fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

quinta-feira, dezembro 04, 2014

Fotossíntese Cap.02


Tudo aquilo era de facto muito estranho. A jovem que estava presa ao computador chamava-se Carlota Joaquina . Devia ter cerca de uns vinte e oito anos apesar de os ter feito à cerca de uns dois dias tinha ainda uma cara de anjo. A sua mãe dedicara aquele nome à mulher de D.João VI . Mas sobretudo duas coisas havia herdado do nome bem como a sua nacionalidade , era espanhola . Carlota Joaquina fervia em pouca água , embora isso não lhe deixasse ter pensamentos lógicos e debater outros assuntos para além da sua área de especialização: a hititologia. Licenciada em Relações Internacionais vira nos diplomáticos hititas e na figura do monarca Hatusilis III a forma de resolver a famosa questão da batalha de Kadesh , mas Carlota queria enveredar por outro prisma e tinha provas para  afirmar de  que a primeira  guerra mundial se dera  por um simples instrumento : uma placa de argila  que mudara duas potências mundiais : nada de assassinatos a arquiduques , não nada disso a primeira guerra  dera-se pura e simplesmente por uma questão cultural , Quem detém  o poder cultural é quem detém  o poder hegemónico da humanidade . Nós somos assolados pelos filmes americanos somos atirados às feras pela cultura americana . A primeira guerra mundial dera-se sobretudo por uma  questão de um texto da Lenda de Zalpa . Esse texto conta a história de uma rainha que dá à luz trinta  meninos num ano. Põe os meninos num cesto de estrume  deitando-os lá dentro. Esta lenda coincidia com a sua tese em História Pré- Clássica e privilegiava  não só a arqueologia  bem como a hegemonia alemã e inglesa a partir de 1898. Tinha provas de fotografias da época encontradas na Turquia  e que lhe foram vendidas por um alfarrabista . Teria sido um clandestino que lhe havia feito chegar aquelas provas ou seria  quem sabe o alter –ego de Agatha Cristie a trabalhar? O texto que eram descritos falava de um cesto que faziam crescer pessoas através de um cesto de verga . Tudo isso lhe havia feito interessar  a partir do  momento  em que iniciara aquela investigação. Sabia que as histórias eram lançadas para incrementar um valor qualquer. Foi aí que teve uma sensação estranha . Já não era mais ela tinha vontade de lhes dizer “Venham dizer-me como vivem “ que me encontrei com um jovem com sotaque francês .

Carlota ficou encantada com ele . Tinha a sensação de o ter encontrado algures mas não sabia onde . Tinha uma beleza estonteante e percebia que o jovem francês se  metera com ela com esse mesmo propósito . Nem me dei conta de que o Senhor do Tempo me anestesiara . Lembrar-me de que brincara em pequena com alguém em Bruxelas . Olhamos para o céu e queríamos ver aquele céu de algodão e flores de arame farpado. O jovem bolseiro irritara-se com a figura daquela jovem da forma como abordava os temas em geral. Via-os com uma arrogância e certeza de que só os seus professores a olhavam mas Carlota era uma alma perdida no caminho . Continuava à procura do texto que fazia questão de afirmar que era credível e que ela fazia questão de provar em provas públicas . Tinha o  texto na fotografia . Isso não provava nada ?  Sabia  bem que aquilo que procurava demorava séculos , meses, anos para o seu trabalho ficar pronto  . Será que alguém aguentaria a sua forma após a sua tese de doutoramento ?

Carlota  quisera ser uma escritora de policiais sem grande resultado apenas fora dar corpo a um grupo de investigadores . Calculava  que com aquele texto seria a fórmula de reencontrar o desencanto perdido e descarregando-o encima dos colegas . Voltava a olhar o livro que tinha em mãos. O tempo que aquilo demorara para lhe chegar . Fizera o pedido e lá vinha ele . O bem  amado livro! Estava naquele momento a bisbilhotar as palavras ,a s fotos  que sinto uma mão a tocar-me :

-        Mademoiselle ...

-        Sim ?

Ela virou-se e ficou vislumbrada com o que viu . Um  jovem de cabelos compridos  de barbicha , vestido com roupa desportiva .

-        Somos colegas de doutoramento !

-        Ah , Poirot? Não é verdade ? Inspirado naquele detective não é verdade ?

-        Eu sou neto de Hercule Poirot, dou aulas numa escola de Circo . O humor  é uma forma de escape é daí que canalizamos  as nossas forças  para vislumbrarmos  todo o resto ! Queres vir comigo hoje à escola ? Podia ser  interessante .

Carlota  Joaquina aceitou se bem que achasse  que ia achar uma seca ou pura e simplesmente medo de enfrentar  pessoas  e mais a mais era uma forma  de enfrentar  os homens . Sempre tivera medo deles . A sua relação entre o seu pai deixar-lhe um enorme espaço que não deixava espaço para mais ninguém . O seu sonho era a literatura . O romance policial.  Nada lhe interessava  mais nada desde que aquele crítico a  arrasara num jornal  de literatura . Desde então  ela não tinha olhos para nada . O estupor do crítico tinha razão numa coisa : aquela obsessão pela escrita era uma forma de falta de crescimento. Aconselhava-a a ler mais a procurar uma vida do que centrar-se num aspecto do vazio  que era a forma . “Não é o facto de termos uma licenciatura que nos faz  querer ser escritor mas sim a  verdadeira vocação . Nunca se viu  ir para Deus para namorar com ele . A menos  que ele se tenha apresentado pessoalmente  e ter modificado completamente a nossa vida .Vocação é isto . Ou se tem ou não . ”

Carlota aceitou o convite do jovem francês.

-        Então até logo. –disse ela.

-        Até logo ,disse ele. Lá te espero.

Foi através de um beijo  que se selou um pacto que possivelmente iria mudar as suas vidas , pelo menos ir-se –ia esquecer de ser escritora de policiais por umas horas .

 Fig  . 1 - A imagem em anexo é referente à nova personagem da  Marvel , Kamalla Kall , na qual uma rapariga tem  que  lidar com os seus  super poderes e com a sua identidade . Nesta história  que agora iniciamos observamos um grupo de jovens que  entram dentro da  história tentando mudar os acontecimentos referentes à  1 ª Guerra Mundial . Cabe a  Calota  e às  outras personagens se moldarem a  um novo estilo completamente inovador.


Fig. 2 - Se um dos palhaços é descendente  de uma  das maiores personagens  da literatura  policial , Hercule  Poirot . Nós , eu ( escritor e vocês ) olhar  para uma figura afável  da história infantil. : Babar , mas esse elefante , cresceu e sofre com um dos maiores dilemas da sociedade . Pierot ,Le  Poirot , é um detetive -palhaço , na qual desconstrói os argumentos dos seus  adversários ...



 Fig 3 e Fig 4 - Uma das armas que  as personagens irão usar na história será precisamente o grafitti. Nela  se irão transformar  em  personagens da  banda desenhada usando pseudónimos de nomes da  banda desenhada . Para  uns o grafitti  é uma arte nobre , para outros é lixo . Aqui também iremos tratar dessa temática.

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