fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

sexta-feira, abril 23, 2010

A vingança de Job (últimos capítulos )

5. A mudança

Os italianos têm um ditado famoso“A vingança é um prato que se come frio“.E neste caso a grande mudança vai bastar apenas num único número... do 1 para o 2.Não que isto nada tenha a haver com uma diferença de números,mas de personalidade,enquanto Sancho I a que a nossa amiguinha está a estudar,a frequentar bibliotecas, congressos e tudo o mais eu decidi passar uma rasteira aos nossos escritores Deus e o Diabo.Se eu pegar na folha que eles têm e acrescentar mais um I?Não será nada mais nada menos do que II. Mas afinal qual é a diferença entre Sancho I e Sancho II?Para o comum dos mortais acrescentou-se um dois. Isso dava um enorme risco num exame ou talvez uma autêntica gargalhada para o telespectador culto“ Valha-me Deus, não sabe nada de História!“
A questão desta mudança centra-se em dois reis portugueses.Da I dinastia mas que tiveram percursos diferentes,se um deles pode ter sido apagado pela figura do pai,mas era empreendedor, o outro deixou-se manipular pela sua amada.Sancha costumava ter pesadelos com uma aluna que fazia confusão entre dois reis.Descrevia cada um deles na perfeição ,mas acabava po por os pés pelas mãos . Aqui começa uma nova história em que não é Martim no corpo de Sancho I, mas no de D.Sancho II sedento de vingança ao dar àquela menina o rosto da bem amada deste monarca. Se não conhecem a história eu conto-vos. Um rei que subiu ao trono aos 14 anos mas acaba por se apaixonar por uma princesa espanhola acaba por dar-lhe ao reino inteiro, tornando o país num autêntico caos. Se eles não repararem e olharem para o seu umbigo e não derem pela diferença de nomes chamarão a alma do rei e ele surgirá com um enorme desejo de vingança. Talvez não sabem pois não? Nem eu sabia quando dei pela diferença de nomes no Arquivo das Almas e dos Períodos de Tempo. Sancho II acabou por sair do país como um incompetente. Este é o princípio da minha vingança. Transformar um projecto de tragédia numa vingança.O que eles não sabem é que Sancha é na realidade a grande paixão de Sancho II e ele acabará por reconhecer a sua amada e tornar-lhe a vida num autêntico inferno .Quem é que consegue viver na eternidade sem ter vivido sem o sabor da vingança? Optei por me tornar investigador nos tempos livres e fazer da minha vingança o projecto inacabado de outras pessoas,por muito que se goste de uma pessoa e possa ficar um pouco deslumbrado,acredito que elas mereçam pagar por aquilo que fizeram.Dividir para reinar. Eis o lema do meu novo nome. Talvez os teólogos e os investigadores da literatura possam não saber disso. Mas a angústia, o ódio acaba por se tornar uma espécie de embrulho que nos persegue para o resto da vida,nada é pouco para aqueles que um dia nos tiraram a vida que tínhamos. Para quê? Testar a nossa fé ? É esse o lema para entregar uma mensagem às pessoas? Mas as pessoas não são personagens da literatura perfeitas,humanas e talvez essas ainda estejam por aparecer . As pessoas inscrevem-se em cursos de astrologia para resolverem os seus problemas,ou por mera curiosidade quando no fundo não sabem resolver os seus nem ou o dos seus próprios filhos.Gostam muito de mandar na vida dos outros,sem nunca terem passado aquilo a que aquelas pessoas passaram.Genial.Dou um conselho a essas pessoas para que possam viver aquilo a que nós vivemos,é ficarem caladinhas no seu canto porque sabemos que a Igreja Católica e todas as suas seitas não sabem mais dar resposta a alguns acontecimentos ou comportamentos , a determindas descobertas científicas. Acho injusto .Agora se me permitirem,vou dar azo aos meus planos.Vou mudar este lindo nome para outro dando uma dor de cabeça para Deus e Diabo.Eles acreditam conhecer a alma humana, de estarem em dois lados ao mesmo tempo,mas estão muito enganados. Até estou a escrever o nome desse monarca imbecil que tem um ar trágico como a maioria das pessoas que frequenta os cursos de auto – estima que eu implantei aqui neste lugar. Enquanto eles planeiam novas histórias e se divertem com os problemas dos seres humanos. Eu, Job, decido fazer da vingança um modo de vida. Como é que ela se conseguirá defender das tentativas de vingança do rei medieval? Job sorri com o seu plano . Plano esse que irá dar autênticas dores de cabeça a Deus e Diabo. Noutro lado, a saudade duma pessoa morta dá apertos do coração, uma enorme vontade de chorar e ver todos os albúns de fotografias, cartas, presentes e e-mails.
- Martim, onde estás tu? –perguntava Sancha na praia com uma garrafa de vinho na mão , até que de súbito lhe surge no meio daquela tempestade em que a chuva e a água da praia são irmãs siamesas. Ela vê Martim correr na praia de calções de banho. É ele. Não será uma visão ? Não terá ela a ter alucinações com a bebedeira e com os charros que tem consumido ? Parece que nos últimos tem consumido e feito coisas que noutras alturas nem sequer lhe passaria pela cabeça. Em todas as aventuras procura uma oportunidade para se degradar e isso dá-lhe um certo prazer. No meio das pesquisas,costuma usar um nome na internet quando procura emoções fortes. Dir-se-ia que estaria a pecar. Mas que merda ela não é nenhuma boneca de madeira, nem precisa de grilos falantes a ditarem a moral e os bons costumes .Para isso já tinha a família que lhe havia colocado uma diquete dentro do cérebro.

6. Preparação

Quando desfiamos as nossas memórias centramo-nos naquilo que fizemos durante a vida.Sim ,eu fui mais do que uma pessoa,tinha uma série de tormentos dentro da minha alma que questionava as vantagens de ter vivido nos dias de hoje e numa família com posses, endinheirada, esclarecida.Bem sei que a minha família me vê como uma uma ovelha negra e que decidi pintar-me de escuro, para os afrontar , também se fosse necessário pintaria o cabelo de azul, usar uma saia para os desafiar ou furar as orelhas ou o nariz onde quer quefosse. Atraíam-me coisas diferentes,pessoas de origens diferentes . Olho agora como tudo me era predestinado a seguir, a vestir as mesmas roupas,os mesmos cursos dos meus familiares, direito, engenharia ou medicina, mas eu não quiz, quiz estudar uma coisa muito própria, muito minha, História. Não queria fazer o curso de História tradicional que envolve as várias épocas em Letras ou na Nova,ou noutras universidades privadas ou do país que dessem as aulas da mesma maneira. Não,eu quiz tirar história no ISCTE onde a História começa em 1415 e estuda os fenómenos contemporâneos. Interessam-me os grupos sociais,as ideias que se formam em determinados períodos da guerra ou de outras épocas. A Época medieval povoou os meus tempos de menino nas visistas a mosteiros onde anteriormente haviam lagos onde peixes passavam por ali. Meu Deus aquelas cozinhas enormes como deviam ser imponentes. Isso sim eu queria estudar aqueles grupos, aquelas pessoas algum dia juntra-se–iam e reinvidicariam os seus direitos?

Tomei-me de assalto um ano e decidi ajudar um amigo que havia conhecido na casa da praia.Os meus pais ficaram de cabelos em pé “Titas , o menino dá-se com qualquer um. Se fosse noutra altura abria os portões da nossa casa, para esses emergentes? Sabe o que nós que tivemos que passar, tivemos que fazer turnos para protegermos a nossa casa.Contrataram-nos gorilas para protegerem as nossas fazendas ...”
olhei-os e pela primeira vez disse-lhes: Eu
- Talvez,sentissem na pele aquilo que eles sentiram toda a vida! Eu sou comunista ! Ajudo na Feira do Avante ! Sou a favor da Despenalização das Drogas Leves!
A minha mãe olhou-me completamente transtornada:
- Que traição para a nossa família! Você não sabe de nada, Martim! Só quer é andar pelo mar, namorar todas as semanas as suas lindas meninas,fazer-se de bom samaritano para esses mortos de fome, porque no fundo tem nojo deles,das suas condições hijiénicas,ver os locais onde eles vivem ,porque nunca suportaria viver com metade daquilo que elestêm !Você não se pode queixar , está tirar o curso que quer! O seu pai já fez os contactos porque um Botelho Moita não é uma pessoa qualquer neste país, sabe? Você continua a ser um menino mimado que sempre teve tudo e são as empresas que o menino afirma que poluem o meio ambiente,os seus amiguinhos que ocupam casas abandonadas, sabe-se lá que coisas eles fazem.
Naquele instante só me apetecia morrer e desaparecer dali.Sabia que metade das coisas que a minha mãe dizia eram verdades . Sabia que em breve iria morrer,mas queria morrer em grande.Desde sempre que o meu destino fora ser única e exclusivamente menino de família,era talvez por isso que eu pressentia que o Além e algumas forças me dariam capacidades mediúnicas para me encontrar com um ser de uma outra natureza e outra nacionalidade.Desde a mais tenra idade eu odiava aqueles colégios bem afamados, no meu íntimo eu sonhava ser filho de pobres pescadores,que me haviam trocado na maternidade. Talvez tenha sido essa minha procura na História, a identidade,o grupo social,porque seria que nós dentro de um determinado grupo nos comportavamos de uma maneira diferente ? Também o era.Desde os meus quinze anos fiz questão de desaparecer da alçada dosmeus pais para pagar os meus estudos e andar em agências de trabalho temporário,trabalhar em fábricas,estar em linhas de montagem,vestir máscaras,rir a bandeiras despragadascom os outros colegas de trabalho e avisarem-me de que se comportasse daquela forma era caminho andado para ser despedido.Outras vezes eram as máquinas terem um problema qualquer quando mais de duzentas pessoas haviam trabalhado um capon , haviam tratado de determinada peça e eu chamava aquele traste ele que estava no café a beber,a fumar,afugar as mágoas de que em casa não era se não um cachorrinho debaixo das saias da mulher e ali gostava de se fazer homem chamar-nos “filhos da puta”ou mandar-nos directamente para o“caralho “.Eu procurava várias formas de entender a vida e de conhecer melhor as pessoas e o espírito humano porque para além de me conhcer como pessoa eu queria ser mesmo era escritor.Era isso que fazia aos quinze anos com um cão enorme que a minha família me havia oferecido para que eu não fosse para o estrangeiro. Winnie. Nunca percebi na altura aquele nome para um desgraçado de um animal que haveria de me acompanhar ao funeral e ficar de guarda no túmulo de família e a única pessoa que o cão permitia aproximar-se era a minha bela e doce Sancha . Sabia que ia morrer e o cão também.Espereria fiel e acabaria por ladrar e uivar no dia do meu funeral.Winnie. A minha mãe dizia que o cão era dela,mas tudo aquilo era uma estratégia para me seduzir muito subtilmente . Foi num desses passeios que dei com Winnie que eu me apaixonei por Sancha e talvez o cão simpatizasse com ela ,não fizesse algumas partidas de marcar território nemde mostrar que lhe estava a fazer frente.Oh, Winnie,meu bom amigo , quantas aventuras não tivemos com aquele brasileiro que eu conheci e lhe disse que queria aprender as tácticas de marinheiro e pescador,queria que ele me ensinasse a cozinhar peixe para impressionar Sancha. Conhecera-a muito antes daquele coloóquio na faculdade que tinha haver com a Identidade e Memória da Idade Média promovido na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas.Queria convidá-la na minha ida propositada à casa de banho das senhoras . Oh,como melembro da primeira vez que a conheci na banca de Bernardo.Uma menina de cabeloslongos e entrançados fez-me parecer uma pintura,uma natureza fora do normal,um quadro falado que se mexia toda e me dava um desejo . No dia seguinte contei a Bernardo que me havia masturbado a pensar nela . Não como uma mulher,mas uma deusa sensual.Bernardo olhou-me e disse que falar de Imanjá ra perigoso . Porquê? Falar de outras coisas, ele dizia que eu estava falando da esposa do Diabo ,a Pomba Gira. Lilith para os teólogos e historiadores de religiões. Nesse dia senti uma tempestade sobrenatural e naquele instante sobressaiu o rosto de Sancha,algo que passava fora do normal.Eu ali estava agora no meio da praia usando apenas uma sunga, um calção minúsculo seduzindo a minha deusa, a minha sacerdotisa do amor . Na dita discoteca no centro de um outro universo Naram – Sim e outras figuras dramáticas davam-me dicas de forma a que eu pudesse dar a volta antes que um rei sem trono como chamavam os cronistas o “Velho “me dessem essa garantia.O que era afinal a vida e a morte se não uma conquista por um espaço miserável? Mas ali estava uma transformação de que eu não sabia mais onde estava,não sentia o meu corpo via-me apenas no visor da discoteca onde os mortos se viam como meros instrumentos de um reality show .Eu ia em direcção da minha bem amada Sancha.Mas algo de estranho se passava eu não era mais eu,mas sim uma outra pessoa,sentia-me recuar para trás diante dos meus colegas de formação,como o desajeitado Drácula que desmaiava cada vez que via sangue,facas e todo o género de cortes. Dizia-me que sentia saudades de comida vegetariana.Quando eu lhe perguntava porque razão ele adorava pescoços,ele dizia que não passava de uma mentira de Bram Stocker.Eu sentia que alguém tomava o meu lugar,eu não me reconhecia,não sabia quem eu era.Via-me numa praia vestido de sunga observando Sancha tentando atirar-se à água para se matar. Tudo isto era visto do écran da discoteca onde ali estava eu a olhar pasmado sem conseguir entender o que se estava a passar. Sancha chorava copiosamente .

7: Quem sou Eu ?

A minha vingança vai sendo preparada como se fosse uma receita com todos os condimentos,deixando-a marinar,com um certo cebolinho e condimentos picantes para que as pessoas ou outros seres se enterrem até aos confins da terra.Aqui estou a preprarar a confusão.Sancho I passara a ser Sancho II.Sancha está perdida num turbilhão de emoções, perde os seus amigos com todas as manifestações de tristeza e ódio que lhe passa pela frente.Cada vez sente necessidade de passar o tempo em chancelarias e arquivos onde leia coisas sobre o seu amado rei.Por outro lado consegui com que Deus e o Demónio desconfiem um do outro e saber quem está a trabalhar para quem .Não era possível enviar Sancho II,a jovem sentia calafrios cada vez que se falava deste monarca não que gostasse dele,mas havia qualquer coisa mais forte.Enquanto as duas entidades já mais sabiam quem fazia todo aquele trabalho era sem mais nem menos Job sorria quando toda a documentação se desmoronava.Nesse sentido a tempestade que eu fazia surgir na terra dava-me cada vez mais forças do que Deus ou Satã juntos.Sorria satisfeito com a alteração climatérica,a que muitas pessoas diziam ser a fúria divina pelos acontecimentos.Job via a revolta da jovem no meio daquele temporal virar-se contra a família ,os amigos que tinham aquilo que mais amavam. Diante desta situação eu cheguei a colocar uma questão a mim mesmo : Quem sou eu afinal porque estou a fazer isto ao grande amor da minha vida ? Sancha é a minha mulher , mas sinto que afinal eu sou um ser humano que tem sentimentos e não sou um objecto , não me resigno e vou à luta contra as condições que me impuseram . Não admito histórias feitas e quero mudar-lhe o rumo . Nas minhas horas vagas se é que as tive alguma vez dedicava-me à investigação e via nesses documentos numa língua que a princípio me custava a entender que via uma belíssima mulher que teria dado conta da cabeça de Sancho II .Mas os médicos diziam que ele sofrera de uma doença que o deixara coitado “louquinho “sem muito que fazer. Agora que a mudança fora feita Sancho II estava no corpo e no rosto de Martim sedento de vingança. Ele Job só pensava nas coisas que estava a fazer e naquilo que se estava a tornar. Sancha a mulher que se estava a suicidar era a sua dama , a sua grande paixão, ainda não se recordava do nome mas havia de lá chegar. A apaixonada de Job lutava entre duas épocas a medieval e a contemporânea. Ele era afinal o rei Inutilis. Job via-a embrulhada dias antes entre arquivos onde estudava a documentação e a chancelaria daqueles homens que trabalhavam com o rei. Agora recordava-me dessas alturas e parecia-me uma pintura lindíssima onde o seu pensamento jamais se esgotava entre novas palavras. Agora fazia-a entrar num mar de desespero onde as ondas do mar a beijassem e esbofetassem com toda a violência que ele desejava.Amava-a de uma forma doentia.via quase como a esposa do Demónio,a Lilith,a Senhora dos Desejos.

Ali naquele gabinete Job preprarava-lhe uma viagem sem regressos ou de extrema loucura,traindo-a pela Idade Média e pela escrita que nao a deixava concentrar levando-a a ver uma imensidão de imagens qe nunca tivera tempo de pensar na moral , na ética , nas leis e naquilo que um rei e outro seriam perante o povo e a história . Job sabia que aquela tempestade não era mais do que uma parte psicológica e que era ele uma espécie de monge que escrevia a história do tempo sem que Deus e o Diabo lhe pedissem para escrever como fora a história de Adão e Eva , de que Lilith não era muito bem vinda com a confusão se mudara para a eternidade e estava a enamorar-se de uma jovem bela decepcionada com a família .Job sabia que Sancha não se conseguia concentrar mais entre as palavras de cada autor , via-se na noite dos tempos, sentia que o desejo do desconhecido me levava a fazer coisas que antes não era capaz de fazer mas todos esses momentos eram passados a pente fino.Distraio-me e vejo imagens que nunca vi , uma velha que se aproxima depois de uma dia de trabalho onde o sexo é proibido e é só permitido para procriação.Densas florestas , carroças , locais que são fechados e que para lá daquela muralha existe o caos . Ainda tenho muito do oriente antigo até nisso senti no Cristianismo quase que o abracei mas decidi fazer uma nova religião. Uma seita . Aquela que levará os pobres , os oprimidos e os famintos a discursarem sobre os seus próprios probelmas.Levando cada uma dessas personagens mostrar aos mortos que morrer na idade da flor é que está a dar ? Tornarmo-nos perfeitos,eternas flores,monumentos humanos para os olhos dos nossos entes queridos e formas de mármore,gesso muito apreciado. Ali diante dos olhos dos que ficam tornamo-nos deuses . Encorajo-os a alegrarem-se e a viverem a vida como nunca viveram na terra , álcool, drogas e todo o tipo de sexo jamais seja punido pela leio da minha religião dou-lhes o livro árbitreo se até os padres são homossexuais,cupulam com as mulheres dos outros nos confessionários ou se amantizam com criancinhas do coro.Porque não posso eu projectar as minhas leis e pô-las à porta da discoteca Eternidade?Foi aí que vi pela primeira vez Martim que me sorriu e me disse:
-Com que então quer ser o novo Martinho Lutero?
Confesso que não entendi a piada daquele jovem mas quando me contou a história das 95teses escritas e fixadas à entrada de um palácio da igreja na Alemanha.Esbocei um sorriso.Aquele jovem dizia-me que eu era um sujeito amargurado e que me devia revoltar e não fazer as coisas pela calada, porque se ele queria vingança por milhares de anos de humilhações de ser um autêntico criado de um ser inventado por um povo amargo e sem esperança,já a história do Demónio havia sido ditada por um poeta quisera transformar um anjo num ser humano cuja a sua queda fora a inveja um dos maiores pecados.Ojovem dizia-me que eu me estava a tornar num pequeno demónio e a transformar toda a minha desilusão e mágoa no mais sincero erro estratégico.Porque não lhes fazer o contrário ?Dar oportunidades às pessoas para que elas pudessem ver os seus próprios erros?

Eu apenas via Sancha a analisar aquelas letras tão perfeitas como se fossem carreiros de formigas seguindo uma única ordem,e esquecia-me de tudo o resto.Sabia quando ela tinha vontade de fumar era o seu vício contemplativo,noutras ocasiões bebirricava algum vodka misturado com sumo de laranja e via ali uma história parecida com a sua.O passado era a sua muralha e a Idade Média era o castelo de onde ela observava toda uma população, longe dela não havia mais nada só medo e angústia era tudo aquilo que eu a fazia sofrer,não eram Deus nem Satã. Essa era apenas uma parte da minha vingança, fazê-los crer que cada um deles fazia parte de um plano.Sabia que ela tinha saudades de Martim .
- Quantas saudades,Martim!-dizia ela. Lembrava-se da notícia,dos vários dias de desespero, da sua família já não chorava nem amaldiçoava os serviços,apenas ali estava ela com saudades das discussões de ambos.Os textos que se debruçava eram uma espécie de básalmo sobre todo o seu drama e horror e das recordações em que ambos discutiam a ponta de uma lança de um lado em que a esquerda e a direita se uniam como ponteiros de um relógio para indicarem a mudança do dia ou da hora . Ele falava-lhe de um filme chamado “Cidade Vermelha “que se preparara na Biblioteca Museu e Resistência.A memória oral das pessoas que viveram nesses tempos,dizia-lhe ele eram mais do que um documento eram a prova maior de um testemunho.Martim escrevia uma história diferente e alternativa à sua . Naquele banco do Arquivo Nacional da Torre do Tombo ou no próprio refeitório ela recoradava-se das vezes em que os dois se encontravam para depois começarem a discutir. Ele trabalhava numa Fundação com meros recibos verdes e tinha que fazer outros trabalhos para sobreviver para poder pagar as suas contas da sua casa .Ambos amavam-se apenas entre os lençóis mas sabiam que jamais poderiam lançar as suas ideias nesses instantes antes que escrevessem um tratado um receita de uma bomba. Mas era precisamente isso que Job fazia ao analisar cada um deles ,até porque ele estava apaixonado pela historiadora . Via-a ainda no meio da praia onde chovia copiosamente. Os seus adversários, Deus, Diabo e Martim olhavam cada um deles as permissas que deviam tomar. Só tinham naquele instante uma única coisa:o vazio.

Todos julgam que faleci e que a minha vontade de me suplantar a Deus nunca foi um
objectivo, enganem-se. Eles criaram uma obra nova, talvez um novo capítulo da Bíblia em que se pudessem pavonear. Cada um deles, Deus, o Diabo e Martim , partilham uma coisa em comum a sua querida e amada Sancha. Ela está prestes a encontrar-se com um antigo monarca e possívelmente criar raízes com essa nova pessoa , porque até lhe dá calafrios e nós sabemos disso perfeitamente. As imagens do passado que ela sempre viu desde pequena dão –lhe uma mediúnidade nunca vista. Decidi transformar-me num monstro, premeditar novas peripécias que eleve a minha alma para lá da perfeição e da luz perfeita de Deus. Inventar uma história é dar-lhe um sentido para a vida , transformar as personagens em pessoas com sentimentos e manias. A vida é uma obra aberta onde permanece um sussuro da nossa consciência. O objectivo da minha história é travar a ameaça divina e põ descobrir-lhes os pontos fracos de cada um deles. Deus, Diabo, Sancha e Martim e outras tantas personagens que eu queira agora inventar são partes da minha vontade fora de qualquer instituição. Esse é o ponto estratégico do meu trabalho. Tornei-me formador aqui no Além e dei aulas a personagens trágicas que durante a sua vida incapazes de se dar a conhecer como pessoas. Aluguei-lhes um corpo para que pudessem renascer e ali está Sancho II. Este rei foi meu formando desde o momento em que eu descobri a história de Deus e o Diabo .Os planos mudaram e eu agora irei tecer uma nova camisola para cada um deles, decidi reescrever esta história e investigar por minha própria conta. As melhores histórias nascem das apostas entre duas personagens , procurei então vários meios para lhes estragar os planos . Gosto de provocar surpresas e levar o ser humano ao seu completo domínio, coisa que para Deus e o Demónio seria impensável. Eles procuram a dor na sua vala interior e levá-las ao desespero e à reflexão. A obra da mudança interior leva-nos a procurar limpar as arestas da nossa alma, tentar respirar e procurar outros interesses. Decidi então dar um golpe de misericórdia e levar a fazer tudo aquilo que os meus arqui-inimigos não conseguiram fazer. Superara-me. Bem sei que a sociedade bem gosta de coisas feitas, arrumadas, onde cada um deles se prestam aos mesmos papéis e à resiganção. Eu optei por fazer coisas diferentes. Destruir-lhes os planos , as vontades. Criei alternativas no outro mundo onde os mortos esperam a hora de uma nova vida, não basta que sejam recoradados ou que lhes limpem as campas todos os fins de semanas e que lhe ponham umas flores. Falam das pessoas sem estarem presentes e pregarem as suas próprias histórias é isto que eu quero fazer. Dar a este rei aquilo que ele não teve em vida, dar-lhe uma esperança, de se mudar. Tornei-me escritor , por acidente, por ódio. Escrever uma nova história a partir de uma ideia começada por outros era algo que dava um enorme prazer. Toda a história já estava na minha mente quando Sancha se irritava com as palavras da sua aluna ao falar de Sancho II. Olhava mais uma vez para o écran do computador e esprava pela chegada de Martim, isto é do rei exilado. Foi então que nop meio da tempestade em que Sancha se atirava à água. Job sentiu pela primeira vez o gosto da sua vitória. A dor que eles queriam ia ser sacrificada pela luz. A obra de arte nunca está terminada, assim tal como o crime pode dar esse exemplo, uma espécie de prazer que pode conduzir a dois rumos. O fascínio que Deus e o Diabo têm pela tortura e a culpa levaram a planear a degradação da jovem historiadora e analisarem mais uma vez os benefícios do mal como exemplo da arte. Bem sei que já não vejo o mundo da mesma forma, porque acabei eu mesmo por apreciar o mal.

Para lá do tempo e de tudo aquilo que fora previsto inicialmente Sancho II surgia na pele de um jovem de cabelos compridos e mosca. Fazia dele o antigo Tio Vermelho com a roupa de borracha de um bom homem do mar. As várias centenas de anos que estivera a passear pelo além não o deixava de lhe dizer uma coisa. Ele tinha que se vingar dela. Queria vingar-se da sua bela amada. Sentia aquela oportunidade como um momento único. Via a oportunidade para a violar, sentir-lhe o cheiro do corpo, apertar-lhe as roupas. Quereria ela ir para freira ? Bem sabia como as coisas estavam diferentes. Ele vira a mudança do universo, casas e mais casas que para ele não significavam nada. Ele olhou-se com aquelas roupas, estranhou-se e mais uma vez pensou naquilo que havia de fazer . Até que de um outro lado, Job lhe ia dando as coordenadas para que não houvesse um desiquílibrio temporal, ia-lhe dizendo quem era e que haveria de escrever uma espécie de história num caderno para Sancha e para toda a sua família. Dizer-lhes que quis sair dali, deixar de ser o menino e tornar-se num homem, aprender na pele tudo aquilo que sempre proclamara.

Sancho II ainda continuava louco por aquela mulher por mais anos que passassem lá continuava ela linda de morrer , mas a minha vontade de se vingar dela não tinha limites queria fazê-la sofrer. A vontade de a beijar foi mais do que o ódio que ele sentia por ela e não se conteve então em beijá-la com sofreguidão.

Se Deus e Satanás estavam atónitos com as imagens que viam pois reconheciam a hesitação do monarca perceberam que havia algo que não batia certo, Sancho I que fora preparado para deixar a jovem de boca aberta com as suas afirmaçãoes anticléricais e preprarava-se para raptar a jovem e levá-la a casar-se . Coisa que ela adoraria certamente . Exímio admnistrador, pensara Job sorrindo num canto prevendo a confusão. O rei iria promover uma rebelião e fazer com que escolhecem um senhor , um único e grande senhor, ou ele, Deus ou o Diabo. Martim observava a cena deliciado . As lutas iriam começar . Isso era um facto. E agora não haviam cronistas para relarem a sua história . Tudo o que estava previsto ia dar-se mas de uma m aneira diferente . Sancho I raptara Lilith . Esse fora o primeiro sinal . “Um de vós há de arcar com as consequências . Foram vocês que me lançaram nesta «canganlhada»” . Agora hão de me por no meu lugar. Eu quero ter o meu sossego de volta. Voltar à min ha época. Portanto irão ficar sem a taberneira. A vossa messalina. Ouvirão? Agora cada um de vós deverá obedecer a um só senhor a Sancho I.

No meio desta confusão Deus e Satanás não sabiam o que fazer . Apenas procuravam alguém que descobrisse o autor desta confusão que lhe estragara os planos iniciais e só faltava agora uma rebelião nos céus e infernos. Um monarca português que se sobrepunha contra as potências sobrenaturais. Não! Isso não podia acontecer. Tinham que ter um historiador com eles, alguém que estudasse o comportamento deles. Até que procuraram nos dados do computador alguém que se pudesse mover entre a biblioteca do além com todos os documentos e ficheiros necessários para poder haver um cessor fogo. Preparava-se uma guerra . Encima da mesa um bilhete:
“Finalmente alguém que me trata como mulher e igual. Adorei ser raptada“
Martim era a pessoa ideal. Mas Martim era de extremos. Olhou-os e sem rodeios disse :- Posso ajudar-vos. Mas quero o meu rosto e corpo de volta! Quero tudo a que tenho direito! É o meu corpo foda-se !Estão-se a comportar como duas comadres de novelas da televisão! É pegar ou largar! Quero o meu rosto, o meu corpo e a minha vida de volta! Só assim é que vos irei ajudar!


8.Entre a espada e a parede

A mudança está a ser feita agora, mas tudo é feito naturalmente. O objectivo da vingança de Job não previa várias alterações a nível do além e do mundo do aquém. O plano inicial de uma obra como diz todo o téorico é prever que as personagens têm vida própria e não se deixam vergar perante as observações dos seus próprios pais, pois bem aquilo que vos digo é que esta história é objecto de estudo por parte de várias pessoas que fazerm apostas para que esta ou aquela personagem ganhe maior ou menor destaque. Descobrindo o ponto fraco de cada um deles, opta-se por tornar esta história numa obra aberta que podem ser alteradas consuante as suas acções. E eilo ali Martim agora dando provas de que ainda é um ser vivo que quer participar activamente mas que lhe seja restituído o seu mundo anterior . Também decidi escrever a minha história a partir dos outros, sendo ou não estratégico tornei-me formador no além , dei aulas a personagens trágicas que durante a vida foram incapazes de se dar a conhecer como pessoas, Naram- Sim de Akad que em breve irá tomar o partido de Sancho I acabando por tornar este cantinho à beira mar plantado num caos . Alugaram-lhes um corpo de uns meninos perfeitinhos capazes de seduzirem as mulheres , mas este seres com várias centenas de anos iam tornar estes momentos em verdadeiras pérolas da história literatura portuguesa . Os plano de cada um de nós ia mudando até Martim que não se crê morto, decidiu tornar-se ele próprio escritor e adulterar metade dos acontecimentos e transformar estas personagens nos seus verdadeiros capachos. Optei por investigar estas pessoas por minha conta , são narradas histórias paralelas e o que eu fiz foi dar-lhe uma nova frescura . O que partiu de uma aposta foi desenacadear um mar de surpresas como tenho dito ao longo deste monólogo para que cada participante deste jogo possa observar cada jogada que está a fazer . Gosto de provocar surepresas e de levar estes seres a tomarem decisões que em vida jamais teriam sido caoazes de as fazer. Deus e o Demónio ou satã ou lá o nome que ele tiver imaginaram D. Sancho I como personagem principal , mas esqueceram-se das suas memórias , das suas lutas e das vidas em campo. Nada melhor para um ser analisado como sombra de um outro rei quiça seu pai o leve a transformar-se num guerreiro rebelde e isso vê-se pelas suas decisões tomadas. Agora olhempara mim o que faço eu aqui nesta história? Se sou meramente secundário? Não, meus caros , eu sou a mola desta nova história. Quero apagar a imagem de resignação a que toda a vida tenho sido posto em exageses e análises literárias. Eles quiseram demonstrar o mundo a beleza e do corpo ,dar a conhecer o status de duas personagens humanas e que cada uma delas irá perder esse meio através da morte e da desagradação física e psicológica. Tudo caminhava para que a história da menina arrogante que julga saber tudo dos livros e da vida precisaria de cair e perder coisas , pessoas , para dar valor ao ser humano, ao seu bem estar e tudo aquilo que abominava será o seu novo alento. A vida tem por vezes vozes e meios irónicos de nos transportar para as decisões mais anatgónicas. O Senhor como ele se quer fazer crer, deu a a graça aos humildes e deu-lhes a capacidade de os transportar aos céus , enlouqueceriam a menina historiadora com uma morte muito apropriada de um amor. Um acidente calha sempre bem , mas na vida como dizia o cantor tudo passa. Ela é um desses casos postos à prova , deveria ter nascido homem, mas Deus quis que ela fosse mulher para acatar com as decisões dos homens e ainda por cima padecer de amores. Eles agora tem que lidar com a chantagem e a manipulação como sempre fizeram aos seres humanos e melhor ainda um rei que vai querer comandar o Além, não há mais bem, nem mal. Eles precisam de um analista,alguém que conheça os truques e que saiba ler os documentos. Alguém que diagonostique o mal que fizeram. Mas o pior disto tudo é que Deus e Satã transformaram Martim num detective para descobrir quem provocou toda esta situação. E na terra? Será que eles terão cabeça pra verem o que Sancho II irá fazer? Quais os planos deste senhor e rei perante a sua grande paixão?

Para se voltar atrás é necessário retomar o tema ao qual o deixamos anteriormente .Martim nunca conseguira assegurar as suas relações amorosas,quanto mais os seus problemas interiores que o deixavam na maioria das vezes num vazio , havia apenas o carisma de um menino cheio de charme onde podia captar a simpatia de cada uma das suas conquistas ao passear o seu cão e ver as suas futuras conquistas aparecerem-lhe pela frente como abelhas a provar o pólen das flores. Agora sentia-se estranho diante dois seres estranhos que acabavam de lhe pedir ajuda. A vida traz um travo irónico de uma capacidade única de nos por à prova de uma única acentada e dar aquilo que um dia nós nunca pensamos ter o poder universal nas mãos , além do mais Martim nunca fora um crente divertia-se com as façanhas do Demónio nos Autos de Gil Vicente,ou parodiara Satanás de Milton no Paraíso Perdido , talvez pudesse alinhar na rebelião de Sancho I.Martim deliciava-se com aquela situação confusa saída de um romance non-sense onde o senhor que tudo vê e o aquele que tenta todos que oferece os maiores tesouros acabavam de perder todas as suas forças , o jovem vermelho chegava à conclusão de que Deus não existia . Os filósosfos afinal tinham todos razão . Para chegar à conclusão de que não teria a sua vida de volta teria que negociar como os maiores filhos da puta , porque os outros já a teriam tido feito o mesmo , nessa óptica estudaram-se vários reis . Primeiro fora o DJ Naram- Sim para atrair uma sumeróloga, e depois Sancho I e agora Sancho II atraindo desta vez uma paléografa mediavalista . E ele quem seria agora ? Se em épocas anteriores os historiadores ou os cronistas tiravam partido dos acontecimentos para exaltarem a figura do rei ou darem uma lição de vida para as gerações vindouras então ele Martim Meira de Botelho e Castro era um balão de ensaio entre Deus e o Demónio . Ele especializara-se em história contemporânea , analisara documentos digitalizados , estudara fontes de família tivera que preencher requerimentos para chegar até aos malditos pontos de vista em que os protagonistas da história viveram , entrevistara os vivos e os familiares , mas era tudo muito bem estudado , como um menino que estava à frente dos colegas da turma . Participara em conferências,organizara simpósios internacionais e por fim dera-se conta de que estava num local bafiento na biblioteca do além onde estava perante documentos cheios de bolor . Preparava-se para fazer aquilo que Sancha fazia transcrever os documentos ou melhor recordar as suas vidas , toranava-se não só num diplomata como num detective do além . Quem fora o autor de toda a situação . Agora estava no ponto de partida . Até que lhe surgiu um elefante seria o Dumbo , estaria ele a ler João Barreiros ? Não , nada disso era um ser mitológico. Alguém que lhe vinha dar o resto da lição. Mas para isso Martim definia uma última cartada . Não chamaria autores modernos ou contemporâneos,mas antes o seu grande amigo Naram- Sim de Akad , o rei dos quatro quartos, das quatro regiões.Fazia-o saír de uma tese de mestrado da faculdade de letras onde ele o herói acabaria por sair dali,daquelas páginas e faria também uma autêntica confusão.


9. Reencontros?

No momento em que Sancha olha para Sancho II agarra-se a ele vendo o rosto de Martim . Chora copiosamente, onde as suas lágrimas deslizavam tal como orvalho numa manhã fresca . No meio das trovoadas ela olha-o e disse –lhe:
- Nunca acreditei na tua morte! Procurei os teus pais! Quis saber tudo sobre ti, porque é que tu eras assim, só agora compreendi o quanto somos iguais, e nunca quis ouvir as tuas palavras, os teus conselhos! Meu Deus quantas saudades do teu sorriso gaiato , dos teus lábios carnudos e olhar para as tuas pernas musculadas, meu herói! Sempre adorei tempestades , trovoadas e sempre te associei a elas, como me recordo daquela vez em Famalicão quando foi falar sobre Sancho I que tu estavas diferente, mais calmo, olhavas-me de uma forma distante, talvez porque da última vez te deixei a falar sózinho. Sabes estou num impasse, já não sei o que fazer à minha tese, se a deixarei como se abandona um esposo, ou partir ao mundo para as organizações não governamentais. Sinto uma enorme vontade de te abraçar e de te dizer que te amo, meu amo e Senhor.

Sancho II olhou-a. Recordou aquela dama esbelta, castelhana que em tempos o deixara completamente louco ao ponto de deixar o país na miséria, fora deportado. Queria vingança . Ao fundo o mar era a banda sonora perfeita. Era a mesma personagem que o perseguia do mundo dos mortos e sabia que não podia estar em dois locais ao mesmo tempo. Ele amava o amor e no entanto ali estava ele… diante de uma outra rapariga feita num oito. A sua própria irmã. Cheque mate! Gritavam Deus e o Demónio. Cereja era a jovem ruiva que dera toda a força e que o acompanhava desde criança nos campeonatos de surf. Antes de se converter ao marxismo Martim era um dos maiores surfistas e isso fazia-o ser o mais popular e ntre os surfistas , e ali diante da sua irmã estupefacta. Martim estava vivo! Tinha que correr a contar à família. Bastava ligar o telemóvel. Merda nas mensagens de voz! Reuniões e mais reuniões! Com que então! Ele estava mais do que vivo!
- Titas! Preciso de lhe falar! Acho que estáa ser indecente!
- Titas! Eu não sei quem sou!
- Só o acabei de ver agora! –disse Sancha.
- Sancha, saiu melhor que a encomenda!
A historiadora nem respondeu:
- A realeza que se entenda! Saiu furiosa.
- Sabes , que começo a gostar muito de ti?
Matilde /Cereja olhou-o estupefacta:
- Quem é você afinal?
- Nem eu sei… respondeu o monarca, mas lá por dentro estava a divertir-se.
Diante disto no Céu havia um colóquio entre as diversas personagens que estavam a ser desenvolvidas e aqui surgiu o demónio muito pronto , sorridente com os resultados ,mas as coisas começavam-lhes a fugir das mãos , porque ao mesmo tempo decorria um curso de escrita criativa feita sabia-se lá porque razões não havia sido convidado e decidiu mesmo criar ele próprio um colóquio com convidados com palestras da faculdade .Ali no Céu e no Inferno giravam personagens históricas que davam a volta às questões de miséria, luto, engano e todas as palavras figurativas. No meio de tantos intelectuais que abriram o curso de escrita criativa como uma forma para aprender a escrever –O título da comunicação chamava-se “O pão que o diabo amassou “”Apresento-me agora perante vós,meus caros senhores. Eu sou quase um emissário.. Vêm com fórmulas já feitas por outros historiadores e na maior parte dos casos na litertura menos. Coloco-me como uma personagem despeitada. Os contos que alguns teimam em ser uma parte inacabada da literatura,na minha opinião desenvolvem pensamentos e característicos das personagens,por vezes o autor ou o contador das histórias tem a massa para fazer a ementa a dar aos consumidores deste próprio estilo. Queremos matar esta ou aquela personagem. Sirvo-me de uma lição dehistória que neste país tem sido apontada como verdadeira revolução das sagradas escrituras . Digamos que a história vai mais para trás num tempo em que temos que olhar para a genealogia de cada personagem. É Sancha que devemos analisar. Tudo aquilo que há de ser escrito, há de ser transformado numa nova realidade. Observemos então Sancha agrande avalanche da nova literatura portuguesa – disse o Demónio.

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