fanzine Tertuliando (On-line)

Este "blog" é a versão "on-line" da fanzine "Tertuliando", publicada pela Casa Comum das Tertúlias. Aqui serão publicados: artigos de opinião, as conclusões/reflexões das nossas actividades: tertúlias, exposições, concertos, declamação de poesia, comunidades de leitores, cursos livres, apresentação de livros, de revistas, de fanzines... Fundador e Director: Luís Norberto Lourenço. Local: Castelo Branco. Desde 5 de Outubro de 2005. ISSN: 1646-7922 (versão impressa)

quarta-feira, julho 06, 2005

Fundação Calouste Gulbenkian extingue Ballet. Próximo episódio: FUNDAÇÃO EXTINGUE-SE?

O Conselho de Administração da Fundação Calouste Gulbenkian (FCG) divulgou ontem, em comunicado, que até Agosto de 2006 (anúncio com um ano de antecedência, apesar de todos os espectáculos terem sido imediatamente cancelados… esperam mecenas!?) irá extinguir o Ballet Gulbenkian (BG), mudando os moldes do seu investimento nesta área da cultura.
Alega-se reestruturação (palavra, SEMPRE, sinónima de despedimentos e de fim de algo) da instituição… Em “substituição” da companhia, a FCG prefere investir em: bolsas para o estrangeiro, acções de formação, apoiar os actuais bailarinos a criar as suas próprias companhias… que alguém irá, um dia, extinguir, digo, reestruturar!
Participo nesta discussão pública como cidadão preocupado com as questões culturais e agente cultural, não na qualidade de especialista em ballet ou grande apaixonado pelo mesmo, que não sou.
Na verdade, não foram muitas as oportunidades para assistir a espectáculos de ballet e quando as tive, quase sempre, preferi outras artes: o teatro, o cinema, as exposições, as tertúlias, os concertos, as apresentações e lançamentos de livros.
Depois do fim das Bibliotecas Itinerantes da FCG – tão importantes que algumas bibliotecas da Rede Nacional de Bibliotecas Públicas começaram a recuperar a ideia – extinguiram-se as Bibliotecas Fixas da FCG, entregues ao cuidado das Câmaras Municipais, que por falta de verbas (sempre a falta de verbas!) encerraram muitas delas.
Agora, é a vez do Ballet Gulbenkian, com 40 anos de actividade, uma das duas companhias portuguesas de bailado de referência e com projecção internacional.
De extinção em extinção até à extinção final?
A seguir vai a Orquestra? E o Coro? E o Museu? Neste momento há muito mais museus do que há 20, 30 ou 50 anos! E então? Porque há vários museus fechará a FCG o seu?
Pelo facto do panorama artístico e cultural se ter alterado e desenvolvido, acaba-se com o que temos de bom?
Porque há mais oferta cultural, acaba-se com a melhor?
O actual Conselho de Administração (e os que extinguiram as bibliotecas da FCG) pretende ficar na história como o coveiro da FCG, como o destruidor do legado de Calouste Gulbenkian?
De instituição elogiada, prestigiada e vanguardista, a instituição culturalmente reaccionária e castradora?
Troca-se o certo (uma companhia que é uma referência cultural) pelo incerto (hipotéticas companhias que podem vir a ser criadas e cuja qualidade só o futuro o dirá!
Luís Norberto Lourenço
(Fundador e Organizador da Casa Comum das Tertúlias)
Castelo Branco, 6 de Julho de 2005
Ver mais:
Publicado no "Diário XXI", 8/07/2005:

Publicado no "Diário Regional de Viseu", 08/07/2005.

Publicado no "Notícias da covilhã", 15/07/2005.

1 Comments:

  • At 2:57 da tarde, Blogger Norberto Fidalgo said…

    Comentário enviado via "e-mail":

    Já tive a oportunidade de ler o seu artigo referente à reestruturação ou melhor dito a extinção da companhia de Ballet da FCG. o seu artgo é intressante e foca o panorama das artes/cultura em Portugal.
    Na minha humilde opinião, concordo com o seu ponto de vista, na medida que a FCG é uma entidade promovedora da cultura portuguesa e deve "lutar" para manter a chama dela em todas as vertentes. Realmente, a reestruturação ou extinção da companhia de ballet da FCG será um grande "pesar" para a cultura portuguesa uma vez que, esta companhia é reconhecida internacionamente pelo seu belissimo espectáculo e riqueza. Também é reconhecida nacionalmente mas, muito pouco :) Porque será?
    É pena , nós os portugueses não damos o devido valor as nossas riquezas culturais!
    É pena, também que a FCG não promova mais esta arte como forma de não deixá-la apagar-se!
    É, de facto, pena nós os portugueses desculpar nos sempre com a cantiga " Não há verbas para... / existe falta de verbas.
    Quando há crer há poder!
    Quando há vontade há obra feita!
    Há que manter acessa a nossa chama da cultura!

    RS

     

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