fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

sábado, março 12, 2011

Capítulo Terceiro

Lourença por vezes via o menino de milho despedir-se de si e dizer-lhe que a via em todo o lado. Era um daqueles pedaços de milho que ela construía os seus brinquedos nas enormes tardes de Verão onde deixaram os seus dentes de rato. Aquele menino pretendia ser um menino de verdade e, ela seguia-o. Um dia seria a sua mãe, penteava-lhe os cabelos e dizia-lhe que ele iria ser astronauta. De mãos dadas com aquele ser inventado por ela, sentia-se uma Maria. A nova Virgem, pois concebera um ser através do milho , muitos outros seres eram de milho. Os maias construíram os seus seres através de uma casca de milho, também o seu autor favorito Monteiro Lobato criara um outro ser.Um cientista. O Visconde de Sabugosa era o tema da tese de mestrado de Lourença. Muitos outros seriam os seus filhos,seriam os seus alunos desleais, mas nada se comparava ao seu autor favorito. Lourença olhava então para as estrelas daquela casa de campo à beira da piscina onde ela descrevia mil e uma histórias, de muitos saraus à sua vista de onde tinha tanta coisa para dizer. Lourença sonhava tanto em recuperar a sua menina e refugiava-se na infância, como naquele ano longínquo de 1987. Lourença não tinha memória de nada, nem da composição das suas redacções das aulas de português que ficaram registados em pequenos cadernos. Aquele menino de milho chamava-a de mãe e via-a na ténue condição de criança e era naquele instante que ela se transformava numa parente pobre da fada Sininho que a visitava ou da dama pé de cabra que lhe afagava os cabelos e lhe chamava filha. Nessa altura Lourença olhava para os seus pés e via-lhe os cascos de tão altos que se tornavam tenebrosos ou até sedutores e minutos depois via-se só nos campos diante de papoilas que as transformava em bonecas como fazia Hortênsia.

Hortênsia era a filha da caseira da casa de campo onde estivera naquelas férias de anos. Hortênsia tinha uma personalidade muito particular pois dizia-lhe que queria ser mãe, mas não queria ser uma mãe qualquer , mas uma mãe que está diante de um canteiro de florzinhas. Seres minúsculos que lhes falavam e contavam histórias de grãos de areia apresentados por seres alados. Esses seres foram parentes passados dos anjos e daqueles grifos que estão às portas das igrejas. Era para ali que Hortênsia que levava as suas meninas em dias fúnebres para serem baptizadas por Joaquim.
Joaquim era aquele rapaz a quem todos diziam que se ia tornar num bucha, numa bola de carne , o banhas , de tão forte que era fora escolhido para ser sacristão pelo padre Monforte.
A princípio todos estranharam os modos do padre Monforte de tão novo e com ares de estrela de cinema deu-me conta mais tarde que a maioria das mulheres iam lá pelos seus lindos olhos que por outra coisa, mais ainda ele usava brinco, tinha brincadeiras inovadoras com as crianças e explicava-lhes tudo aquilo que não deviam ser dito aos jovens para os precaverem dos malefícios da droga e de certos assuntos que se entram na idade dos porquês das tesouras humanas. Nunca vi uma pessoa daquelas parecia ser um extra-terrestre. Da sua lenda dizia-se que nos anos anteriores fizera escavações no Médio Oriente e até sabia ler aqueles “gatafunhos com patas de avestruz. Lourença aprendera tudo com ele até que ele lhe deu a conhecer que era um outro ser, disse-lhe que se deviam apresentar aos contadores de histórias.

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