fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

sábado, dezembro 04, 2010

Projecto Sherazade*

Como as brincadeiras das crianças Pipa vivia do ar. Olhava a vida como mum imenso mar azul cozinhado por uma magífica farinha branca de neve que inalava pelo nariz em momentos de grande prazer. Pelo meio haviam as grandes florestas de vestidos e sapatos da qual a menina gostava de experimentar na bela e fecunda fada do consumismo e que por si só dava para doar a uma obra de caridade religiosa ao qual ela mesma gostaria de pertencer. A Irmandade das Tias Católicas, púdicas, refrescantes e absolutamente loucas. Durante a noite procurava um sultão que a amasse e lhe desse vestidos , jóias e que lhe desse festas que continuasse a dançar depois da meia –noite. “Os sonhos de um papagaio de fio arrastado por uma criança tem consequências desastrasoas “, diziam as línguas mais afiadas. Pipa ou melhor Filipa vivera toda a sua vida num conto de fadas enredada pela velha Nárnia de cabides, calças e cintos da Mosquino e todas as roupas de marca que existem no mundo.
A sua casa era como um porto num dia de tempestade, as gaivotas aportavam por ali, bebiam até cair, algumas ficavam para receber a comunhão da sacerdotiza antes de proclamar a homilia perfeita da sua semana. Um cheiro de Coca. A cocaina dava-lhe viagens múltiplas entre flores, prados cheios de anjos com ténis da Nike, chás das Cinco e discotecas no Além, onde à entrada estava S. Pedro com t-shirts justas ao corpo da Dolce e Gabanna, calças muito justas para se ver bem as partes da frente e a forma bem torneada do rabo. Sim, aquilo é que era o céu onde se podia cheirar ali e dentro, beber até cair.

Depois vinha o acontecimento musical, um gemido e uma letra bem afinada onde os corpos se misturavam numa algarviada que nem a deusa do Amor Babilónica se lembrava de ver e de certeza taparia os olhos…

A menina estava estava sempre pronta para a diversão era uma louca alegre. Destes amigos gaivotas, a sua rede desaparecia um dia. Naquele apartamento estavam todas as pessoas necessárias. A autêntica Maria Joana Canabis, o Pastilha, todes eles lá viviam de bom grado, por afinidade ou desespero da sua vida. Mas a sua grande paixão estava na sua linda cadelinha Coca- Cola branca a quem ela chamava carinhosamente de Coca. Muito pequenina como um novelo de lã, a Pipinha fazia-lhe todas as vontades.
Os seus namorados iam e vinham, porque tinham que ter linhagem , como ela sonhava. Tinham que ter uma casa de banho, e ter casa construída de raíz e ao mesmo tempo dez ou quinze anos e ter um diminutivo e tratarem-na por você.

No fim todos comentavam “Foi você que pediu uma pipa ? “Aqui estou eu , quero ter filhos , ocupação compras em todas as lojas da baixa,não é máximo da caturreira ? “

Pipinha a menina ainda tinha que aturar com os amigos alegretes, enrabadetes ou melhor que davam para um único sentido. O António de Oliveira Salazar. A primeira vez que ela ouviu este nome… delirou. “Que máximo!É da família do Senhor Presidente do Conselho? “

- Claro, disse o rapaz mentindo. Sabendo que se tivesse um nome ilustre acabaria por ficar lá de graça. Até quem sabe, casar-se com ela. O que ele não sabia é que ela procurava o mesmo que ele um namorado rico. Bem vistas as coisas, no lugar de se estragar duas casas, só se estragava uma. Diziam algumas pessoas, só diziam longe, como os cães que nos ladram ao longe e por perto vendo a comida chegar abanam-nos a cauda. Tão perfeito este mundo que até encanta! Era assim o mundo encantado dos brinquedos na terra da Tia Pipa. Todos por um e todos por nenhum, era o salve-se quem puder. Um arraso. Quando a amiga, saía. Pastilha ou melhor o António de Oliveira Salazar. Ia ao quarto da Pipinha e experimentava os vestidos dela… Sabem porquê?
Porque ele era uma alma sensível, gostava tanto dos direitos das mulheres, até quem sabe fundaria um partido em prol delas, até quem sabe , como aquela personagem da Vida de Brian diria “A partir de agora passo a ser a Antónia, a Antonieta, a Tieta do Agreste, quero fazer a adaptação da obra de Jorge Amado para teatro. Continuava a sonhar aquele actor frustrado. Algumas pessoas canatavam-lhe aquela música dos Habba sobre a Meia Noite e o Engate quando viam passar os futuros canditados a namorados da sua querida amiga Pipa de Noronha, pois era assim que ela gostava de se chamar. Por seu lado António tinha espectáculos, como actor. Não era um actor qualquer, porque fazia um papel que adorava. Ele dizia ter-se inspirado nas tragédias gregas como O Rei Édipo de Wiliam Sheakeaspeare. Mas não era de Soflocles perguntavam-lhes? Mas vocês que me estão a ouvir, sabem que não é bem assim. O António é que sabia, porque ele era muito inteligente. Era um homem culto, refininado, como todo aquele filho que foge de casa de uma mãe possessiva através de cultos muito sábios do antigamente e que só os mais velhos é que sabem tudo. Meu Deus , como a tradição oral é preciosa. Todas as noites de sexta feira Pastilha ia para um bar de encontros românticos para os animais da sua espécie que só atacam de noite, em bares, encontros imediatos de rede electrónica com direito a ficar à espera de uma resposta positiva. Porque essa bicharada quando sai dojardim zoológico é para assistir de camarote. É tão colorido, tão cheio de plumas, mas este actor nunca, mas nunca acertava uma para a caixa .Mas sem ele saber lá estava a sua amiga Pipa que o via sem saber, porque adorava aqueles espectáculos. Ela era tão gay frendily e sabia todas as fotos dessses encontros, como é que eles se chamavam e podiam comunicar uns com os outros. Ela até tinha um nick para vê-los, porque também gostava de mulheres .Já viram a coerência desta mulher? Digamos que era uma espécie de salada de frutas combinada, com martini, moscatel de Setúbal , queijo fresco, nozes, e outras frutas secas. Quem vai a uma loja de frutos secos sujeita-se a ficar com acne para o resto da sua vida.

Todas as sextas feiras depois das duas da manhã e depois de ter inalado mais um pouco do pózinho, ela assistia a uma espéctaculo da Kavazaki Histérica.
A Kavazaki Histérica não era uma mulher qualquer no meio daqueles possidónios como Pipa dizia, a Kavazaki cantava ópera, jazz, tudo aquilo que esta gente não conseguia entender. Mas conseguiam fazer um único exercício físico para além de irem ao ginásio comprarem tomates podres para atirarem na linda Kavazaki.
- Kavazaki , vai para a garagem! –dizia o público.

No entanto esta linda beldade tinha outros atributos fumava canabis, pastilhas e durante este mesmo período tinha visões onde falava da moral e dos bons costumes o que fazia as delícias de Pipa. Ali naqueles momentos de rara beleza ele transformava-se num verdadeiro pastor das almas falando para uma árvore imaginária chamando-lhe Ginginha. Ali estava as origens daquele estranho vício, o latim,o hebraico e todas as recordações da ordem e da disciplina. Pastilha fora um seminarista. Bom ao menos iniciara-se numa batina para fazer os seus papéis de transformismo. O amor ao próximo era uma virtude e ele gostava de mendigar como se fosse o primeiro sacerdote masculino em honra da Madre Tereza de Calcutá. Ele chamar-se-ia o Terezo de Calcutá. Tinha um raro dom para a pureza e nesse sentido ia buscá-lo à expressão máxima da sua mãe Dona Maria Gomes da Costa que ele evitava falar.
Pipa não sabia nada disto apenas vira um dia à sucapa estas confissões num diário secreto que ele chamava “Memórias Secretas da ültima reencranação da Maria Antonieta “.Todas estas revelações vieram por-lhe a pulga atrás da orelha. Ela tinha que o ir visitar , descobrir quem era a sua mãe. Viveria ela em Santa Combadão?

Fora ver os rostos de que vistara nos sites de conversação de homossexuais e vira um nome de uma árvore Cerejeira. Ali recordou as alucinações que assitira na discoteca. Mari Ju já lhe havia dito que ele seria um seguidor de Oliveira Salazar, tinha todos os discursos decorados. Parecia uma cassete Salazar repetia todos os discursos. Pipa apetrechou-se de uma ponta de coca e inalouo pó encima de um dos livros para ver se o contéudo lhe vinha todo sem ler… mas ao que parece isso seria impossível. Numa dessas alturas Pipa via o Demónio do Comunismo que a insitava a deixar toda a onda de conformismo e tornar-se numa proletária e via a sua querida amada: Totta. Como é que era possível a sua eterna mentora ser uma mulher demónio? Tudo era possível não lhe contara a sua amiga Mari Ju que a primeira mulher de Adão era Lilith? Não seria ela o Demónio que comia as criancinhas ao pequeno almoço? Oh, meu Deus fora ela que ditara as palavras ao pai do Comunismo Karl Marx? Karl Marx não era judeu? Por isso é que Hitler queria matar os judeus? Ai Meu Deus que confusão vai nessa cabecinha, disse-lhe a amiga que era um crâneo em História. Fora para isso que fazia uma licenciatura?*

Retorno do antigo Projecto: Cada leitor deverá decidir como poderá seguir a história. Deverá ficar como conto ou continuar? Participem

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