fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Eles nem sabem nem sonham ...

Analisar um tema com mais de cinco mil anos não é matéria fácil. A tentativa de interpretar o sonho e as suas relações antropológicas levou-nos a desbravar palavras como reset (sonho ) da qual fazem parte das interpretações sócio-políticas ou até mesmo do inconsciente. Assim partimos das fontes fundamentais como os textos das Pirâmides e do Livro dos Mortos.O que é que torna afinal este tema tão fascinante ? Será aquilo que está por detrás da sua mensagem? Ou serão afinal as suas revelações tão pertinentes para um determinado grupo nesse mesmo período
O sonho tem sido interpretado como uma espécie de alteração da vida e uma ligação com a morte. Todos nós sonhamos. Segundo os psicólogos esses sonhos podem ser analisados para podermos entrar no sub-consciente .Os habitantes do Antigo Egipto sonhavam tal como nós , e eram esses mesmos sonhos que comandavam as suas vidas. E foi precisamente isso que me chamou à atenção no trabalho De Edda Bresciani . A nova tendência da historiografia é explorar os objectos do quotidiano e dos seus próprios modelos repetitivos que se manifestam no campo cultural para estudar a sociedade em questão . Penetrar no cérebro humano , saber o que vai na cabeça dos homens e mulheres do Antigo Egipto faz-nos ligar a dois campos. Ao ler o trabalho desta egiptóloga italiana tive a percepção de duas coisas. A primeira foi de que a autoar fez a ligação das categorias desses sonhos e em seguida descreveu-os , revelou cada um deles , daí que o sonho continue a ser esse grande desconhecido. Bastou-me ler algumas passagens para me recordar a primeira vez que tomei conta da palavra Psicologia e da pessoa que primeiro começou a investigá-los. Sigmund Freud. A interpretação dos sonhos é hoje um clássico para quem se quer iniciar nestas matérias ou nos curiosos amadores por estas matérias . O sonho ... estaria no oitavo ano de escolaridade quando toquei ao de leve interpretação dos sonhos. Queria então estudar Psicologia. Felizmente que hoje a História permite-nos viajar para outros campos da área de investigação havendo por isso mesmo uma ligação com outras ciências.

Quando todos se centram noutros campos ligados à religião, política, optei por ler esta Porti dei Sogni. Cheguei então à conclusão de que todos esses pormenores lá estavam. Perto das análises dos psicólogos, os sacerdotes tinham um boa base de preparação para resolver todos estes enigmas.Tudo isto começou quando à dois anos peguei na revista Cadmo – revista de História antiga do Centro de História da Faculdade de Letras e me deparei que a recensão deste mesmo livro me fazia viajar no tempo, quando estive indeciso para escolher História e Psicologia. Mas a história também nos permite estudar o homem no seu tempo. Tal como numa sessão de psicoterapia nos voltamos ao passado para nos entendermos. E é assim que surge a história das mentalidades. Ao tomar contacto com o livro original recordei algumas partes menos conhecidas da nossa história. Alguns daqueles homens e mulheres puderam adquirir poder através das suas visões. As visitas dos entes queridos que habitavam a Duat tinham um outro valor. Fazer uma leitura sobre a interpretação dos sonhos da sociedade egípcia é uma leitura que se torna então proveitosa para todos aqueles que se interessam por estas matérias.

Sendo assim coloco-vos uma questão: E em Portugal? Existirão vestígios deste fenómeno nas colecções portuguesas? Poderemos saber nas visitas aos museus sobre os espólios das colecções egípcias nos museus portugueses? De que épocas são? Que documentos possuímos? Sonhos? Cartas aos seus filhos? Ou visitas que eles faziam durante a noite?

Nesse caso a psicologia, a antropologia e um pouco de análise sobre esses sonhos são parte das provas que tenciono desbravar na próxima lavoura. Actualmente a história funde-se a outras ciências para uma melhor contribuição do passado. Podemos então perguntar a Edda Brescianni como se sonha no Antigo Egipto.

Certamente que sim mas para isso terão que esperar pela sua tradução em português ou pelos por alguém que se digne a descobrir este tema e fazer dele o seu tema de investigação. Afinal como dizia a música: Eles nem sabem nem sonham que o sonho comanda a vida. E vocês ainda sonham?

Agora volvida uma semana sobre esta conferência onde eu e o psicólogo João Balroa nos dedicamos a caminhar nessa longa viagem que é a dos sonhos. ESpero que fiquem mais conscientes do que fazemos quando sonhamos . È que sonhar não é uma tarefa banal. Não´. Ela é sobretudo o registo dos nossos interesses e problemas. E no fundo a mãe de todas as nossas motivações.

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