertos en honor a algún fallecido para ofrecer lo que a éste le gustaba, alimentos, objetos de su pertenencia, calaveras de azúcar, así como otros símbolos que le permitan orientar su espíritu hasta la ofrenda como son los cirios, velas, una cruz, flores de cempasúchil, etc. Porque se cree que vendrán a disfrutar de todo aquello que se preparó para él.
Otra manifestación algo satírica son las calaveritas literarias, que son composiciones en forma de versos rimados, dedicados a algún amigo, familiar, maestro, político, resaltando alguna característica y asociandola con la muerte en forma de burla o broma. Son muy comunes los concursos de éstas en centros educativos, administrativos y demás agrupaciones.
Estas son unas de las manifestaciones más significativas del día de muertos que año con año y desde las culturas prehispánicas se celebran, claro, con algunas adaptaciones del catolisismo, pero que preservan su esencia, la muerte no tiene la última palabra y los seres queridos que han muerto mantienen un lugar vivo en la memoria.

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Segunda-feira, Outubro 26, 2009

Poema de António Salvado

Beber nos olhos o reflexo leve 
leve que seja da palavra quente 
que uns lábios escreveram sobre o peito

Pôr na tristeza     quando os gomos secam 
o sorriso que um dia brotará 
arbusto abandonado que floriu 

Fios de linho     recital sereno 
a dobadoira lentamente agindo 
envolvendo efusivos o calor

E encontrar na suspeita o desejado 
o desejo alargado     inesperado 
e o afago do bem cheio de cor.

António Salvado
In “Utere Felix” (Castelo Branco: Belgaia, 1990)

[Versão castelhana, por Luís Norberto Lourenço]


Beber en los ojos el reflejo leve 
leve que sea de la palabra caliente 
que unos labios escribieron sobre el pecho

Poner en la tristeza     cuando los brotes secan 
la sonrisa que un día brotará 
arbusto abandonado que floriu 

Hilos de lino     recital sereno 
la devanadera lentamente obrando 
envolviendo efusivos el calor

Y encontrar en la sospecha el deseado 
el deseo alargado     inesperado 
y el halago del bien lleno de color.

António Salvado
In “Utere Felix” (Castelo Branco: Belgaia, 1990)

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Terça-feira, Outubro 20, 2009

Dicionário Terminológico – voltar à vaca fria*

Agora que as águas estão mais calmas, no que concerne a questões de linguística, surge-nos de chofre o Novo Programa de Português (NPP). Poderíamos pensar que estaríamos descansados em relação à arqui-designada TLEBS (Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário), porém, para quem não sabe, o NPP traz à colação o Dicionário terminológico, nova designação para a tal terminologia linguística.
Se concluirmos (o que pode ser refutável) que o NPP em pouco acrescenta ou altera os Programas de Língua Portuguesa dos três ciclos, ficamos com a impressão – quiçá errada – de que o novo programa está ao serviço do Dicionário Terminológico (convém referir que a versão online, do Ministério da Educação, se encontra em http://www.dgidc.min-edu.pt/linguaportuguesa/Paginas/DT.aspx e que existe já uma edição em papel, não oficial e distinta da organização da versão do ME, editada pela Plátano Editora, de Isabel Casanova, intitulada Dicionário Terminológico, compreender a TLEBS). Se assim for, há razão para nos alertarmos e até preocuparmos. Seria, a ser verdade, uma forma pouco deontológica de impor uma verdade que, até ver, carece de consenso. Até agora não está provado que a nova gramática seja um benefício pedagógico para os alunos: a complexidade terminológica e a distinção quase subtil de conceitos gramaticais surgem como um impedimento a uma assimilação de conceitos que, na gramática tradicional, não se poriam. Nessa gramática, não só não se esmiuçavam certas noções, como havia uma margem, ao critério dos professores (ainda que com certa base científica), para a ressalva de incongruências possíveis ou zonas de ambiguidade. Com a nova terminologia, toda a linguagem metalinguística se torna complexa, surgindo novas zonas de ambiguidade mais delicadas ou que, ao que parece, implicam a sua dose de relativismo.
Saliente-se que foram vários os protestos contra a TLEBS, surgidos essencialmente em 2006. Desde Eduardo Prado Coelho a Saramago, passando por Maria Alzira Seixo ou Manuel Gusmão (que escreveu o excelente artigo “Uma triste Vocação para o Desastre”, sobre essa matéria – Expresso, 27 de Janeiro de 2007), várias foram as vozes críticas e discordantes. Passou-se a ideia de que havia, para além de critérios académicos, interesses económicos e particulares associados à implantação dessa nova terminologia.
Recordo aqui algumas palavras da cronista Helena Matos, do jornal Público: “O monstro chama-se TLEBS. Para memória futura convém defini-lo desde já como o maior contributo dado por Portugal para a iliteracia das gerações futuras (11 de Novembro de 2006)” e “Podemos discutir interminavelmente as vantagens e desvantagens da nova terminologia. Pessoalmente considero-a confusa, desadequada e prolixa. Pode objectar-se que a terminologia substituída pela TLEBS padecia dos mesmos defeitos. Em alguns casos sim, mas em grau muitíssimo menor (18 de Novembro de 2006)”. Num ponto – até porque a cronista não pode provar certas afirmações – Helena Matos está certíssima: a TLEBS (agora Dicionário Terminológico) é prolixa. Implica imensas noções para explicitar uma, tende a favorecer a minudência, é sumptuosa nas evidências. Mas isto são sinais dos tempos, num tempo em que os professores são triturados nas pilhas de papéis que também eles criaram, ou em que se concebem reuniões por matérias vácuas.
Desfolhando o Dicionário Terminológico de Isabel Casanova ao acaso, paro na página 50, onde encontro a entrada “Assassínio linguístico”. Diz a referência: “Diz-se da morte linguística causada por uma língua politicamente dominante”. Ora, não será mesmo disto que se fala, quando se fala de nova terminologia? De uma espécie de Novi-língua de Orwell? Estaremos assim tão perto daquele 1984?

António Jacinto Pascoal

Professor

*Texto enviado por António Jacinto Pascoal.


NOTA:

Este artigo foi publicado hoje, a 08/11/2009, no jornal diário português "Público".

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Os princípios da Neo-língua*

Os princípios da Neo-língua

A Neo-língua é a língua oficial da Lusitânia e foi concebida para satisfazer as necessidades ideológicas do Luseduc ou Ensino Oficial e Particular Português. No ano de 2009 ainda não há ninguém que use a Neo-língua como exclusivo meio de comunicação, quer oralmente quer por escrito. Os artigos de fundo do Mineduc, por vezes transcritos no Diarep, vêm redigidos em Neo-língua, mas isso constitui uma façanha inefável, só podendo ser levado a cabo por especialistas. Espera-se que a Neo-língua destrone o Português-padrão, por volta do ano 2070.

O propósito da Neo-língua pretende não apenas proporcionar um meio de expressão para a visão do mundo e os hábitos mentais específicos dos usuários do Luseduc, mas também tornar impossíveis todas as formas de pensamento. Pretende-se que, quando a Neo-língua for definitivamente adoptada e o Português-padrão cair em esquecimento, todo o pensamento herético – isto é, qualquer pensamento divergente dos princípios do Luseduc – se torne literalmente impensável, pelo menos na medida em que o pensamento depende da palavra.

O vocabulário da Neo-língua é construído de modo a exprimir com exactidão, e muitas vezes com grande subtileza, qualquer sentido que um funcionário sob dependência do Mineduc possa querer exprimir, excluindo, ao mesmo tempo, todos os outros sentidos, e também a possibilidade de chegar a eles por meios indirectos.

A Neo-língua baseia-se na língua portuguesa tal como hoje a conhecemos, embora as suas preposições se tornem obsoletas. Ao contrário, o vocabulário da Neo-língua enriquece-se de formas verbais quase exclusivamente usadas no modo infinitivo. As palavras da Neo-língua dividem-se em três categorias distintas, conhecidas como vocabulário A, vocabulário B e vocabulário C.

O vocabulário A, de todo imprescindível, é constituído quase exclusivamente por verbos no modo infinitivo. A maioria deles implica a promoção e apreensão de matérias e acções. Enumera-se, a título de exemplo, alguns: promover, sensibilizar, proporcionar, facultar, garantir, facilitar, permitir, motivar, desenvolver, incentivar. Ressalve-se, contudo, que o conceito de “permissão” se restringe àquilo que é facultado, não devendo ser tido em conta o carácter evasivo da palavra, restringindo-se assim a sua semanticidade.

O vocabulário B, fundamental, pode considerar-se de difícil apreensão, porém, a sua perfeita utilização facilitará ao respectivo falante a exactidão dos seus propósitos nas determinadas situações de comunicação. Note-se que a Neo-língua foi concebida não para aumentar, mas para restringir o campo do pensamento, propósito indirectamente servido pela redução ao mínimo da gama de palavras e pela distinção exacta entre palavras de semanticidade próxima. Reduzindo-se o leque de palavras, pôde aumentar-se um pouco o número de ocorrências de sinónimos-falsos (considera-se que se tratam de falsos sinónimos os vocábulos que, tendo um significado semelhante, se distinguem por nuances decisivas). Algumas dessas palavras são as seguintes: conteúdos (apenas concebidos a partir de orientações programáticas), temas, semas, objectos, programas, currículos, projectos, ideários, objectivos, metas, prioridades, fins, intuitos, finalidades, propósitos, intenções, desígnios, intentos, vontades (tome-se este último termo no sentido pragmático, devendo ser esvaziado do carácter autonómico que era usual no Português-padrão).

O vocabulário C, basilar, compõe-se integralmente de palavras-chave e siglas que dizem respeito às particularidades fundamentais da Pedac (acção pedagógica) e que, nalguns casos, podem surgir no vocabulário B: PEI, PE, PCT, EE, PIT, AP, EA, Projecto (palavra que deve ser usada sempre com maiúscula e que, em certos casos, pode ser substituída pela forma uniforme PROJ, sempre maiusculizada), recursos, actividade (também substituível por ACTV), planificação, avaliação (substituível pela forma SOM), competência (ou COMPT), estatística, prestação de serviço, relação contratual, descritores (ou DSCRT), evidência, desempenho, articulação, currículo (ou CURRI), recurso.

A palavra pensamento deixa de existir na Neo-língua, sendo substituída por um verbo (usado no modo infinitivo) que é exaurido de conotação autotélica e individual, devendo estabelecer uma prioridade colectiva. Assim, pensamento, palavra usada no velho Português-padrão, é substituída por planificação ou, somente, PLANIF. Nesse caso, o falante, querendo ainda vincar a sua identidade, poderá dizer – o que é socialmente aceitável – euPLANIF, ou preferencialmente MimPLANIF, que, no velho Português-padrão, se entende literalmente por “tive uma ideia”, “este é o meu raciocínio”, “cheguei a esta conclusão”.

O vocabulário da Neo-língua, no seu todo, destina-se a impor uma atitude mental desejável a quem o utiliza, reduzindo as possibilidades de refutação e livre-pensamento. Por atitude mental desejável entenda-se a incapacidade para ter ideias próprias, e, por outro lado, as competências para o preenchimento de guidelines.

António Jacinto Pascoal

(Professor)

*Texto enviado pelo nosso amigo e colaborador tertuliano António Jacinto Pascoal.

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