fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

terça-feira, dezembro 30, 2008

O que faz falta

Como é que é feita a leitura sociológica em Portugal do século XX? Este livro ou melhor este conjunto de textos feitos através da coordenação do Professor Doutor Diogo Ramada Curto vem preencher uma lacuna na nossa história recente em Portugal? E isto porquê? Porque nos centramos sobre o nosso umbigo , falamos de temas muito específicos ou melhor especializados . Ninguém quer saber dos grupos que foram as élites intelectuais do século XX, daquilo que era proibido ou do que se lia às escondidas até à teses em História Contemporânea ou sobre a censura literária por Maria TerESA Payan. Mas o que é isso contribui para a nossa felicidade perguntam vocês, caros leitores?

Muito porque tem a haver com uma identidade, a identidade de grupo, enquanto seres pensantes e uma nova forma de não nos subjogarmos aquilo que a televisão nos comanda para isso lembro-me do caso Galíndez que foi transformado em fime e que desernvolve um grupo de pessoas interessadas em acabar com uma historiadora americana que se debruça sobre um grupo de jovens que fizeram parte poetas e participaram na famosa guerra civil espanhola e a certa altura ela pergunta " Mas qual é o problema é só uma tese que vai ficar a apanhar pó e ninguém vai ler ..."

Pois é é excatamente isto a resposta tinha aver com a memória , com a dignidade e daquilo que estava a despertar . A leitura também passa por isto , por sermos tão cultos , termos uma enorme quantidade de informação e não conhecermos nada daquilo que se faz . Basta irmos a uma livraria e perguntarmos por um livro que lemos ou que nos foi indicado por alguém . Não é novidade , não há. Temos que encomendar. Nos Jumbos, Fnacs temos que lidar com a ditadura dos romances de Miguel Sousa Tavares e de Dawn Brown e como se tudo não bastasse vimos uma série de livros que nos tentam explicar este fenómeno como se aquela história tivesse algum fundamento. Quando no ano passado se deu a polémica sobre o novo livro de Miguel Sousa Tavares e do historiador Vasco Pulido Valente a coisa teve honras de uma procura maior . Este género de roamnces tornou-se uma praga. Há um afalta de reflexão e tudo isso recorda-me a ida à lojas como Zara ou a Pull and Bear. Os centros comerciais que detinham antigamente os 10% eram idênticos às promoções de livros, ou quando eles querem fazer desaparecer dterminadas edições é pô-las num preço muito mais barato. E as pessoas aceitam tudo. Vê-se de tudo Dawn Brown, Miguel Sousa Tavares e ainda José Rodrigues dos Santos, e é claro depois professores universitários cientes de toda a sua sapiência de matemáticas no Técnico que se pavoneiam em demosntrar. A mim nem me aquece e arrefece, mas irrita-me o facto de que uns outros espelhem uma sabedoria que não têm, mas só porque Têm o estatuto ali fiquem bem e mostrem-se com os seus ninhos e os mostrem na internet. Meu caro douto senhor ninguém tem nada a ver com isso, apenas porque gostava de ter projecção como o Vasco Pulido Valente . NInguém lê um tratado na Internet de quinhentas e tal páginas . Depois disto as pessoas continuam a ler os mesmos livros borrifando-se nas palavras deste douto doutor que nos autocarros, metro lêem os mesmos romances. Longe vão os tempos em que as livrarias eram como as costureiras onde os livros eram feitos por medida ao cliente em questão. Hoje não. Há uma série de gente ávida de novidades e de histórias catastróficas sobre o final de um tempo e de um segredo milenar .

Como é que será que os historiadores da leitura verão este fénomeno? Como é que as pessoas não se aperceberam de que a maioria das histórias não passam deuma pseudo-história?

Santo Graal, Cristovão Colombo era português ou italiano? Jesus Crisato era líder do Qmran, Maria Madalena esteve presente na última ceia. Todos estes pontos fazem parte de autores como José Rodrigues dos Santos e de Dawn Brown. Tanto um como outro vendem-se bem, mas aquilo que nós pensamos deles não nos interessa para nada. Podemos até dizer que estes livros se leem bem na casa de banho. À alguns anos atrás num programa de televisão Miguel Esteves Cardoso ironizava e dizia que a falta de leitura dos portugueses se devia com a sua ida às casas de banho. Que o façam, dizia ele, deviam ir mais vezes. Em França em certas casas de banho, estão dspostos certos livros como estes que analisamos e alguns jornais para estimular a leitura. Seria este um favor que o plano nacional de leitura devia fazer? Ou será que temos que ser obrigados a ler aquilo que Deus nos impõe? Lembremo-nos então das palavras sábias de Zeca Afonso "O que faz falta".

O que faz falta realmente é animar a malta. Podería acontecer-nos como aquela persoagem de Platão que acabaria pr ser morto pela cegueira dos outros . Aliás aí seríamos imbuídos a correr a uma livraria para ler uma tese de mestrado em musicologia sobre Jorge Amado, Alexandra Solnado e Quim Barreirosa "Eu quero mamar na Teta da Cabritinha".

A personagem título do romance de Jorge Amado a que deu título a uma novela bem conhecida do público português é uma pastora de cabras cognominada de "cabrita", assim também o é chamada Alexandra pelo Cristo que a chama de "cabrita". E Quim Barreiros escreveu uma música "Eu quero mamar nas tetas da cabritinha ".

Será que há aqui influências nos cânticos de Salomão dos "Cânticos dos Cânticos?" Seria então esse mesmo professor do técnico a fazer o prefácio de obra tão diletante?

Sabemos que a obra venderia bem, até porque poderiam ser os poetas e personagens do romance de Galíndez e se tornaria Quim Barreiros um revolucionário. Alguma coisa valha às pessoas que passem entre cinco a dez anos a pesquisar em bibliotecas, a corresponder-se com investigadores estrangeiros... afinal essas teses serão lidas por ratos. Eles terão a sua memória e serão aqueles que ao contrário de José Hermano Saraiva contaram a história de Portugal. Voltamos ao início esta falat de ler. Até já se propõe um novo programa nacional de leitura. Não queremos mais Marias, 24 horas ou Caras, mas não chegamos a tanto queremos papel de pergaminho que é onde se lê num local tão responsável como uma casa de banho. Não acreditam! Pois foi-me contado por um professor de Paleografia. Se as pessoas não sabem ler aquilo que está escrito então há que lhes dar um fim. Vamos então a esses sítios ler. Podemos ser as pessoas mais dotadas. Passaremos então a ler manuscritos. Quando mais tarde um desconhecido lhe oferecer flores, isso é... "A causa das Coisas ".

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