POSSÍVEL ENTREVISTA DE ADÈLE BLANC SÉC A AKENATON …. “AKENATON O HERÉTICO OU O REFORMADOR ? “
“ (…)Os factos? Muito bem. Então vou narrar-te o que aconteceu. Após o coroamento, mais concretamente entre o terceiro e quinto ano do seu reinado, Amenohotep IV iniciou uma revolução sem procedentes na história do Egipto. Mandou encerrar os templos dos deuses tradicionais. Depois, despediu os sacerdotes que aí oficiavam e começou, lentamente, a preparar o caminho para uma alteração profunda na sociedade Egpcia (…)”
Helena Trindade Lopes, A Mulher que amou o faráo,1 ed, Romance, 2011, Esfera dos Livros, p.17
Numa tarde quente como aquelas dos desertos e mais propriamente, as da Cidade dos Reis, a jovem Adèle Blanc Séc através do intrepido egiptólogo decidem dar vida ao famoso Akenaton. A jovem repórter quer fazer uma entrevista exclusiva ao seu jornal antes que todos os outros arquéologos se apropriem do seu furo.
Apesar dos avisos do egiptólogo, a arquéologa correu diante das ruínas onde estava a luz e alma do faráo.
- Quem são vocês para me interromperem a minha meditação? Eu assim não consigo receber os meus conselheiros com a paz e a tranquilidade que sempre os recebo.
A jovem explodiu a rir.
- Nunca pensei que um ninho de víboras, fosse idêntico a um creme de beleza… Ah! Ah! Os eufemismos a que uma pessoa tem que usar para trabalhar com os subalternos!
- Àdele! –gritou o egiptólogo irritado.
A jovem arquéologa tirou um cigarro e acendeu-o. O faráo olhou-a espantado:
- Mas… fuma incenso?! Mas é uma verdadeira cantora de Amon!
- Não, meu caro, faráo, é uma honra estar consigo, mas gostaria de me apresentar, eu e o meu professor, o meu mentor, gostaríamos de falar consigo, sobre a sua época. Sabe, é que as más línguas do Paris Match, do Le Monde, Expresso e veja bem da revista Caras dizem que você tem um caso com a sua irmã…
- Ah, que disparate! Isso é intriga! Antigamente sim, mas a minha mulher é a mais bela das princesas hititas e rainhas que o mundo já conheceu… Nefertiti! A Bela Chegou… por onde ela passa tudo pará…
- Ai! Meu Deus que estou a ter uma inspirção para uma canção poruguesa… a Rosinha dos Limões!!!! Quando ela passa…
O egiptólogo aproximou-se irritado com a impertinência da jovem, o faráo olhava-a fascinado, por ela o olhar de frente, como se fosse uma deusa, e ela como arquéologa sabia muito bem o que poderia acontecer…
- Deixe lá, amigo! A sua mulher diverte-me! Faz-me lembrar quando eu conheci Neferti… na casa da Vida. As pessoas do futuro pensarão que casa da vida ,serão casas masl afamadas, mas são como as universidades, as escolas, onde nós aprendemos a ler, a estudar, uma profissão e eu por direito sagrado que me foi concedido…
- Já foi debicado pelo falcão Hórus a esta hora do dia? –perguntou Adele ironizando o título da casa real.
Bem, o que nos trouxe cá, foi exactamente fazermos uma entrevista, pormos tudo a pratos limpos, a sua imagem foi denegrida, e nós queremos dar aos nossos leitores, na Nacional Geografic fotografias autênticas de que estivemos com o Senhor!
- Sabes de fonte segura, de que a sua reforma religiosa não foi mais do que um pretexto político para atingir outros países, confirma? –perguntou a jornalista, enquanto o historiador dava indicações que não devia fazer perguntas daquele género.
- Quem é que lhe disse isso? –perguntou o faráo.
- As cartas diplomáticas, os historiadores e não são poucos, tais como Nicolas Reeves que lhe chama de falso profeta…
- Isso é mentira!-diz o faráo, devem ser coisas dos hititas, ou daqueles sacerdotes que perderam tudo, aumentavan impostos, mas agora as coisas serão diferentes…
-Huum! Isto parece a Revolução Francesa só que não há guilhotina… -disse irónica a arquéologa. Sabe, Vossa Magestade que nós também tivemos um período assim à coisa de cem anos mais específicamente até que um senhor Napoleão e andou por aqui a fazer umas manobras de diversão…
- Àdele! Já chega!-ralhou o professor.
- Não, deixe-a falar , ela faz-me sorrir, tem um humor refinado, coisa que este reino deixou de ter! De certeza que não foi cantora?
- Não… mas você não me deixa responder… qual é que é afinal esse seu programa secreto que todos querem esconder que só Lepsius descobriu em 1875?
Todos diziam que você era um lunático, que vivia fora da realidade, mas sabe que alguns dizem que pretendia um programa muito maior, e alguns dizem que é quase uma forma de subir ao poder, você deu novos cargos e títulos… porquê? –perguntou a jornalista.
- Bem, Neith, Bat ou Hathor? Acho que estes nomes acentuam-lhe que nem uma luva –disse o faráo.
- Mas porquê? O que quer dizer isso? –perguntou a arqueóloga intrigada acendendo mais um cigarro pensando num belo banho revigorante do que estar ali a torrar ao sol.
- Para saber essas informações de deusas, vá à reserva do Museu do Cairo, e lá verá muitas peças, depois vá até Basileia, mas vamos ao que interessa se não acusam-me de ser um político, e eu sou um deus com D grande
Eu quero fazer uma campanha internacional, e nada melhor do que usar um único deus, o Sol, já reparou que é ele que acorda, dá vida às plantas, faz crescer tudo o que está à nossa volta, e ainda lhe digo é ele o digno escravelho Kepri, não ponha isto (porque se nào dizem-me que me estou a contradizer). A grande novidade nestes templos era que as pessoas nos pudessem ver, sem terem que esperar uma vez no ano. Decidiu-se construir uma nova cidade, longe de tudo, maior, magnífica que fosse inesquecível para que todos um dia, falassem dela, dos desenhos, dos quadros…
- Há quem diga que foi o iniciador da nova era, que o uso do sol, da energia muda a vida das pessoas…
-Ah! Agora lembro-me quem você é, menina! Eu sabia que você viria do futuro. E que eu me apaixonaria por si… Blanc Séc, mas teremos que colocar um outro nome, um nome mais egípcio…
- Não, disse Adèle. Naò pudemos mudar a história , nem os seus acontecimentos, alterar a ordem das coisas, é rasgar uma página, apagar da memória tudo aquilo que fez, o seu amor por uma cidade, por um ideal mais forte, por Aketaton, por Nefertiti, todos erramos, magestade. Mas não são os homens que podem dizer que fizeram bem ou mal, mas as suas escolhas e a época em que viveram.
O faráo saudou os aarquéologos:
- Que a Maat vos acompanhe, isto quer dizer que a ordem do universo vos siga sempre e ba vos leve a bom porto!
Àdele volta-se para o faráo e pergunta-lhe:
- Que título gostaria de ser recordado? Herético? Ou Reformador?
- Herético é mais a minha múmia... Ah! Ah!
BIBLIOGRAFIA
Dicionário
- Carrreira, José Nunes, Dicionário do Antigo Egipto, ed. Caminho, 2001, 1 Ed,
Romance -
Lopes, Helena Trindade, A Mulher que amou o faráo, Esfera dos Livros, 2011
-Sales, José das Candeias, As Divindades Egípcias –uma chave para a compreensão do Antigo Egipto, Ed. Estampa, n. 38, 1999, pp79-84
Estudos
Silva, Heitor Penedro Silveira da, Evolução e Apogeu do Culto solar no Antigo Egipto: A Época de Amarna, Dissertação de Doutoramento em Egiptologia, sob a orientação da Professora Doutora Maria Helena Trindade Lopes, FSCH, 2009
*O autor agradece a Jacques tardi a possibilidade de recriar uma personagem tão arrojada, irónica e inteligente quanto a arquéologa Adèle Blanc Séc e o seu grande amigo de todos os tempos o egiptólogo que criou o livro “Haverá vida depois da Morte? “Uma paródia ao Livro dos Mortos do Antigo Egipto, e em especial a todos aqueles que de uma certa forma têm contribuído para que o meu amor pelo Antigo Egipto e a história da ciência tenha crescido ao longo de todos estes anos (ao Heitor pedro da Silveira, à Professora Helena Trindade Lopes, ao Professor Ronaldo Grugel e à Professora Fernanda Rollo, e por último à minha querida professora de Português Isabel Enes Ferreira ) a todos o meu muito obrigado por me terem feito olhar que a história da ciência é um caminho a percorrer.




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