fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

sábado, dezembro 20, 2014

Fotossíntese cap. 16


Claro que ela não se lembrava e é isso mesmo que agora vos irei contar. Na opinião de Benedita esta seria a forma de desmascarar o famoso jardineiro que certas partes do tratado não revelava. Para Bendita aquele acontecimento seria idêntico a uma sessão espírita , fazer aparecer o assassino. No entanto ninguém sabia  quem havia accionado o alarme. No tratado futurista En-Humma fazia justiça aos seus poderes. O que ninguém sabia que na biblioteca da discoteca alguém conseguira obter tais manuscritos traduzidos em primeira mão. Ao entrar no computador estava a entrar no pensamento da filha de Sargão de Akad.  Quando apagou o nome dos tradutores Benedita sabia muito bem o que fazia . Ela era a própria deusa. A sua pomba estava ali para a proteger. Fizera–se passar por mortal pois sabia que o jardineiro ali estava. Estava mais perto e ela sabia-o. Sabia-o porque ela era a larva e a larva era um dos desgígnios do deus da sabedoria. Desde que se tencionava vingar daquele jardineiro transformva-se em personalidades distintas.

Havia um risco à volta  daquele caderno. Alguém voltara a apagar todos os vestígios da memória do computador. Era o escritor. Não, não era. Era apenas a historiadora que procurava os registos da memória de todos os indivíduos. Carlota conseguira  o documento que precisara para a sua tese , mas para isso precisava de um subterfúgio. Procurou então o número de telefone de Caetana. Veio-lhe à cabeça o seu avô. Recordou-se como conhecera  Caetana  algum tempo atrás. Estava diante do seu avô um entusiasta  que lhe falava da guerra. O Colóquio havia sido um sucesso. Ela retirou uma folha do caderno e pô-la sobre a mesa. Nesse instante alguém apagava a história. Caetana escrevia num caderno num café à beira mar. Havia um mágico. Não. Um génio  que a observava. A jovem que este tinha umas asas enormes. Mas quem é que havia apagado toda a informação do computador? Carlota Joaquina tinha na sua mão a base das informações. Quem eram as pessoas que estavam ali dedicadas naquele canto da biblioteca? Quem roubara o texto e o copiara? O que queriam eles fazer com ele? Só se deram conta da importância do texto em que tinham em mãos quando viram que tinham um camião atrás delas. Estariam a enlouquecer? Estariam ali a fazer o quê?

 De um momento para o outro Carlota sentiu  que ia ao encontro do camião e teve a percepção de que um outro universo se abria para ela  de par em par, sentiu que um arco-íris era a junção de todos os elementos da natureza que correspondiam aos apelos das pessoas que assistiam aquele acidente. Um vento enorme começou a dirigir-se. Algo de estranho se estava a passar, alguém as observava. Caetana estava como que hipnotizada por uma voz estranha. Via um rosto de marfim, olhos de vidro, muito belos que lhe dizia:

 Optamos por caminhos irreais, veredas inquietas de emoções e não vagueamos ao sabor dos ventos e das horas. Transportamos a dor da humanidade. Caminhamos vezes sem conta perdidos na lama. Quietos ouvimos o vento. Pensa nisto.

A pomba que voava a cima dela dizia-lhe que Benedita fora morta. O jogo havia recomeçado e o escritor maldito voltava a escrever tudo do princípio. Não haviam tratados, não haviam jardineiros, não haviam mais ninguém. A discoteca fechara. Mas as provas todas as pesquisas de que foram efectuadas não havia mais nada.

 Carlota viu de súbito que a amiga estava em estado de choque. Não sabia  o que fazer, apenas acreditava que alguém lhe dissera algo. De um momento para o outro o feixe de luz desapareceu. Os deuses uniram-nos para destruir o jardineiro, especialmente aquele que desceu à terra, mas havia um deles que pretendia restaurar a humanidade era esse que deviam procurar. A discoteca havia sido destruída. Não restava pedra sobre pedra. François havia sido preso. Acusado de um crime que dizia não ter sido ele. Naram-Sim desaparecera e esperava na sua toca. Um novo momento para atacar.

-     Esta deusa  quer reclamar-te. Deves tornar-te senhora da guerra. –dizia Carlota enquanto a amiga ia a caminho do hospital. Parecia recitar a Avé Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco.

Estariam eles a ser um objeto de desígnio de Deus, como modelo de ação da história?

-     Fala comigo, Joaquina, não estás a ouvir-me? Pai Nosso que estais no céu, oh, maria concebida sem pecado rogai por nós que recorremos avós...

O mundo estava prestes a desmoronar-se e agora? Era demasiado obvio! Que dizer? Não lhe podia passar quem poderia estar por detrás de tudo aquilo fosse a pessoa que estivesse a imaginar! Benedita estava morta fora ela a mentora da discoteca, da famosa conferência. E os restantes Onde estavam? O que lhes aconteceriam?

Reconhecera o vulto que estava do outro lado. Bastava participar à polícia.

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