fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

quinta-feira, março 24, 2011

Carta ao Pelouro da Mobilidade da CM de Lisboa*

Ao Pelouro da Mobilidade,
Exmos Senhores,
Em primeiro lugar a minha gratidão pela atenção que vos mereço. Confesso sentir-me com um naco de cidadania e não ter sido considerada apenas eleitora.
Passemos, pois, ao conteúdo da vossa mensagem. Se é que a opinião de um cidadão tem qualquer peso nas vossas decisões, ou se vos suscita algum tempo de pausa. Para olhar.

A causa da mobilidade começa a ser uma fantasia a não serem considerados alguns factores:
1. a população da cidade está a envelhecer. Já ultrapassámos a taxa de renovação da população. Já temos mais maiores de 65 anos do que menores de 15 anos. Logo, ciclovias. Peregrina inovação! Para irmos todos ao supermercado! ou para sermos atropelados por ciclistas incautos! Por que não ciclovias em lugares de lazer, em Lisboa cidade das... sete colinas! Nunca percebi. Deficit meu. Algum objectivo terá a ciclovia.
Por aqui, por onde vivo, serve para... marcha ( quando se marcha)! Raro é o ciclista. Pior, o ciclista saltita, a pé e acostado à bicicleta, entre a interrupção da paragem do autocarro e a porta do Hospital Júlio de Matos.
Ciclovia, pois, uma prioridade! E a terceira idade a escapar-se da roda!
2. a cidade perde cerca de 10.000 habitantes por década. O que quer dizer que está oca ( sem recheio humano).
Os moradores, os que teimam em sobreviver na cidade, não conseguem estacionar. Gastam-se litros de combustível a dar voltas a quarteirões. Perde-se tempo e paciência. Uma cidade ERIÇADA de pilaretes, em defesa CONTRA os seus residentes. A continuar, pois, a saída de habitantes. Uma cidade eriçada contra uma população envelhecida!
3. O não reconhecimento de que não há só deficientes motores nesta cidade. Há ainda - se não for intenção de ninguém acabar com eles, ou acantoná-los, encerrá-los, dentro de casa (o que considero, salvo melhor opinião - e estou disposta a qualquer contributo ou debate - má prática, em defesa da sanidade mental), há ainda, dentro da faixa etária que começa a "sobrar" na cidade, pessoas insuficientes ( insuficientes cardíacos, insuficientes respiratórios,diabéticos complicados). E não falo sem conhecimento de causa:
tenho uma irmã portadora de insuficiência respiratória, em oxigenoterapia durante a noite. Com enorme esforço transporta para casa 1 Kg de peso em cada mão. Apresentei à Junta de Freguesia e à Câmara Municipal de Lisboa uma exposição a solicitar um lugar de estacionamento a ela reservado ( exposição e respectiva documentação). Após porfiados esforços desisti: tinha de apresentar uma declaração médica em como era... DEFICIENTE MOTORA! Como tem duas pernas e dois braços funcionantes,(que lhe permitem conduzir e cumprir as propostas sempre bem vindas, digo bem vindas, da EMEL) não se pode satisfazer esta solicitação... Tem um grau de incapacidade funcional ( também apresentado à Câmara Municipal ) de 80%! MAS tem pernas e braços.

A situação, se não fosse caricata,era kafkiana. É o que temos, até que o bom senso nos visite. Não é o bom senso, é o querer olhar a realidade.
4. Por opção... sou médica! E declaro que não pedi a ninguém ( nem aos deuses!) o grau de incapacidade de minha irmã!


O real está aqui, é palpável, não está em secretárias e resmas de papel, ou recycle bins.

Com os meus melhores cumprimentos,e com a minha intenção de continuar a participar-vos do dia-a-dia de cidadãos que vos enchem o quotidiano,


*Maria Celeste Patrício Ceboleiro
(texto enviado pela nossa tertuliana)

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1 Comments:

  • At 5:18 da tarde, Anonymous Ilda Cebola said…

    As prioridades de qulquer cidadão sãs as mesmas dos anos 50 ou dos anos 80:o ambiente,as migrações,o envelhecimento,etc,etc...com outras incidências,ainda assim nascimentos vs envelhecimento tem esperança média de vida bem mair(deficit arquitectónico,não agora sobram rampas e estacionamento deficientes motores)com todo o respeito,sou portadora de uma doênça crónica incapacitante.Viva o turismo!Geografia...O sr presidente da CML se muda para o Largo do Intendente para recualificação do Intendente.Causas:projecto de ecoturismo funcionar em Monsanto,para o qual revertem as casas municipais,os viveiros e a antiga residência oficial do sr p cml.A ciclovia(faz)fez todo o sentido!Eça de Queiros e a sua cidade decrépita...Lisboa de Cesário Verde..."sobe luiza..sobe a calçada".Isto lembrou-me uma história "os loucos e os olhos" :umu esquina que dá para a praça dos malucos.Viras a esquina e ficas doido e por isso é que lhe chamam a praça dos loucos...Agora o tempopassou,e ninguém se atreve a virar a esquina porque há avisos por todo olado:Cuidado, não vire a esquina:praça dos loucos...eles que pensavamque iam ver os loucos,afinal, com um passo, transformaram-se nos loucos que são muitos. E quem os pode ver sem adoecer da cabeça? Só os aviadores, os viajantes de helicóptro,os homens de balão de ar quente, os homens que voam em planadores artesanais- só vendo de cima é que naõ se fica louco. Já me perdi. desculpe

     

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