fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

quarta-feira, maio 29, 2013

SaNTa Muerte caps 30 , 31 e 32

Mesquita a Evitar ou na melhor das hipóteses a Mosquita a Evitar trabalhava num call-center desde que terminara a sua licenciatura em Antropologia Histórica na zona de Grandola, Comporta e O Carvalhal -" A verdadeira invasão dos marcianos, os mosquitos as realidades compositas, vampiros, zoombies, ou narradores de realismo mágico no Sul de Portugal ".

Mosquita a Evitar era descendente directa de uma mosquita antti-fascista que picara Salazar e o fizera cair... a consciência já não era muito, mas durante aquele ano e meio em que brincara ao governo de Portugal foi mais uma espécie de hospício ao dar um atestado de vida enquanto o abutre estava a definhar...
-Muita gente não tem protecção contra mosquitos... Meu Deus! Que ironia!-dizia Mosquita a Evitar, ela vendia um produto que iria matar a sua gente. Aquilo mais parecia retirado do filme a XXV Quinta Hora...
Ela só esperava que Santa Muerte não ouvisse e fosse anular aquele seu pensamento como forma de racismo ao Tribunal de Direitos Humanos, pois já lhe costuva usar o nome de Mesquita a Evitar... Era muito cristão, norueguês... enfim cada um vive com os seus traumas, dissera-lhe a sua supervisora Papeira Supeira .E se eu não conseguir vender nada? Se não conseguir atingir os objectivos... Valha-me a Santa Muerte...

Enquanto isso num dos campos de Nossa Senhora da Morte, Mrs Dolloway fazia o seu passeio matinal ouvindo os pássaros... quando sentiu qualquer coisa a descer-lhe pelos cabelos... atacando-a furiosamente... alguns dos agricultores ajoelharam-se.
- Oh, my gooness! Farmers, do someting! Help me! Hel pe! SOOOOOCORRRRROOOAAAAA! Stupids! I nedd Wellleeeellllp!!!!!
No entanto os aldeões não ligavam aos gritos da professora de Inglês que começava a definhar, o manto cor de vinho da paixão da Senhora da Morte cobria-a totalmente...

-Oh! Senhora! É o amuleto  é um milagre! É a barata zombie!

Capítulo 31

-Ficaram Anéis! Vem à Dona! Vem cá olha o que a barata Zombiee fez à Mistress! Não queremos estranhos aqui não é lindo... é um belo petisco não é?

O cão olhou-os e disse:
- Mas vocês bateram com a cabeça? Andam a ler Stephen King misturado com Agustina Bessa Luís? A versão terror do livro a Sibila? Por amor à Santa! Eu não aguento mais isto... tiraram -me do canil para eu trazer os aneis daquela inglesa...
"Foram-se os anéis e ficaram os dedos "era uma espécie de bandido a soldo daquela estranha família... O casal quer ali vivia tinha um altar para uma estranha santa de manto de purpura ( La Santa Muerte)... Nada que fosse possível imaginar... Mrs Donollay, especialista em Virginia Woolf, assim era a sua alcunha desde os tempos do Doutoramento, porque ninguém a conseguia aturar mais pelas intermináveis conversas sobre a obra, os poemas e a sua morte. Até que um dia depois de verem o filme" As Horas "a alcunha estava pronta a ser consumida. Foi cá um petisco... UI! UI! Uma maravilha dali a uma hora toda a gente a chamava por aquele nome. Agora, O cão de água, a raça do cão, não aguentava aquele género de cenas, aquele casal maluco que vibrava pelo aparecimento de qualquer insecto, algum cheiro fedorento, já era algo ligado à Senhora da Morte. Por isso o cão tomou uma decisão...
- Vou ao cinema hoje...
- Ah, pois um cão a ir ao cinema... tu nem se quer sabes ler, quanto mais!!!
- Poi, mas eu sei copta, hindi, acádico e estou a fazer um doutoramento em criminologia histórica...
- Não, tu não nos podes abandonar... vá lá nos damos-te o dinheiro... só se fores ver aquele filme que estava na exposição do Povo sobre Lisboa sobre o ponto de vista de um cão...
- Vocês são memso racistas - disse o cão. Não vos aturo mais , nem um minuto....
- Olha, que filme vais ver, perguntaram os donos...
- As Serviçais...
Antes que Aneis terminasse a frase, o casal gritou:
- Não permitiremso tal coisa, um cão anti-racista! O que vão pensar os nossos amigos... depois de fazermos estes rituais contra estas professoras de inglês...
- Lembro-me de terem morto a outra, a gorda a Agatha Cristie o que lhe fez? -perguntou o cão...
A árvore olhava-os fixamente até ficou estarrecida... Era aquele casal que a matara, não fora o chinês... Foram eles... Lembrava-se que ali só conseguia falar inglês... onde estaria Misey o seu grande amor...
Só não se lembrava da Alcunha que usava, seria... o quê? Só podia ser...
O cão olhou para a arvore. Sentiu qualquer coisa de estranho. Uma espécie de lágrima sobrenatural naquelas gotas de orvalho... Ah tanto tempo que não se lembrava que tinha sido um homem no Japão. Sim, ele era Misey. Agora era um cão... Quem é que tinha feito uma coisa daquelas?

Consultório do Doutor Bruno

- Então Carochinha? Está disposta a rever a situação? Você tem muitos ressentimentos, não é verdade? Você precisa de crescer, não pode passar a vida a recriminar-se por um desejo de matar o seu marido...
- Está bem, Doutor. Eu vou contar porque estou a escrever esta história. 

Capítulo 32 

 - Dona Carochina ,qual é o objectivo disto tudo? -pergunta o psicólogo.
- Doutor, eu sonho todas as noites com o meu marido. Ele senta-se ao pé de mim e diz -me como heide escrever esta história. Quem irá morrer, quem se irá salvar e por aí a diante...
-Porque razão escolheu uma Santa com um nome tão mortífero?-perguntou Doutor Bruno.
- Os mitos nunca morrem, a Nossa Senhora da Morte é uma apropriação dos mitos aztecas, da continuação da violência e a minah criação neste conto representa tudo aquilo que sempre desejei fazer... um realismo mágico, onde mortos e vivos se olhassem de frente. Coisa que terminou com o Princípio do Cristianismo... quando viajei pela Europa encontrei histórias inquientantes de que um dia gostaria de ter escrito, de dar asas à minha imaginação...
- Dona Carochinha, mais uma coisa antes de terminarmos a sessão de hoje...
porquê é que tem uma barata zombie na sua história? Qual a sua relação com a Santa Murte?

Aquele pequeno minuto de tranquilidade foi interrompido por Lilith.
- Doutor é só para dizer que a sua próxima paciente já chegou...
-Qual? A Joaninha?
- Não, a maluca da quinta...
- Ah! A sua irmã da Congregação da Nossa Senhora da Morte?
- Essa Mesmo...
- Que diz ela?
- Mrs Dolloway foi morta pela barata zombie...
- O quê? -Pergunta o médico em estado de pânico.
- Porque não me disse isso à mais tempo? Você é parva ou faz-se? Às vezes duvido mesmo que deu aulas na faculdade...
O psicólogo vestiu o casaco. Despediu-se rapidamente da paciente e ordenou à sua secretária que cancelasse todas as consultas daquela tarde.
 - Porque é que ele está assim? -perguntou a paciente.
- Eu não devia fazer isto, porque e anti-ético, mas MRS Dolloway é irmã do Doutor Bruno...

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